Do Reaprendizado da Paixão, o novo livro de poemas de Lincoln de Barros, ilustrada por Carlos Wolney, convida o leitor a uma profunda introspecção sobre os sentimentos mais densos e as complexidades da vida adulta. A obra se estabelece como uma crônica poética da experiência amorosa , buscando restaurar a lucidez e a capacidade de enxergar na penumbra do próprio ser. O tema central da coletânea é a conexão entre o cotidiano e o imensurável da paixão, um processo dolorido, trabalhado e contido, que se traduz na busca incessante pelo sentido da alma e da vida.
A qualidade e a inovação do trabalho de Barros residem em sua notável economia de palavras. O autor se define pelo modo conciso, afirmando que a verdadeira qualidade em um poema é ser "enxuto". Esta contenção, no entanto, não significa ausência de sentimento, mas sim um esforço consciente para forjar o "verbo humano", em contraste com o que seria o ideal divino ou torrencial. O fazer poético é comparado ao ato de jogar palavras fora, esperando que elas caiam arranjadas em olhos e corações.
O livro se destaca pelo uso de metáforas originais, buscando imagens que capturam a natureza esquiva da paixão. A obra utiliza referências inesperadas, como a linguagem do futebol para descrever a busca por um verso direto e solto, um "passe vertical", ou a lógica matemática, ao discutir a propriedade transitiva da amizade e o desejo de aplicá-la ao amor. Essa diversidade de referências sublinha o esforço alquímico da poesia, que transforma a lucidez em gás contido no vaso da emoção, brilhando sob condições adequadas.
A narrativa lírica de Do Reaprendizado da Paixão é marcada por uma profunda autorreflexão. Lincoln de Barros assume a persona do "poeta menor" e do "quase", um cronista que se move entre a autodepreciação e a profunda sabedoria dos "quase-velhos". A poesia serve como um espelho onde o tempo é medido e confrontado, fluindo de forma invertida, mas sem retroceder. É nesta dimensão que os sentimentos amadurecem, transformando o "ridículo absoluto em relativo".
O conceito de "reaprendizado" está intrinsicamente ligado à passagem do tempo e à transformação da paixão. Se, no início, a paixão é um "Leviatã indomável" e uma nova "viagem adolescente", o amor que resiste ao cotidiano eterno se metamorfoseia em algo sólido e duradouro, comparado a "puros cristais" e "diamantes". O autor reflete que amar é um suave mandato de se revelar , e que a soma dos anos, com suas marcas e equívocos da maturidade, ensina que a felicidade pura dói e que a paixão deve ser constantemente reaprendida.
Do Reaprendizado da Paixão é, portanto, uma jornada literária essencial para quem busca compreender como os sentimentos persistem e se reconfiguram com o tempo. Ao narrar essa crônica com sinceridade e profundidade filosófica, o autor Lincoln de Barros nos oferece um mapa do coração maduro, onde as projeções de antigas paixões se autodestroem em segundos para que o aprendizado possa, ironicamente, recomeçar.
Sobre a obra
- Gênero
- Poesia
- Selo
- Mondru
- Páginas
- 112
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 03/12/2025
- ISBN
- 978-65-6042-220-9
- Preço de capa
- R$ 59,90
O amor, tentativamente refletido em poemas de diferentes épocas, compondo uma travessia de (re)descoberta do feminino e da paixão, ilustrada pela sensibilidade de um amigo artista. Ou, por outra, uma aventura de recuperar, pela poesia, alguma lucidez e capacidade de enxergar na penumbra de nós mesmos e, ao mesmo tempo, olhar o sol do meio-dia que é a entrega na paixão.
Citações
“VERBO Queria o dom de escrever muito, todos os meus sentimentos bem descritos. Meu modo é, porém, o contrário: economizo palavras. Qualidade em poema é ser enxuto! Ou poupo sentimentos? O que sai desta lida, ao fim, não é o verbo divino, torrencial, mas o humano, dolorido, trabalhado, contido. Nada humano é de graça, muito menos a poesia.”
Sobre a autoria
Lincoln de Barros
@lincolndebarrosLincoln de Barros é mineiro de Belo Horizonte, licenciado em Filosofia, muitos anos de trabalho na área pública em informática e outro tanto em projetos para organismos internacionais de desenvolvimento. Na juventude foi balconista de farmácia, motorista de táxi, aprendiz de ator, professor de Filosofia e sindicalista, entre outras experiências. Atualmente é presidente da Fundação Grupo Esquel Brasil, voltada para alternativas de desenvolvimento sustentável. Autor do romance TERRAS SUBMERSAS, lançado na FLIP em 2024 pela Mondru Editora, publicou recentemente contos e poemas em algumas antologias, sendo VIAGEM NA COREOGRAFIA DA MENTE a mais recente, também pela Mondru. Ilustrador: CARLOS WOLNEY, mineiro de Formiga, artista plástico formado pela Escola Guignard, teve entre seus mestres Maria Helena Andrés, Sara Ávila, Lotus Lobo, Yara Tupinambá e Nello Nuno. Na sua atuação marcada por seu pensamento sobre a arte e o ensino de arte, teve extensa atuação como professor na própria Escola Guignard, onde foi diretor, e também na Escola de Belas Artes da UFMG e na Fundação de Arte de Ouro Preto, onde trabalhou com Moacyr Laterza e Amílcar de Castro. A maestria de seu trabalho passou pelo desenho, a gravura e a pintura: a natureza, as árvores, as montanhas e as cidades históricas de Minas, tendo participado de diversos salões de arte e exposições individuais e coletivas. Suas obras estão em coleções particulares e de instituições oficiais.
Ficha técnica
| Autoria | Lincoln de Barros | @lincolndebarros |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Augusto Oliveira | |
| Revisão | Maike Ferreira Piazzoli |
Contato
Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/do-reaprendizado-da-paixao/