A obra chega ao público chancelada pela conquista do prestigiado Prêmio Bolsa de Publicação Hugo de Carvalho Ramos. A premiação reconhece a força de uma coletânea que desafia as convenções literárias e propõe uma imersão profunda e crua nas contradições da existência humana.
A narrativa poética de Hélverton Baiano é marcada por uma visceralidade ímpar, onde o ato de escrever é descrito como um processo físico, quase cirúrgico e brutal. Na introdução da obra, o autor confessa que faz poesia para "enterrar os cemitérios que há", descrevendo sua veia literária como algo que "cava a aorta torta e derrama sangue sem dó nem piedade". Essa intensidade corporal se reflete em versos que expõem o desgaste físico, as doenças e o envelhecimento, mostrando que o indivíduo "morre todo dia" através da própria vivência diária.
Do ponto de vista estilístico e de inovação, Encanto Perverso é um verdadeiro laboratório de metapoesia e jogos linguísticos. Baiano subverte a gramática e a métrica tradicionais, criando neologismos lúdicos como "proparoximétrica" e "paroxintética" para brincar com a própria estrutura do poema. Ele explora incessantemente o paradoxo espacial e semântico das palavras, brincando com o "verso", o "avesso", o "anverso" e a "frente" da poesia e dos sentimentos. Como o próprio poeta define, sua obra extravia as regras, assumindo uma forma que propositalmente "não tem cadência e tem cadência", resultando no que ele chama de "essência da mais indecente inocência".
Um dos pilares temáticos centrais do livro é a exploração paradoxal da relação entre vida e morte, além da complexa dualidade entre mentira e verdade. Baiano inverte percepções comuns ao cravar que "a vida é o que mais mata / mesmo a morte fingindo não saber", retratando a jornada humana como um fardo exaustivo. Em contrapartida, o autor encontra na fantasia e na "mentira" criativa o seu grande refúgio existencial. Ele chega a declarar no poema "É Mentira" que só acredita no que mente, pois a verdade absoluta apenas "engambela" quem nela crê. A poesia atua, portanto, como a ilusão e a alegoria necessárias para suportar a aridez do mundo.
Além de suas profundas reflexões filosóficas, a obra se destaca pelo tom frequentemente ácido, irônico e deliberadamente rebelde. Essa rebeldia transparece na recusa do poeta em se curvar às expectativas alheias, assumindo suas falhas pessoais, a criação de seus "próprios deuses" e a coragem de ser um "São Tomé" às avessas, que precisa ver para não ter fé. É uma escrita que confronta a hipocrisia, a sociedade de consumo e os medos humanos sem amarras morais.
Encanto Perverso é uma experiência de leitura provocadora que arranca o leitor de sua zona de conforto. Vencedor de um prêmio de extrema relevância, o livro de Hélverton Baiano consolida-se como um chamado para abraçar a sábia insensatez de viver. Ao navegar por dores expostas, humor cortante e construções poéticas originais, o autor entrega um trabalho onde a poesia consegue sublimar a vida, provando que o verdadeiro encanto da arte reside na sua capacidade de acolher o nosso lado mais perverso e humano.
Sobre a obra
- Gênero
- Poesia
- Selo
- Mondru
- Lançamento
- 23/05/2026
- ISBN
- A caminho
- Preço de capa
- R$ 59,90
- Vencedor 2015 Prêmio Hugo de Carvalho Ramos · Bolsa de Publicação – Poesia
"Encanto Perverso", contemplada com o Prêmio Bolsa de Publicação Hugo de Carvalho Ramos, é uma coletânea poética marcada por uma lírica visceral, intensa e profundamente existencial. O poeta explora constantemente a solidão e a incompletude do ser humano. A obra é um mergulho corajoso nos desatinos, medos e amores de seu eu-lírico. É um espaço onde o poeta se despe de certezas para construir, destruir e reconstruir significados, utilizando a palavra como um instrumento que ao mesmo tempo o fere e o socorre.
Citações
“POETARIA”
“Desde pequeno, quando a gente andava pelas ruas de Correntina, Valnir (como a gente o chama por aqui) – Hélverton Baiano – já manifestava que queria ser poeta quando crescesse. A gente já tinha contato com a poesia, através dos livros do Colégio do Padre, onde estudávamos. Com o passar do tempo é que percebemos o tino e a vontade dele. Foi estudar em Goiânia e essa ‘coisa’ se materializou e já no início da década de 1980 ele mostrava em livro que seguia seu propósito.”
“Em 2015, ganhou com este Encanto Perverso o prêmio Bolsa de Publicação Hugo de Carvalho Ramos, da União Brasileira de Escritores – Seção de Goiás -, o maior concurso literário do estado. Este livro mostra a versatilidade do poeta, dividido em três livros: Silêncio Controverso (com poemas mais intimistas e laivos na realidade); Jáqueapoesiaéqualquercoisaassimdefantasia (em que o tempo é a própria poesia); e Tendepá de Versos (onde mostra um pouco do seu lado escrachado, destacando a informalidade na forma). Sua poesia é forte, mas também suave e doce, podendo doer, mas, também, muitas vezes, exprimindo a alegria de viver e conviver com sentimentos e palavras.”
“John Pehca Mynôso dos Santos Correntina, julho de 2022.”
Sobre a autoria
Hélverton Baiano
@helvertonbaiaHélverton Baiano é o nome literário de Hélverton Valnir Neves da Silva. Nasceu em Correntina, Bahia, em 15 março de 1960 e vive em Goiânia, Goiás, desde 1975. É jornalista de profissão e um diletante poeta, contista, romancista e cronista. Tem mais de uma dezena de livros publicados e dezenas de premiações literárias nacionais e regionais. Recentemente, lançou um romance intitulado Expedição Abissal, um de poesia, Falo de Amor a Esses Ouvidos Moucos, e de contos, Bramuras (pela Mondru).
Ficha técnica
| Autoria | Hélverton Baiano | @helvertonbaia |
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| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Augusto Oliveira | |
| Revisão | Matheus Mitre | @mmitretayar |
Contato
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Site: mondru.com/livros/encanto-perverso/