"O Pintor da Meia-Noite": Alana G. Freitas Lança Romance que Revela Segredos e Reencanta a História Esquecida de Sergipe com Realismo Mágico.
A obra "O pintor da meia-noite", de Alana G. Freitas, emerge como um lançamento literário cativante e inovador, prometendo transportar os leitores para uma tapeçaria rica em história, mistério e realismo mágico. Escrita em memória do avô da autora, que lhe transmitiu as histórias que serviram de inspiração, o livro convida a uma reflexão profunda sobre segredos, memória e o poder das narrativas. A sua recente conclusão, em 2024, marca um momento significativo para a literatura, oferecendo uma experiência de leitura que desafia as fronteiras entre o real e o fantástico.
A qualidade narrativa de "O pintor da meia-noite" reside na sua estrutura de "história dentro de uma história", onde o protagonista, Augusto, um jovem cético, é levado por seu avô, Vô Zarco, a desvendar mistérios familiares e históricos através de um conto fantasioso. O avô, um contador de histórias peculiar, possui uma forma de narrar que imerge o ouvinte, fazendo-o sentir-se parte dos eventos descritos, como se as palavras se transformassem em ondas que o enredam nas profundezas da trama. Esta técnica proporciona uma experiência imersiva, tornando o leitor um participante ativo na jornada de Augusto para desvendar as verdades ocultas.
A grande inovação da obra reside no conceito central dos "pintores da meia-noite": artesãos com a habilidade de "prender pesadelos em uma tela por um preço razoável". Mais do que simples artistas, esses pintores podem "arrancar um pesadelo pela Palavra", ou seja, com a concessão do cliente. No entanto, a narrativa explora as consequências éticas dessa arte, especialmente quando um pesadelo é "roubado" sem permissão, resultando em punições como a perda do dom e a distorção da memória coletiva. Este elemento de realismo mágico não só serve como um motor da trama, mas também como uma metáfora potente para a forma como a história é contada, lembrada ou, convenientemente, esquecida.
Adicionalmente, o livro é profundamente enraizado na história real, embora com um toque de ficção. A autora revela em sua nota que o avô compartilhou fatos sobre o mar vermelho e a guerra que atingiu a costa de Sergipe, detalhando o torpedeamento de navios brasileiros e a chegada de cadáveres à costa. Este período sombrio, que incluiu apagões e a perseguição de famílias alemãs e italianas, classificadas como "quinta-colunas", é um aspecto da história brasileira pouco conhecido ou estudado. A obra, portanto, cumpre um papel crucial ao dar visibilidade a esses eventos esquecidos, tornando Sergipe e sua história conhecidos.
Os temas abordados são igualmente ricos, explorando o amor, a amizade, a traição e o preço das decisões. A história pessoal de Vô Zarco, que se revela ser Leije – o pintor da meia-noite da história que ele conta –, ganha um significado profundo com a descoberta de seu Alzheimer. A doença do esquecimento do avô espelha a ideia de memórias roubadas ou apagadas, elevando a narrativa a uma meditação sobre a fragilidade da memória e a importância de preservar a verdade, mesmo que dolorosa. A conexão entre as vidas dos personagens da história contada e a realidade do narrador cria uma experiência multicamadas, onde cada revelação adiciona profundidade ao entendimento do leitor.
Sobre a obra
- Gênero
- Romance
- Selo
- Lentes
- Páginas
- 160
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 24/10/2025
- ISBN
- 978-65-6042-209-4
- Preço de capa
- R$ 59,90
“O pintor da meia-noite” narra a jornada de Augusto, um jovem cético que, durante suas férias na fazenda de seu Vô Zarco, se vê envolvido em um mistério familiar e histórico. Diante do estranho comportamento do avô e de uma antiga desavença familiar, Augusto busca respostas. Para explicar seu desgosto pelo mar e outros segredos, Vô Zarco começa a lhe contar uma “história dentro de uma história” sobre os “pintores da meia-noite”, artesãos com a peculiar habilidade de “prender pesadelos em uma tela”. Esta narrativa imersiva, que se desenrola em meio a um cenário de guerra e eventos históricos pouco conhecidos na costa de Sergipe, leva Augusto a desvendar as complexas interligações entre as lendas fantásticas e as verdades esquecidas de seu próprio passado e de sua família, explorando o poder da memória e os segredos que as pessoas guardam.
Citações
“Não há agonia maior do que guardar uma história apenas para si. Como a coisa monstruosa e viva que é, ela irá devorá-lo de dentro para fora e não deixará nem mesmo migalhas em seu rastro.”
“Pintores da meia-noite: artesãos que podem prender pesadelos em uma tela por um preço razoável.”
“Você roubou a memória do tempo.”
“Quando algo é tirado pelo caminho da tinta, apenas fragmentos permanecem até as recordações sumirem por completo.”
“Por que não nos lembramos disso? E se nossas memórias fossem roubadas? Por que esquecemos as coisas? E se alguém pintasse nossas memórias?”
Sobre a autoria
Alana G. Freitas
@alanagfreitasAlana G. Freitas é professora de língua inglesa e pós-graduanda em escrita criativa que vive no menor estado do país. Ela é uma aficionada por história e escreve mistérios aconchegantes com contextos históricos curiosos e uma pitada ocasional de romance para adolescentes e adultos. Shakespeare é seu autor favorito, seguido de perto por C. S. Lewis e Arthur Conan Doyle.
Ficha técnica
| Autoria | Alana G. Freitas | @alanagfreitas |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
| Revisão | Patrini Ferreira |
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