A literatura especulativa brasileira recebe um reforço de peso com o lançamento de Daqui até o Sol, obra de Jaciara Maria que subverte os tropos tradicionais de invasão alienígena ao situar o primeiro contato não em Nova York ou Washington, mas no calor intenso de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A narrativa acompanha a chegada da Confederação dos Pontos Brilhantes, uma organização intergaláctica que intervém na Terra para salvar a humanidade do colapso climático e social iminente. O protagonista, Ravi Cicco, um professor de História da rede pública, é escolhido como um dos representantes da humanidade, precisando atuar ao lado de Garo Sun, um supervisor alienígena metódico e intrigante.
O livro se destaca pela construção de seus personagens e pela dinâmica envolvente entre eles. Ravi é a personificação da resiliência carioca, lidando com o caos urbano, o calor e as questões sociais com humor e sagacidade, enquanto Garo Sun traz a perspectiva de uma civilização antiga e tecnologicamente avançada, os Najooren. A autora inova ao apresentar os alienígenas como seres agênero, desafiando as concepções binárias humanas e enriquecendo o debate sobre identidade e preconceito. A relação entre os dois evolui de uma parceria profissional forçada para uma conexão profunda, explorando o conceito thiliriano de Sighailei, que descreve duas almas que formam uma unidade inseparável,.
Jaciara Maria utiliza a ficção científica como pano de fundo para explorar a cultura brasileira de forma vibrante e autêntica. A narrativa é permeada por referências à música popular, desde o pagode dos anos 90 até o funk, que servem como ponte cultural entre o humano e o alienígena. A experiência de Garo ao ouvir música pela primeira vez ou ao provar a culinária local humaniza o visitante estelar e valida a cultura periférica como patrimônio digno de nota em uma escala universal. A obra equilibra momentos de leveza e humor com tensões dramáticas elevadas, abordando temas como desigualdade social, preservação ambiental e a importância da memória coletiva,.
A trama ganha densidade com a introdução de ameaças externas, como a profecia Zhunán, que prevê o fim do planeta natal de Garo, e a invasão dos Vune, uma raça predadora que coloca em risco a aliança entre humanos e najooren. A autora tece uma rede de mistérios que envolvem reencarnação, sacrifícios pessoais e a revelação surpreendente de que as duas espécies compartilham uma origem comum, redefinindo o lugar da humanidade no cosmos. O texto explora a dor do esquecimento e a força do amor que transcende o tempo, especialmente quando Ravi precisa lidar com lacunas em sua memória para salvar quem ama.
Em Daqui até o Sol, Jaciara Maria entrega uma história que é, ao mesmo tempo, uma aventura espacial e um romance íntimo. A obra celebra a capacidade humana de esperança e reinvenção diante do inevitável, sugerindo que a salvação não vem apenas de tecnologias avançadas, mas da empatia e da união. Com uma prosa que flui entre a ironia fina e a emoção genuína, o livro convida o leitor a olhar para o céu e para o próprio quintal com a mesma admiração, provando que histórias de amor e heroísmo podem florescer sob o sol escaldante do subúrbio carioca.
Sobre a obra
- Gênero
- Romance
- Selo
- Lentes
- Páginas
- 520
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 12/12/2025
- ISBN
- 978-65-6042-217-9
- Preço de capa
- R$ 89,90
No verão de 2038, a humanidade estabelece o primeiro contato com uma raça extraterrestre. No Rio de Janeiro, o professor de História Ravi Cicco, de repente, vê sua vida entrelaçada à do alienígena agênero Garo Sun, e, nas mãos deles, agora está o destino de suas espécies. Enquanto convivem em meio a uma relação, inicialmente, conturbada, Ravi e Garo navegam pelas semelhanças entre os humanos e os najooren mesmo sob ameaças externas iminentes. A relação que surge entre eles enfrentará os testes do passado e do futuro, em busca do que significa ser humano e de qual será o preço a se pagar para evitar a ruína de suas espécies.
Citações
“Em meio às altas temperaturas de 2038, o carioca Ravi Cicco e o alienígena Garo Sun se encontram numa viela de Bangu e seu encontro muda para sempre o destino da humanidade. Numa ficção científica certificadamente brasileira, Garo e Ravi navegam por águas desconhecidas ao trabalhar juntos, o que culmina numa relação profunda que desbrava o tempo e o espaço na genuína descoberta do que é amar e ser humano. Ravi, em passos de bebê, arrisca-se pela primeira vez a vencer o medo e a cultivar a esperança não somente em Garo, que considera-se condenado pelo destino, mas também em todo seu povo, ensinando-os que sem verdadeira justiça social não há mudança que seja permanente.”
“Carl Sagan, um cientista e escritor norte-americano, disse certa vez que só existiam duas opções: ou estávamos sozinhos no Universo, ou não estávamos, e ambas eram assustadoras. O que ele não considerava era a capacidade humana — a minha, principalmente — de descobrir novos meios de experienciar solidão. Nem mesmo a tecnologia extraterrestre mais avançada conseguiria extinguir eu mesmo de mim.”
Sobre a autoria
Jaciara Maria
@ondejaciviuJaciara Maria é uma romancista e contista de ficção científica nascida em um subúrbio de Natal, Rio Grande do Norte. Aos 30 anos, recebeu o diagnóstico tardio de autismo grau dois. Entre suas maiores influências estão J.R.R. Tolkien, Jane Austen e Conceição Evaristo, que a acompanharam durante o processo de escrita do primeiro romance publicado.
Ficha técnica
| Autoria | Jaciara Maria | @ondejaciviu |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Augusto Oliveira | |
| Revisão | Maike Ferreira Piazzoli |
Contato
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