Vinícius Galindo Farias lança Face de quem perco, pela Mondru Editora. Um tema universal abordado com singularidade e profunda sensibilidade. O livro se apresenta como uma metáfora arquitetônica da perda, onde a casa serve como um espaço íntimo para o processamento da ausência e da saudade de um amor que insiste em permanecer, mesmo após o término. Esta obra convida o leitor a uma jornada introspectiva e visceral, oferecendo uma fotografia da mortalidade e da resiliência da emoção humana diante da perda "sem atestado de óbito".
Desde o primeiro contato, a obra de Farias propõe uma inovação narrativa ao comparar a escrita a uma construção: "prepara-se o terreno, firmam-se os alicerces e, só então, erguem-se as paredes e o telhado". A poesia, por sua vez, chega com a "mudança de um eu-lírico para essa casa recém-levantada". Essa casa é, de fato, a alma do eu-lírico, escrutinada cômodo por cômodo, revelando emoções como saudade, rejeição, cansaço e desejo, e até mesmo as "sujeiras que se acumulam sob a tapeçaria" e os "copos trincados", símbolos do que está quebrado ou oculto na experiência do luto. A escrita é apresentada como um gesto de sobrevivência, um grito no escuro.
A narrativa de "Face de quem perco" é marcada pela coragem do eu-lírico em abraçar a contradição e a intensidade das emoções. Ele ama e odeia, suplica e ironiza, reza e maldiz, em uma expressão crua da complexidade do luto afetivo. A linguagem é visceral, manifestando-se na visceralidade da palavra, ilustrando um amor que, mesmo em ruínas, ocupa um lugar central e persistente. A obra desdobra um "léxico religioso em tensão com o desejo pelo pecado", criando uma espiritualidade onde a casa se torna uma "esperança de Deus e o vazio de sua ausência".
A estrutura do livro é um dos seus pontos mais inovadores e cativantes. O livro é dividido em quatro partes, cada uma nomeada em referência a um cômodo ou elemento da casa: "Tapeçaria ou o que existe", "Assoalho ou o que cresce", "Cortinas, persianas, e abajures que não ligam ou o que morre" e "Sala de estar ou o que falta". Essa divisão arquitetônica não é meramente formal; ela espelha a jornada emocional do luto, desde o que se mantém e cresce, passando pelo que se finda, até a confrontação com a ausência. Elementos como "persianas" permitem a passagem de "vultos" ou "abajures que não ligam" simbolizam o fim e a falta de esperança de um retorno, criando um cenário rico em simbologia.
Vinícius Galindo Farias, embora jovem e em início de trajetória, não busca apenas ser lido, mas "quer nos tocar", convidando o leitor a se conectar com a vulnerabilidade e a autenticidade de sua escrita. A obra é uma confissão "à flor da pele que também nos pesa carregar". No desfecho, a mensagem de que "nada é esquecido, apenas ressignificado" ressoa como um poderoso testamento de resiliência e continuidade. "Face de quem perco" é, portanto, um convite a "abrir a porta, seja para receber alguém ou para ir embora", um gesto poético de seguir em frente, mesmo quando a casa interior ainda sente o "tempo desbota e descasca nossas paredes". É uma estreia marcante que promete tocar profundamente aqueles que já viveram a delicada e complexa jornada do luto afetivo.
Sobre a obra
- Gênero
- Poesia
- Selo
- Mondru
- Páginas
- 104
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 19/08/2025
- ISBN
- 978-65-6042-237-7
- Preço de capa
- R$ 54,90
“Face de quem perco” explora uma narrativa poética singular, de um eu lírico e seu afeto ao longo de anos, fazendo dele um lar, em metáfora e em verdade. Intensidade e calmaria. Distancia-se de memórias, sensações, pessoas, e o que lhe resta é transforma-las em musas – razões para atravessar o incerto de um amor que, de tão perene, percebe-se tão ínfimo. Aqui, olhar para dores passadas é trazer significado para as dores iminentes. É encontrar um túnel de volta para si. Olhar para um vaso quebrado e dar margem à reflexão: No desencaixe de inteiros, o que é amar as faltas?
Citações
“Com o ambíguo título Face de quem perco, Vinícius Galindo Farias provoca-nos de antemão o questionamento de quem se perde – o outro, a si mesmo ou alguém que só existe em relação. Somos convidados a acompanhar em seus versos a perda e – como não poderia deixar de ser – a descoberta de uma subjetividade por meio da experiência amorosa.”
“Essa trajetória de desconstrução e reconstrução está dividida em quatro partes: tapeçaria ou o que existe; assoalho ou o que cresce; cortinas, persianas, e abajures que não ligam ou o que morre, e sala de estar ou o que falta. Juntas, essas partes compõem uma casa – imagem que alicerça o livro como um corpo, ainda que fissurado, um lugar onde é possível existir.”
“Com linguagem e ritmo contemporâneos, repletos de referências literárias diretas e indiretas, os versos de Vinícius ecoam a necessidade daqueles que se encontram em estado de paixão de entender quem se é, quem é o outro ou “quem sou eu no escuro das suas pálpebras?”. Enquanto em o que cresce, o sujeito poético almeja o apagamento de sua identidade por meio da experiência erótica (“o vício na ideia de um corpo outro/ que me fizesse esquecer o meu próprio”); em o que falta, ressalta o amor doloroso como parte importante da formação de sua subjetividade (“resto de colônia, na pia derramo/ tenho um blues que não é meu e o danço/ tenho tinta branca e/ pinto minhas paredes”).”
“Em Face de quem perco, o poeta não nos deixa esquecer de que a vida é o que há, é a trama, o que cresce, o chão que pisamos, é a luz, mas também sua ausência, em eterno movimento de contração e expansão. Vinícius lembra todos nós que é, sobretudo, a falta que constitui a existência humana.”
“Renata DeCastro Escritora, tradutora e professora”
Sobre a autoria
Vinícius Galindo Farias
@vinigalindofVinícius Galindo Farias nasceu em 2004, em Arcoverde, Pernambuco. Formado pelo Instituto Federal como técnico em Edificações, atualmente cursa Design pela Universidade Federal de Pernambuco. Desde a infância, se dedica à escrita, transitando entre o afetivo, o sombrio e o saudoso. Vive com a família em Pesqueira, no agreste pernambucano. “Face de quem perco” marca sua estreia literária.
Ficha técnica
| Autoria | Vinícius Galindo Farias | @vinigalindof |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Augusto Oliveira | |
| Revisão | Matheus Mitre | @mmitretayar |
Contato
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Site: mondru.com/livros/face-de-quem-perco/