Em "Para onde sou", o autor Teófilo Arvelos convida o leitor a uma imersão poética e memorialística sobre a identidade e a essência das nossas raízes. Transitando entre a prosa poética e a observação sensível do cotidiano, a obra apresenta-se não apenas como uma coletânea de lembranças, mas como uma reflexão profunda sobre de onde viemos e o que carregamos conosco ao longo da vida. O livro desvenda um universo onde a origem de uma pessoa não é apenas um ponto fixo no passado, mas um destino contínuo e um lugar de eterno retorno, pois, como o autor reflete, todo lugar onde estivemos e estaremos se incorpora à nossa origem.
O coração pulsante desta obra é Boa Vista, a aldeia natal do autor e o cenário que permeia quase todas as suas reflexões. Para Arvelos, Boa Vista transcende as suas fronteiras geográficas tradicionais; ela é uma extensão do seu próprio ser, alcançando-o onde quer que ele vá, seja nas suas migrações para Patos de Minas, Campinas ou Brasília. A beleza desse lugar, como o próprio autor define de forma muito particular, não reside apenas no local em si, mas na forma como ele molda a visão de quem o habita, provando que a verdadeira morada é uma condição interna.
O universo do livro é profundamente marcado pelas paisagens do cerrado e pela conexão visceral com a terra. A escrita desperta os sentidos do leitor ao evocar imagens e sensações singelas do campo, como o ato saudoso de morder uma manga e sentir o gosto irreplicável do verão escorrendo pelos pulsos, ou o ritual quase sagrado da colheita das jabuticabas, que atrai multidões urbanas de volta à simplicidade das estradas de terra. A natureza na obra é viva, imponente e dona de vontades próprias, manifestando-se tanto na exuberância da flora quanto no ciclo teimoso e implacável de um charco sob a chuva.
Além da paisagem natural, o livro constrói um retrato tocante das relações familiares e da vida rural, observadas através de um olhar quase sagrado. Arvelos traz à tona memórias afetuosas de sua avó cuidando da casa e guardando a luz dentro dos olhos, as histórias de pés infantis encardidos pela terra vermelha que nunca se lava do tempo, e a sabedoria simples da mãe que mede as coisas aos "punhados" e torna qualquer refeição especial. O autor também não foge à melancolia e à dureza do campo, relatando com imensa sensibilidade a compaixão e o peso diante da dor animal — seja no silêncio comovente antes do abate de um boi ferido, ou no luto silencioso pelo cão Berrante, que partiu para morrer nas grotas, mas continuou ocupando "um espaço de dentro" na memória da casa.
Em sua essência, "Para onde sou" é um tratado lírico sobre as constantes mudanças e sobre a recusa em abandonar quem somos. O autor enxerga a si mesmo através do seu sotaque, uma terra falante que o "dedura" ao mundo, e encontra grandiosidade na insistência humana diante da brevidade do tempo. Ao se declarar um cidadão de uma aldeia comum, ele descobre o paradoxo de ser, portanto, um profundo conhecedor de todas as aldeias que não têm nada de especial, unindo magistralmente o sentimento universal ao seu microcosmo particular.
Ler esta obra é, por fim, aceitar um convite para desacelerar e observar o mundo a partir de uma janela mais serena e contemplativa. É uma leitura que instiga cada leitor a procurar a sua própria "Boa Vista" interior, aquele lugar seguro e imutável que serve como âncora diante das incertezas e das inevitáveis partidas da vida. Com uma linguagem que oscila harmoniosamente entre a delicadeza poética e a aspereza necessária da terra, Teófilo Arvelos entrega um livro inesquecível sobre a arte de nunca partirmos de fato das nossas verdadeiras origens.
Sobre a obra
- Gênero
- Poesia
- Selo
- Mondru
- Lançamento
- 18/09/2026
- ISBN
- A caminho
- Preço de capa
- R$ 59,90
Em "Para onde sou", o autor Teófilo Arvelos tece uma sensível reflexão poética e memorialística sobre as suas raízes em Boa Vista, um lugar que ultrapassa as fronteiras geográficas para se consolidar como uma verdadeira morada interna e um estado contínuo de pertencimento. Através de textos líricos que evocam a vida rural, as paisagens do cerrado, a convivência familiar e a singeleza da natureza — como o sabor nostálgico de uma manga ou os rituais comunitários ao redor de um pé de jabuticaba —, a obra explora os laços profundos entre identidade, memória e as constantes migrações da vida. Sem se prender a uma narrativa linear, o livro convida o leitor a uma jornada intimista que demonstra como a nossa terra de origem ecoa no nosso sotaque e molda quem somos, revelando que carregamos eternamente as nossas raízes dentro de nós, não importa o quão longe o destino nos leve.
Citações
“eu primeiro dia no Paraíso foi de colher frutos, cheirar flores e brincar com a lama. Ainda tínhamos poucas palavras, e muita coisa restava por nomear. Os que ficaram no campo me perguntam por que saí de lá. Os que nunca lá estiveram geralmente presumem o porquê sem me perguntarem. Gabriel García Márquez dizia que cada escritor escreve um só livro durante toda a vida, embora esse livro apareça em muitos tomos, com diferentes títulos. Do outro lado do oceano, puxa-se ao solo uma guerra que havia se esquecido no ar, em suspensão. O medo, que até então estava firme no solo, foi levantado aos ventos, sendo espalhado como poeira fina por toda a Terra. Esse medo chegou aqui e posso respirá-lo ao abrir a janela. No momento, está em meu quarto, sobretudo debaixo da cama. Entro em casa: um caçador está à minha espera, apontando para mim. Recebo toda a flecha que ele me oferece, como se eu tivesse escolha e eu a tivesse escolhido. Quem inventou o físico de São Sebastião conhecia este golpe. Não dói na hora — dói depois.”
Sobre a autoria
Teófilo Arvelos
@teofiloarvelosTeófilo Arvelos nasceu em Patos de Minas, Minas Gerais, em 2003. Formou-se em Geografia pela Unicamp. Vive em Brasília, onde trabalha no Tribunal de Contas da União. Escreve literatura desde a infância.
Ficha técnica
| Autoria | Teófilo Arvelos | @teofiloarvelos |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
Contato
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