Capa de Incontinência das Horas
Incontinência das Horas · Murilo Velludo Ferreira Press release

Romance psicológico Incontinência das Horas explora os limites do confinamento e do autoritarismo a partir da prisão arbitrária de um cidadão comum

Uma investigação psicológica sobre o controle do Estado e os limites da sanidade em um confinamento sem referências temporais.

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O romance psicológico acompanha a rotina de um administrador de telefonia que se torna prisioneiro de um Regime repressor. A obra investiga a desorientação do protagonista diante de um sistema carcerário que confisca objetos pessoais e proíbe deliberadamente o uso de relógios, transformando a perda da referência temporal em uma severa ferramenta de controle psicológico.

O enredo destaca-se por retratar o conceito de "totalitarismo do absurdo", um modelo de dominação estatal que opera por meio de regras silenciosas, punições arbitrárias para pequenas infrações e constante vigilância. A narrativa evita o maniqueísmo tradicional de militantes políticos e foca na burocracia desumanizadora da prisão. O livro ganha relevância literária ao transformar a contagem invisível dos segundos e minutos em uma tese sobre a resistência da consciência individual contra a anulação promovida pelo Estado.

O protagonista busca manter o vínculo com a realidade externa por meio de um relógio de bolso quebrado, o único vestígio físico de sua vida anterior. No interior das celas, o Regime impõe uma rígida engenharia social de contenção: a distribuição de prisioneiros mantém rigorosamente a proporção de três presos comuns para apenas um preso político em cada cela. Essa estratégia burocrática impede a articulação interna, enquanto o protagonista tenta decifrar o funcionamento das normas carcerárias e as motivações reais de sua detenção inexplicada.

O isolamento agrava-se com a transferência do detento para instalações cada vez mais fechadas, onde ocorrem interrogatórios na chamada Câmara de Silêncio. Nesses espaços, caracterizados por uma arquitetura projetada para absorver qualquer som, a opressão física divide espaço com um processo de esgotamento mental e privação sensorial. A narrativa desenvolve o conflito psicológico do prisioneiro, que oscila entre a necessidade existencial de rastrear o fluxo dos dias por meio de ranhuras ocultas na parede e a resignação física diante das regras de comportamento corporal.

Incontinência das Horas adota uma estrutura em primeira pessoa com foco na introspecção e no fluxo de consciência do narrador. O estilo literário destaca-se pela prosa densa, cadenciada e pelo uso de frases diretas que emulam a claustrofobia do ambiente prisional. O leitor encontra um texto que prioriza o debate filosófico sobre a liberdade, o isolamento e a desintegração da percepção cronológica em condições extremas de sobrevivência.

O volume detalha as marcas físicas da detenção indefinida, apoiando-se em descrições realistas sobre a privação de alimentos e a degradação sensorial dos internos. O desenvolvimento da narrativa examina a inexatidão das medidas cronológicas subjetivas criadas pelo homem diante da rigidez dos sistemas prisionais

Sobre a obra

Gênero
Romance
Selo
Mondru
Páginas
176
Formato
14 × 21 cm
Lançamento
19/08/2026
ISBN
978-65-6042-198-1
Preço de capa
R$ 69,90

Um homem é vendado e preso, sem razão aparente, em frente à sua casa enquanto retirava o lixo, deixando uma esposa grávida e um emprego na burocrácia do governo para trás. No cárcere, será confrontado com as agruras do enclausuramento e a promessa, feita por colegas, de que presos como ele não passam mais de seis meses no local. De posse de um pertence pessoal, um relógio de bolso, passa a exercer a contabilidade do tempo que lhe resta enquanto apreende as regras do convívio carcerário e do uso da violência contida na própria ideia de punir.

Citações

“É mentira o que dizem. As prisões não são iguais em todo o mundo, nem são iguais em tudo. As semelhanças se restringem à privação de liberdade. De resto, as prisões não são apócrifas. Cada uma imprime sobre seus detentos modos próprios de confirmação da sua volatilidade. Ali, por exemplo, não era mais um homem de motivos. Não podia mais me conceituar. Naquele espaço, encerrado em mim e contrariamente tão avesso a tudo que me era próprio, eu era apenas e tão somente a exclusão de todas as outras coisas. E me definia por elas, curiosamente. Um cerco. Cingia-me de infinitas negativas enquanto eu mesmo constituía um vazio, cujos limites eram preenchidos por eles, até que se esgarçassem e que se expandisse o nada. Foi a primeira vez que pensei em morrer, ainda que me faltasse a coragem para tanto. O caminho que me cingia era o rasgo. É assim, afinal, que se mata um homem antes de morrê-lo. Antes do disparo, tudo é excluir-lhe, e, assim, em uma medida ou outra, vinha sendo por todo o cárcere. Mas, como tudo na vida, é temporário. Logo morre-se, assim mesmo, sem salvação.”

Sobre a autoria

Foto de Murilo Velludo Ferreira

Murilo Velludo Ferreira

Nascido e criado em Araraquara, no interior de São Paulo, em fevereiro de 1996, Murilo Velludo Ferreira demonstrou desde cedo interesse pela arte, gosto pela filosofia e por tudo que nasce como sugestão. É formado em Direito e escreve desde os 15 anos de idade, oscilando entre prosa e poesia. Agora, aos 26 anos, publica seu primeiro livro de poemas.

Ficha técnica

AutoriaMurilo Velludo Ferreira
EditorJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Capa e projeto gráficoJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Coordenação editorialJuliana Matos@juliana3matos
Assistente editorialKhálysto Soares@khalysto.soares
RevisãoTamiris Rudolf

Contato

Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/incontinencia-das-horas/