A autora, Nalu Moura, convida a uma jornada introspectiva que é tão íntima quanto universal, apresentando uma coleção de contos que reverberam com a crueza das experiências humanas e a fragmentação da identidade. Uma leitura intensa e reveladora, que explora os conflitos internos e as dualidades da existência com uma voz inconfundível.
A inovação narrativa da obra reside na sua habilidade em mesclar a realidade com o onírico, criando um universo onde os limites da percepção são constantemente testados. A figura central das "Anas" — Ana Luísa, Ana Lu e Nalu — ilustra essa busca por identidade, com a "Ana" sendo a faceta mais triste e introspectiva da narradora, e a "Nalu" representando a eufórica e maníaca. Essa fragmentação do eu é um fio condutor que permite à autora explorar a complexidade dos sentimentos e pensamentos, como na história "Eu Estava Pensando", onde a comunicação telepática se torna um portal para a loucura ou uma nova forma de conexão.
A narrativa de Nalu Moura é um mergulho corajoso em paisagens emocionais intensas, onde a dor, a solidão e a obsessão são dissecadas sem rodeios. Os contos abordam temas desafiadores, desde a violência latente em "Felina", que expõe a complexidade do abuso e da memória seletiva, até a brutalidade de um amor tóxico em "Amor Nunca Foi Brando", onde a paixão cega leva a atos extremos. A autora não se furta a retratar o lado sombrio das relações humanas e da própria alma, convidando o leitor a confrontar verdades desconfortáveis sobre si mesmo e sobre a sociedade.
Uma das qualidades mais marcantes de "Da Exuberante Repulsão" é sua linguagem visceral e imagética, que eleva a experiência de leitura a um nível quase tátil. Expressões como "me esculpiram a golpes de machado" e a descrição de "mil cacos brilhantes de mim" demonstram a potência das palavras, que não apenas narram, mas também esculpem e dilaceram. O uso de símbolos recorrentes, como a lua, a água, o fogo e as barreiras físicas ou mentais, enriquece a narrativa, conferindo-lhe múltiplas camadas de significado e aprofundando a compreensão dos estados de espírito dos personagens.
A obra é, em essência, um autorretrato brutalmente honesto da jornada da própria Nalu Moura. A autora confessa que "escrever me mata, e ao mesmo tempo me impedindo de desaparecer", revelando o ato da escrita como um mecanismo de sobrevivência e autoexploração. A dedicação dos contos às suas "mudanças e escolhas" que a "esculpiram a golpes de machado" sublinha o caráter autobiográfico e confessional, transformando cada história em um fragmento de sua própria "eu-vulcão". "Da Exuberante Repulsão" é, portanto, um testemunho da resiliência da alma humana diante da dor e da constante busca por um lugar no mundo, mesmo que esse lugar seja um "eu despedaçado" que, paradoxalmente, encontra força em sua própria fratura.
Sobre a obra
- Gênero
- Contos
- Selo
- Ponto de Vista
- Páginas
- 160
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 09/09/2025
- ISBN
- 978-65-85965-03-3
- Preço de capa
- R$ 59,90
Uma reunião de contos que exprime a dolorida e atraente psiquê feminina, tecidos pela autora desde sua adolescência e que põe a vista as mudanças e constâncias de si mesma. Os textos abordam amor, violência, loucura e sanidade sob uma parede onírica e deliciosa de se mergulhar. Feito água morna em banheira de rocha vulcânica, os contos se moldam ao coração e às vivências de todos os leitores.
Citações
“Neste dia, eu estava gostando muito dela. Apesar de que nunca não gostei dela. Era divertido tê-la por perto. Mas não era leve. Lara era feita de espuma por dentro, mas eram bem uns trezentos quilos de espuma. Difícil definir. Talvez Lara fosse bem mais profunda e complexa do que eu. Não sei se eu era lida com tanta dúvida e estranhamento quanto Lara. Mas espero que sim.”
“A boca retorcida pela angústia parecia cuspir maldições; o olhar convulsivo pedia a fulminação da humanidade, os pés queimando em agonia, como se prestes a se soltarem e saírem chutando. Esta imagem da morte d’Ele horrível, medonha, sem consolação, com a coroa de espinhos, era realmente hedionda de se ver. Seria aquele, o Cristo que chamava para si as criancinhas? Que acolhia mulheres perdidas? Reabilitava enfermos? Que dava a visão do céu aos cegos? Não. Mas aquela imagem condizia com Rossella. Uma desgraçada que já não confia em homens, e talvez nem em Deus. Era uma mulher morta dentro de si própria, fantoche movido por mão alheia.”
Sobre a autoria
Nalu Moura
@analufmAna Luisa Ferraz de Moura (vulgo Nalu) nasceu em 6 de março de 1996, em Goiânia. Aprendeu a ler aos 4 anos e a escrever aos 5, e nunca mais parou. Apaixonada por Edgar Allan Poe, Haruki Murakami, Marjane Satrapi e Shirley Jackson, aprecia contos aterrorizantes, com finais abertos e em fluxo de consciência. É graduada em Letras, e especialista em Literatura Realista. Atualmente é médica, e se tornará cirurgiã. Tem uma cachorra preta chamada Andy, vive pela literatura, pela moda, pelas artes e pelas pessoas que a cercam e afetam. Este é seu primeiro livro publicado.
Ficha técnica
| Autoria | Nalu Moura | @analufm |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Augusto Oliveira | |
| Revisão | Matheus Mitre | @mmitretayar |
Contato
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