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Frevo Noir
“Frevo Noir” é uma coletânea de contos que explora as ambiguidades da alma humana e da sociedade brasileira, tendo o carnaval e a cidade do Recife como cenário. As narrativas mergulham nas sombras e contradições da vida, apresentando personagens complexas e enredadas em situações de tensão e desconfiança, onde a linha entre o gozo e a escassez é tênue. A obra aborda temas como desigualdade social, violência e a busca por sentido, utilizando uma linguagem que mistura lirismo, ironia e suspense, com uma forte influência da sonoridade do frevo e do jazz. A atmosfera noir perpassa as histórias, com elementos de mistério e uma paleta de cores que remete ao lado sombrio das festividades. Os contos são interligados por imagens recorrentes, como a dos caranguejos, que simbolizam a marcha da vida em meio ao caos.
O medo que não dormia
O medo que não dormia
Cumulonimbus
Cumulonimbus
Cumulonimbus é a tinta da pena se precipitando em chuva torrencial de emoções e afetos diversos, mas sobretudo lúgubres. Predominantemente composta de versos livres, dispõe também de composições metrificadas ou ritmadas, conforme isso me tenha assomado em algum momento do percurso de escrita.
Iniciada na pandemia, é o tipo de escrita que foi fomentada pelo isolamento involuntário, a solidão malquista e o sentimento de iminência da morte. Na medida em que parte de um lastro pessoal e regional específico, lida também com temas do Norte, questões filósoficas caras ao leitor, além da sensualidade e embriaguez.
Samir: corpo em crise, pele em chamas
Samir: corpo em crise, pele em chamas
Em São Paulo, em um “futuro distópico” assolado por uma sindemia e um regime totalitário, Samir, um psicólogo desempregado e mestrando, isolado pela crise e à beira do colapso, decide escrever um diário para deixar um registro de sua experiência. Ao revisitar seu passado, ele confronta uma profunda alienação do próprio corpo. Em meio a esse cenário opressor, um encontro casual com um desconhecido chamado Thalles leva ao desenvolvimento de uma amizade secreta, onde, em conversas íntimas, Samir explora suas contradições internas e a busca por reconectar-se com sua corporeidade, enquanto ambos refletem sobre a complexidade de se colocar no lugar do outro em um mundo em chamas.
Pulsares
Em um futuro próximo sob um Governo Único opressivo, a humanidade enfrenta misteriosas pulsações cósmicas que transformam a realidade e concedem novas habilidades a alguns indivíduos. Acompanhamos as jornadas de Aion, um enigmático manipulador de bioluz, Mixa, uma artista tecnobrega em ascensão, e Kyra, uma jovem que manifesta poderes extraordinários devido a essas pulsações. Juntos, eles buscam compreender a natureza dessas mudanças cósmicas, enquanto tentam se proteger de forças secretas, como os Darkstone, que desejam controlar o poder emergente das pulsações e seus portadores. A narrativa explora as consequências dessas alterações universais em múltiplos níveis, desde o individual ao social, em um cenário de incertezas e transformações.
Calvário
Calvário
Ambientado na atmosfera carregada e multifacetada do Morro da Anunciação, o livro “Calvário” apresenta um cotidiano onde a vida vibrante e as esperanças dos moradores se misturam a uma constante sensação de desconfiança e à iminente expectativa de tragédias. No coração desta comunidade, desenvolve-se a singular e terna amizade entre o jovem Pedro, desde cedo fascinado pela capelinha e pelo Monsenhor João, e o próprio monsenhor, uma figura central e controversa tanto no morro quanto no bairro da Betânia. À medida que essa relação se aprofunda, mistérios sobre o passado e a complexa natureza dos personagens começam a emergir sob o olhar atento de uma pesquisadora que busca compreender a religiosidade local. A narrativa tece uma trama onde espiritualidade e violência coexistem, impulsionando o leitor em direção a um desenlace incerto, no qual a verdade por trás dos acontecimentos e as reais intenções dos corações serão gradualmente reveladas.
Pá-Lavra
Pá-Lavra
Os poemas reunidos em Pá-Lavra pretendem render homenagem ao material de que todo artesão literário, todo poeta, depende. Trabalhar a palavra é, nesse caso, o desafio maior, porque afinal é com palavras que marcamos nosso destino de pertencimento, de encontros e de saudades. O dizer, por jamais dizer tudo, diz sempre mais do que se quer. A artesania do verso é, portanto, um exercício de calibragem, dependente de um mergulho em si, quase um afundar-se em águas desconhecidas, na terra molhada da infância, onde toda árvore nasce. A poesia se faz, assim, pelo tornar-se sem jamais estar dado, pelo devir que se descobre na escrita como releitura de outros versos, de muitos poetas. Este Pá-Lavra, ao tornar possível ao poeta cultivar desde dentro suas marcas e travessias, sua terra e suas sementes, esboça uma homenagem às leituras que modelam o desafio de ser um em comum, de nos permitir, enfim, dizer um pouco melhor o que somos, para criar e cultivar a lida com isso onde nos reencontramos na partilha – o lugar da palavra.
Bramuras
Bramuras
“Bramuras” de Hélverton Baiano é uma coleção de contos que deleitam o leitor pela linguagem, leveza e comicidade, mas também pela dureza das situações enfrentadas pelos personagens, apresentando uma degustação fantasiosa que pulsa rápido. Hélverton Baiano escreveu “Bramuras” para resumir bestagens, vadiar com o nada, engolir efêmeros, vestir carapuças e sentir o gosto dos puçás da infância. Tudo isso pulsa em sua degustação fantasiosa. Vencedor do Prêmio Bolsa de Publicação Hugo de Carvalho Ramos 2013 da União Brasileira de Escritores – Seção de Goiás (UBE-GO), o livro reflete a trajetória de vida do autor desde sua infância em Correntina (BA).
O homem não foi feito para ser feliz
O homem não foi feito para ser feliz
Germano é um médico pardo que ascendeu socialmente, mas ainda não se sente feliz. Tendo que insistir repetidamente em sua posição de “doutor” – não é o motorista, não é o segurança –, busca exercer sua profissão da melhor maneira que consegue, tendo de se adequar ao descaso e às politicagens da área da saúde. Após a morte de seu pai e uma revelação inesperada, Germano se vê como o “próximo da fila”. Ele começa a questionar suas escolhas de vida e revisita as relações amorosas fracassadas, sua inabilidade com as mulheres e a dependência da prostituição. Assombrado pelo medo de não ser correspondido, Germano desenvolve uma personalidade misógina, desapegada e hedonista. Contudo, essa fachada começa a ruir quando seu affair se muda para outro país. Nesse romance contemporâneo, irônico e reflexivo, acompanhamos a jornada de um homem acossado por desilusões amorosas, preconceito racial, intolerância religiosa e desigualdade social, que tenta se distanciar refugiando-se em livros e no sexo pago com acompanhantes. Além de uma ode à literatura, “O homem não foi feito para ser feliz” mostra o quanto é frágil a nossa percepção da realidade, de nós mesmos e dos outros.
Fragmentos de uma ausência
Fragmentos de uma ausência
“Fragmentos de uma ausência” é um romance autoficcional que narra, em capítulos curtos e entrelaçados, os vestígios de um relacionamento que marcou o narrador até a ruína. Com linguagem ora lírica, ora crua, o livro alterna memória, confissão, humor sombrio e reflexões existenciais, compondo um mosaico de dor, amor, desejo e autossabotagem. Do primeiro beijo adolescente à solidão da vida adulta, passando por traumas familiares e devaneios sexuais, cada capítulo é um esboço emocional que se recusa a fechar as contas da equação amorosa. O livro brinca também com noções e metáforas da matemática para tentar calcular o incalculável: o amor, a perda, o vazio. Um livro que desvela, com sinceridade perturbadora, como o amor pode ser tanto cura quanto ferida.
Ela mesma como fantasma de si
Ela mesma como fantasma de si
Ao retornar à antiga casa de campo de sua infância, Elara mergulha em um território onde o tempo parece suspenso e as memórias se manifestam em formas sutis, sensoriais e por vezes fantasmagóricas. Em meio à solidão da casa, à presença simbólica da natureza e à aparição recorrente de um caracol, ela revisita as marcas do abandono materno, do luto por uma amiga e das lacunas deixadas pelo silêncio familiar. Cada objeto, cada ruído, cada sombra é um convite à escuta profunda de si mesma. Com uma escrita lírica e atmosférica, Gabriela Queiroz constrói uma narrativa que entrelaça corpo, memória e paisagem, propondo uma jornada espiralada em que o passado não é apenas lembrança, mas presença viva e transformadora. Ela mesma como fantasma de si é um romance sobre feridas invisíveis, vínculos interrompidos e a possibilidade de reencontro com o que resta — e com quem se é — após a perda.
A morte é uma geladeira vazia
A morte é uma geladeira vazia