Chega aos leitores da Mondru uma obra que desafia as convenções literárias e filosóficas contemporâneas: "Confraria dos homens invisíveis (O livro da mitologia dos seres deselegantemente arbitrários)", do autor Solemar Oliveira. O lançamento deste intrigante trabalho é o eixo deste press-release por marcar a introdução de uma literatura densa, elaborada com um impressionante compromisso com a reflexão e uma roupagem de realidade crua. Celebra-se a chegada de um texto esplêndido e raro, elogiado por sua capacidade de mesclar filosofia profunda, loucura e extrema lucidez.
A trama central mergulha no insólito cotidiano de uma sociedade secreta composta por nove membros, que se reúnem sigilosamente no porão de uma antiga cantina no centro da cidade. Longe de possuírem poderes mágicos ou talentos ilusionistas, esses indivíduos buscam a anulação social e existencial absoluta perante o mundo. Guiados por rígidos mandamentos, como a diretriz de aceitarem que "nasceram mortos" e a lei de assegurarem-se como seres absolutamente "desnecessários", os aspirantes à invisibilidade dedicam-se à tarefa quase impossível de derrotar a própria vaidade, considerada por eles o defeito mais robusto do ser humano.
A narrativa inova ao construir um formidável labirinto de ideias e mitos, alternando organicamente entre rituais herméticos, debates filosóficos e episódios de tom fantástico. A estrutura transcende a linearidade convencional da prosa, costurando crônicas de existências fracassadas, contos mitológicos bizarros e versos poéticos sonoros que servem de contraponto consolador à aridez emocional dos personagens. Essa tessitura cria um mosaico caleidoscópio mental que espelha perfeitamente a complexa e tortuosa organização interna exigida para desaparecer voluntariamente.
Entre as qualidades mais louváveis do livro está a sua franqueza impiedosa, sendo definido logo em seu prefácio como um autêntico "brinde ao fracasso e à lucidez". O autor não romantiza o isolamento; pelo contrário, apresenta a renúncia social como um desafio aterrador, um insistente e exaustivo nadar contra a correnteza da natureza humana, que sempre ansiou desesperadamente por atenção, legado e reconhecimento. Essa inversão brutal de valores funciona como um poderoso espelho que confronta o narcisismo e as imposições da nossa própria sociedade.
Além disso, a obra ganha uma densidade psicológica ímpar ao investigar a fronteira muito tênue entre a invisibilidade voluntária construída pelo desapego e o flerte perigoso com o suicídio. A solidão, a falta de sentido e a necessidade vital de desconexão são intensamente dissecadas através dos dramas de homens estilhaçados por dentro, como Renato, Pedro e Primeiro. O livro estabelece de forma inovadora que o indivíduo que abraça a invisibilidade é, no fundo, um herdeiro direto do homem revoltado, utilizando a nulidade como sua mais profunda arma de protesto existencial. "Confraria dos homens invisíveis" firma-se, portanto, como uma leitura obrigatória e provocativa para o público que busca literaturas intelectualmente estimulantes, repletas de significados ocultos e críticas ao peso da vida cotidiana.
Sobre a obra
- Gênero
- Romance
- Selo
- Mondru
- Lançamento
- 20/06/2026
- ISBN
- A caminho
- Preço de capa
- R$ 59,90
A obra "Confraria dos homens invisíveis" narra a trajetória de uma peculiar sociedade secreta formada por nove membros que se reúnem sigilosamente no porão de uma antiga cantina. Longe de possuírem poderes mágicos de sumir fisicamente, esses homens buscam a absoluta invisibilidade existencial e social, o que significa anular completamente a própria vaidade, distanciar-se das interações da realidade e abraçar a completa nulidade perante o mundo. Guiados por rígidos mandamentos, como a aceitação de que nasceram mortos e a diretriz de se tornarem seres absolutamente desnecessários, eles cultivam o desapego e a solidão extrema como suas maiores virtudes. A trama central explora os dilemas filosóficos, as angústias psicológicas e a convivência insólita de aspirantes a invisíveis, como Renato, Pedro e o líder Primeiro, enquanto tentam suportar o peso dessa renúncia radical em um labirinto narrativo que costura seus dramas íntimos a contos mitológicos, debates sobre o vazio da existência e a fronteira tênue entre a lucidez e o suicídio.
Citações
“Solto no caos está o coração do homem invisível!". Sua dor é a fome das distâncias incontroláveis da terra. O homem que se anula flui nas águas da escuridão absoluta e contempla a injustiça sentado na base de uma cruz solitária com um inocente flutuando acima da sua cabeça. Vê um fosso de tendências e está isento. Sabe disso e deixa seu posto para não tornar-se especial, querendo retornar ao primeiro bar e não ser atendido, mesmo que seu braço se canse de tanto ficar levantado. Absurdo é um sinônimo para o invisível.. "Homens invisíveis não se interessam por religião ou divindades.". Uma vez que são despercebidos aqui nesse mundo, pelos "iguais", serão fatalmente desconsiderados no outro. O homem invisível adentrou à câmara de si mesmo, à sua caverna particular, munido apenas de sua sensação de desprezo. Envergonha-se da canalha e procura as sombras quando seu objetivo não é desaparecer de propósito. Por isso, a lista de mandamentos da invisibilidade começa com a premissa de que a pessoa nasceu morta e não deve esperar vida, inspirando que se vive para si mesmo e é imperativo deixar que o mundo siga. Um homem invisível não é uma pedra que acerta as águas de um lago; é natimorto.. "O fato é que, guardadas as devidas proporções, não é fácil ser um homem invisível voluntariamente.". Um mendigo não é um homem invisível, assim como o taxista ou aquele que entrega os panfletos no sinal também não são. O caso mais interessante é o daquele que é invisível não propositalmente, que tem um emprego do qual não gosta, que garante apenas a sobrevivência, e cuja mulher nem nota a sua existência. Porém, se acaso em um dia ensolarado o puro invisível percebe a sua situação, ele deixa, quase automaticamente, de ser um homem invisível. Os casos formidáveis estão relacionados aos homens treinados, pois ser invisível exige talento.. "O homem invisível que levanta a bandeira de alguma causa deixa instantaneamente de ser invisível e desmorona para a classe comum dos humanos que são observados, imitados, queridos e desejados.". Não é o homem invisível um paranoico por limpeza ou um guardião de rios e florestas. O que interessa sobre a água, ao ser invisível, é que ele precisa bebê-la. Poderia até abrir mão do banho se lhe ocorresse que esta atitude, de alguma forma, manteria o seu estado de constante invisibilidade. Em suma, o homem invisível é uma pedra solta no nada, que não perturba nem o ar que respira.. "A maior de todas as virtudes dessa classe rara de seres é a capacidade de derrotarem periodicamente a sua vaidade.". A vaidade é considerada o defeito mais robusto de todos. Não é necessário isolar-se numa caverna, durante uma parte considerável da vida, para instituir a vigorosa etapa da renúncia exigida ao candidato à invisibilidade. Na verdade, a figura que abraça o desaparecimento voluntário sabe que o homem invisível é um herdeiro direto do homem revoltado.. Dispensar a pequenez e a grandeza das coisas não é apenas necessário, é também uma autêntica ação de revolta existencial.”
Sobre a autoria
Solemar Oliveira
@solemarssoSolemar Silva Oliveira é escritor, crítico de cinema, físico e professor universitário. Doutor em Física pela USP e pós-doutor em Físico-Química pela UFSCar, atua como professor titular da Universidade Estadual de Goiás e pesquisador no Programa de Mestrado em Ciências Moleculares da UEG. É autor dos romances Desconstruindo Sofia (Menção Honrosa no Concurso Bolsa Literária Hugo de Carvalho Ramos – 2015) e Confraria dos Homens Invisíveis (Menção Honrosa no Prêmio Nacional Mark Wertz de Literatura – 2017), além do livro de contos As Casas do Sul e do Norte, vencedor do Prêmio Literário Bolsa Hugo de Carvalho Ramos – 2019. Ganhou o Troféu Tiokô de Literatura da UBE-GO e teve dois de seus livros selecionados entre os melhores da literatura brasileira nos anos de 2023 e 2024 pela Revista Bula. Membro da Academia Anapolina de Letras (cadeira nº 5) e vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura de Goiás, atua ainda como parecerista, curador e colaborador em veículos como Bula e Jornal Opção.
Ficha técnica
| Autoria | Solemar Oliveira | @solemarsso |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
| Revisão | Letícia M. Zambon |
Contato
Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/confraria-dos-homens-invisiveis/