Capa de Ela mesma como fantasma de si
Ela mesma como fantasma de si · Gabriela Queiroz Press release

O corpo, a memória e os fantasmas de uma mulher

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Mondru Editora tem o prazer de apresentar Ela mesma como fantasma de si, novo romance de Gabriela Queiroz — uma narrativa delicada e poderosa sobre ausência, memória e a busca por pertencimento.

Neste livro, acompanhamos Elara em sua chegada à antiga casa de campo da família, onde o silêncio das paredes, o musgo das pedras e o rastro de um caracol ganham espessura emocional e simbólica. O que parece ser apenas um retorno físico a um espaço da infância se revela, aos poucos, como um mergulho profundo em memórias marcadas pela ausência da mãe, pela figura paterna silenciosa e pelo luto não elaborado de uma amizade interrompida. A casa torna-se então um organismo vivo, um território íntimo onde tempo, corpo e lembrança se entrelaçam.

Narrado em uma prosa que combina lirismo sensorial com a crueza das dores psíquicas, o romance convida o leitor a uma jornada interna que oscila entre o real e o fantástico. A cada página, Elara se confronta com fragmentos de sua história: objetos esquecidos, paisagens familiares, ruídos ambíguos e a presença constante de Marina — amiga de infância cuja ausência se manifesta como sombra e pulsação. A protagonista se move por esse espaço em espiral, como se percorresse um labirinto onde o passado insiste em se apresentar de novas formas.

Ao criar um ambiente que dialoga com o gótico contemporâneo e com a tradição da literatura introspectiva, Gabriela Queiroz transforma elementos da natureza em metáforas vivas: o lago, a pedra, o caracol. Essas figuras, longe de serem apenas cenográficas, assumem a função de guias silenciosos de uma experiência emocional em estado bruto. O caracol, em especial, torna-se um símbolo da própria narrativa: lenta, espiralada, pegajosa, mas inevitável. Uma caminhada que não leva apenas para frente ou para trás, mas para dentro.

Com ecos de Virginia Woolf, Lygia Fagundes Telles e da escrita de si em chave poética, Ela mesma como fantasma de si explora as nuances da dor feminina — aquela que muitas vezes se camufla no cotidiano, que não tem linguagem precisa, mas insiste em se manifestar no corpo, na memória, nos gestos repetidos. A ausência da mãe não é apenas uma falta; é uma presença difusa, líquida, que assombra e, ao mesmo tempo, forma a espinha dorsal da protagonista. O luto, nesse livro, não é só a perda de alguém, mas o lento reconhecimento de uma ferida que nunca cicatrizou.

Gabriela Queiroz, também autora de Na Consciência da Natureza que Me Compõe, reafirma aqui sua potência como escritora de imagens e atmosferas. Sua prosa não entrega respostas prontas, mas se abre em camadas, provocando o leitor a decifrar os signos de um mundo subjetivo e sensível. Ela mesma como fantasma de si não conta uma história linear — antes, nos oferece uma experiência estética e emocional onde cada capítulo é uma estação do sentir, um passo no labirinto das emoções que moldam nossa identidade.

Trata-se, portanto, de um romance que atravessa fronteiras: entre o poético e o narrativo, o real e o onírico, o visível e o intangível. Um livro para quem já se sentiu estrangeiro dentro da própria história. Para quem procura entender como as ausências nos habitam — e como, ao encará-las de frente, é possível, talvez, nascer de novo.

Sobre a obra

Gênero
Romance
Selo
Mondru
Páginas
168
Formato
14 × 21 cm
Lançamento
05/06/2025
ISBN
978-65-6042-183-7
Preço de capa
R$ 69,90

Ao retornar à antiga casa de campo de sua infância, Elara mergulha em um território onde o tempo parece suspenso e as memórias se manifestam em formas sutis, sensoriais e por vezes fantasmagóricas. Em meio à solidão da casa, à presença simbólica da natureza e à aparição recorrente de um caracol, ela revisita as marcas do abandono materno, do luto por uma amiga e das lacunas deixadas pelo silêncio familiar. Cada objeto, cada ruído, cada sombra é um convite à escuta profunda de si mesma. Com uma escrita lírica e atmosférica, Gabriela Queiroz constrói uma narrativa que entrelaça corpo, memória e paisagem, propondo uma jornada espiralada em que o passado não é apenas lembrança, mas presença viva e transformadora. Ela mesma como fantasma de si é um romance sobre feridas invisíveis, vínculos interrompidos e a possibilidade de reencontro com o que resta — e com quem se é — após a perda.

Citações

“Quando o tecido frágil da pele é rasgado por um corte, a ardência latejante não acontece de imediato, há aqueles segundos minúsculos antes de a dor percorrer o corpo, em que a fusão de sensações penetra nas veias e na respiração. É só depois da consciência do ato e do vislumbre vermelho de um sangue fresco, que a dor começa a ser sentida. Depois que as células se regeneram, a lesão é fechada. E, então, é selada a ruptura dos segundos intermediários. Enquanto voltava para a casa, Elara reparava na cicatriz vertical que ganhou na panturrilha após um acidente de bicicleta. Nos dedos da mão esquerda, uma tentativa de cortar o filé de frango em cubos pequenos, “pra uma chef, é tão desastrada”, a voz de seu pai escorria enquanto enfaixava o corte profundo que jorrava vermelho. Era real a percepção de si quando se deparava com as histórias de seu corpo.”

“Naquele começo de tarde, tudo era dúbio e flutuante, o corpo da mãe não parecia real, ainda que se apresentasse para Elara em perfeito estado de realidade. O cheiro do chá, as leves ondas de calor que entravam pela janela, o silêncio do campo, as cores das paredes, eram reais, sabia, mas o efeito absurdo flutuava como possibilidades extravagantes. Para ela, o único traço que lhe soava real na imagem da mãe eram seus olhos cor de castanha, úmidos e com um leve tom de loucura e prostração. Havia dois corpos frente a frente: um em uma espiral interminável, confundido na metamorfose do caracol, respingando incertezas e interrogações agigantadas, naquela fração que comprimia o irresoluto de tantos anos; o outro, geométrico, em uma forma misteriosa e insolúvel, pairando em certeza, no superlativo da presença mais concreta que se poderia ter. Apesar de qualquer conjuntura, os dois corpos se enfrentavam sem lástima. O corpo geométrico pedia com os olhos por clemência, enquanto o corpo espiral lhe atendia, pela respiração calma, com misericórdia.”

“Pensava conhecer Marina tão bem, melhor do que a si mesma, e a culpa de não ter captado os sinais, que pareciam não existir, corroía seus átomos dia após dia. Por nove meses escutava o som das sirenes, e era violentamente invadida pela imagem de Marina se atirando do parapeito do nono andar. Agora, no lago, de joelhos sobre a manta quadriculada, o som e a imagem desapareciam, dando lugar à brecha que Elara tanto procurou, uma imagem que fugia das duas dicotomias de Marina, uma nova perspectiva surgia entre as pedras, a água e a grama, e ela sentia florescendo nas veias um respiro complacente e fértil.”

“Fazia pouco tempo que Elara havia chegado à casa de campo, com pouca bagagem e uma sensação iminente de clareza. De formato retangular, e pequenas janelas embaçadas com a poeira – que denunciava a falta de uma visita havia muito tempo –, a antiga casa de seu pai ilustrava boa parte de sua infância, e a imagem que, no primeiro momento de retorno, se fazia nebulosa e com traços abstratos, aos poucos foi se revelando concreta e real. As folhagens que revestiam os tijolos eram de um corpo supremo, e lhe passavam a sensação etérea de uma beleza que há tempos ela não notava no cotidiano da cidade. O verde do campo não era banal, e chegava a ser quase utópico, na paisagem que se erguia diante de si, e ela se perguntava como aquele lugar ficou desocupado por tanto tempo. O pai de Elara não pisava naquela propriedade desde que ela tinha 14 anos, mas nunca alugou ou emprestou a casa para ninguém. Era como se as paredes sussurrassem alguma coisa que parecia ter ficado para trás quando as portas foram trancadas pela última vez, mas que queria, desesperada e furiosamente, se revelar.”

Sobre a autoria

Foto de Gabriela Queiroz

Gabriela Queiroz

@gabiequeiroz

Gabriela Queiroz é escritora, acadêmica de Letras e Editora-Assistente na Mondru Editora, atuando na área editorial e na realização de leitura crítica dos originais. Autora do livro “Na Consciência da Natureza que Me Compõe” e de dois contos da coletânea “Realidades Estilhaçadas”, ambos publicados em 2023 pela Mondru Editora. Seu trabalho na escrita transita entre a prosa e a poesia.

Ficha técnica

AutoriaGabriela Queiroz@gabiequeiroz
EditorJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Capa e projeto gráficoJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Coordenação editorialJuliana Matos@juliana3matos
Assistente editorialKhálysto Soares@khalysto.soares
RevisãoMatheus Mitre@mmitretayar

Contato

Imprensa: imprensa@mondru.com
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