O romance Derrisão apresenta uma narrativa de ficção científica satírica que se passa na cidade do Rio de Janeiro após um evento climático sem precedentes. A obra acompanha a rotina de Tito, um roteirista de comédia que vê sua vida profissional e pessoal desmoronar quando uma onda gigante de oitenta metros de altura congela repentinamente na praia de Copacabana. O fenômeno mobiliza cientistas e forças militares globais, que descobrem uma sensibilidade incomum na estrutura desse gelo anômalo ao riso humano. A partir dessa premissa, o livro narra as consequências de uma severa restrição governamental que proíbe gargalhadas para evitar o colapso físico do monumento de gelo.
A relevância da obra reside na abordagem distópica e alegórica sobre o papel do humor na sociedade moderna. Ao transformar o ato espontâneo de rir em um risco iminente de segurança nacional, a narrativa propõe uma reflexão ácida sobre o controle estatal, a censura e a burocratização do afeto. O diferencial do texto é a fusão de elementos da comédia de stand-up com o cenário de um apocalipse frio, invertendo a clássica imagem tropical do Rio de Janeiro. O livro chama a atenção pela tese de que o deboche funciona como uma válvula de escape psicológica indispensável contra o desespero coletivo, contrapondo a eficácia das diretrizes governamentais de bem-estar à necessidade humana da descontração.
A estrutura do enredo se desenvolve a partir do cotidiano burocrático e melancólico imposto pelas Medidas Restritivas Emergenciais em Copacabana. O Centro de Contenção e Reabilitação Vibracional (CCRV) assume o controle da região, instituindo patrulhas de fiscalização acústica e um sistema digital que modera a criação de piadas. O protagonista Tito e seus colegas comediantes são integrados a um programa governamental encarregado de produzir piadas estéreis de baixo impacto emocional, projetadas estritamente para manter a estabilidade física da onda. Esse ambiente controlado gera uma profunda crise de identidade entre os profissionais da comédia, que se dividem entre a colaboração institucional e o silêncio.
Derrisão entrega uma escrita ágil e marcadamente cínica, conduzida em primeira pessoa pelo olhar de um narrador autoirônico. O leitor encontra uma prosa fragmentada em episódios curtos, intercalada por artes visuais, diagramas e roteiros de esquetes que mimetizam a deterioração do cotidiano carioca. O tom seco e por vezes desencantado desconstrói a imagem festiva dos bairros litorâneos.
Este trabalho especulativo apresenta um perfil denso de investigação social sobre o isolamento e o pânico coletivo. A narrativa evita apelos dramáticos fáceis, amparando-se na precisão técnica dos termos científicos e no absurdo das diretrizes estatais de controle de comportamento. O livro se consolida como uma sátira social de forte teor crítico sobre a institucionalização do comportamento civil.
Sobre a obra
- Gênero
- Romance
- Selo
- Mondru
- Páginas
- 232
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 19/07/2026
- ISBN
- 978-65-6042-201-8
- Preço de capa
- R$ 69,90
derrisão
subst. fem.
Riso de desprezo; escárnio; zombaria. Deboche
Do latim derisio.
Uma onda gigantesca surge congelada diante de Copacabana. Em pouco tempo, fenômenos semelhantes aparecem em diferentes partes do mundo, desafiando cientistas, governos e tudo o que parecia conhecido sobre a realidade.
O Rio de Janeiro torna-se uma cidade estranha. O inverno se instala na orla, o humor passa a ser monitorado e a população aprende a conviver com regras que antes pareceriam absurdas.
Tito Bastos também aprende. Roteirista e comediante, ele trabalha ajudando a manter a estabilidade emocional da população. Sua função é simples: produzir o tipo certo de humor. O tipo autorizado.
Mas quando entra em contato com pessoas que questionam a narrativa oficial, Tito descobre que algumas perguntas podem ser mais perigosas do que qualquer resposta.
Misturando ficção científica, sátira e absurdo, Derrisão é uma história sobre medo, controle e liberdade. E sobre aquilo que acontece quando uma sociedade decide abrir mão da alegria em troca da promessa de segurança.
Citações
“Aliás, é impressionante como o carioca fica escroto no frio. Ficamos tão graciosos nos nossos casacos como leões marinhos sobre patins. Nem os muito ricos conseguem ficar elegantes, parece que os casacos da Prada não foram elaborados para o hemisfério sul. Deve ser algo do polo magnético.”
“Aprendi nesse dia que o desespero e a gargalhada são irmãos.”
Sobre a autoria
Celso Tádhei
@celsotaddeiCELSO TÁDHEI Roteirista, professor, escritor, é um dos fundadores da Escola de Roteiro e Núcleo Criativo Levante 42, onde ministra oficinas de escrita e criatividade. Trabalhou por mais de 20 anos na Rede Globo, com destaque para o humorístico Zorra, do qual foi Roteirista Chefe, programa premiado no Brasil e indicado ao Emmy Internacional. Segue escrevendo para teatro, cinema, televisão e digital. Em 2025 o seu primeiro romance, A Casa da Ópera de Manoel Luiz, foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura.
Ficha técnica
| Autoria | Celso Tádhei | @celsotaddei |
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| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
| Revisão | Ademar de Queiroz | @ade |
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