Capa de Nem toda luz é manhã
Nem toda luz é manhã · Gilberto Kieling Press release

O escritor Gilberto Kieling apresenta ao público sua obra "Nem toda luz é manhã", uma coletânea de contos que mergulham nas complexidades da alma humana sob a perspectiva da vida na fronteira

Sombra, memória e as águas do Uruguai

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Uma narrativa que transita entre o realismo rústico e o onírico, explorando as tensões, os silêncios e os segredos que definem personagens frequentemente esquecidos ou marginalizados pela rotina.

Situada majoritariamente nas margens do Rio Uruguai, a obra utiliza a geografia como uma metáfora poderosa para os limites entre a vida e a morte, o Brasil e a Argentina. Em contos como "A criação", Kieling descreve a obsessão de Bartolomeu em construir um barco perfeito, uma jornada que revela não apenas sua dedicação técnica, mas o impacto devastador da desaprovação e do isolamento social em uma pequena comunidade.

A inovação narrativa de Kieling reside na sua capacidade de tratar temas densos, como o luto e a perda, através de "pactos mudos" e cumplicidades silenciosas entre os personagens. No conto "Filho", por exemplo, a inovação manifesta-se na construção de uma rotina de espera impossível, onde um casal decide ignorar a morte confirmada do filho para suportar o martírio cotidiano, revelando uma profunda exploração psicológica da negação.

A obra também se destaca pela crueza com que aborda a violência e a vingança. Em "Esta noite", a narrativa ganha tons de tragédia clássica quando um pai decide vingar o assassinato do filho na calada da noite, culminando em uma cena onde o delegado local manipula a realidade para criar uma versão oficial aceitável. Essa habilidade de Kieling em entrelaçar o destino individual com a moralidade local confere à obra uma qualidade de crônica existencial. Outro ponto forte é a valorização de figuras típicas da região fronteiriça, como balseiros, nadadores e parteiras, cujas profissões são o pano de fundo para reflexões sobre o envelhecimento e a finitude. Em "Adeus, balseiro", o autor narra com sensibilidade a despedida de Zucão, um "domador do rio" que, ao enfrentar o câncer, vê sua vida e seu ofício serem tragados pelas águas que tanto respeitou.

O título da obra, extraído do conto final, sintetiza a desilusão e a melancolia que perpassam as histórias. Na cena que dá nome ao livro, um pai no leito de morte vê clarões e acredita ser o dia raiando, apenas para ouvir do filho que ainda é noite e que "nem toda luz é manhã". Essa imagem final reforça a qualidade da prosa de Kieling em não oferecer soluções fáceis, mas sim uma observação atenta das sombras e luzes falsas que compõem a existência humana.

Com este lançamento, Gilberto Kieling consolida-se como um autor capaz de elevar o cenário regional a um patamar universal, onde o Rio Uruguai deixa de ser apenas uma divisa geográfica para se tornar o palco de dramas humanos. "Nem toda luz é manhã" é uma obra que convida o leitor a reconhecer a beleza trágica na persistência e na memória de vidas que, apesar de simples, carregam a profundidade de um oceano.

Sobre a obra

Gênero
Contos
Selo
Mondru
Lançamento
19/05/2026
ISBN
A caminho
Preço de capa
R$ 64,90

"Nem toda luz é manhã" é uma obra de contos que exploram a condição humana em cenários rurais ambientados em região fronteiriça Brasil-Argentina. Pescadores, contrabandistas, agricultores, esses são alguns dos personagens que pintam um quadro melancólico de figuras que tentam reconstruir suas identidades diante de tragédias cotidianas e da indiferença alheia. Através de uma linguagem introspectiva, o autor aborda temas como a solidão, os lutos não ditos e as tensões sociais. A presença constante do rio Uruguai atua como um elo simbólico entre a vida e a morte, o passado e o presente.

Citações

“De súbito, como se já não suportasse a tensão, jogou toda a força do corpo contra a caixa de madeira, a qual boiou ainda por alguns segundos para depois submergir sob o reflexo da lua. A água engoliu o volumoso caixão e logo voltou a correr. Fernando segurou no ar o gesto de adeus”

“— Vejo luzes, meu filho, vejo clarões. [...] — Ainda é noite, pai, tudo está escuro lá fora. Ele sacudiu o braço brevemente. — Mas nem toda luz é manhã, meu guri…”

Sobre a autoria

Foto de Gilberto Kieling

Gilberto Kieling

Gilberto Kieling é advogado, professor e escritor, com diversas obras publicadas e inúmeros trabalhos na área da literatura ficcional e de ensaios. Já atuou como professor de literatura brasileira e latino-americana.

Ficha técnica

AutoriaGilberto Kieling
EditorJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Capa e projeto gráficoJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Coordenação editorialJuliana Matos@juliana3matos
Assistente editorialAugusto Oliveira
RevisãoLetícia M. Zambom

Contato

Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/nem-toda-luz-e-manha/