Capa de Ninguém morre na véspera
Ninguém morre na véspera · Igor do Prado Press release

Um mergulho no caos da memória: Ninguém Morre Na Véspera recria os últimos instantes de uma vida suburbana

Um mergulho visceral e ficcional nos pensamentos mais crus de uma mãe diante do adeus

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A obra Ninguém Morre Na Véspera chega aos leitores como uma ousada proposta literária que transita entre a ficção e o ensaio biográfico, nascendo da necessidade de um filho compreender e ficcionar os pensamentos finais de sua mãe. O livro parte de uma premissa visceral: imaginar o fluxo de consciência de uma mulher em seu leito de morte, enquanto observa o movimento hospitalar através de uma fresta na porta e intercala a realidade fria da internação com um turbilhão de memórias de uma vida inteira de lutas e afetos.

A grande inovação da narrativa reside em sua estrutura propositalmente caótica, que mimetiza a mente humana diante do fim, rejeitando a linearidade em favor da espontaneidade. O autor constrói uma "prosa íntima", onde o passado e o presente se fundem sem avisos prévios: o cheiro das roupas no varal e o sotaque do interior se misturam ao som da televisão do quarto de hospital e às dores físicas de um corpo que já não obedece. Essa escolha estilística coloca o leitor diretamente dentro da cabeça da protagonista, Valquíria, oferecendo uma experiência imersiva e, por vezes, vertiginosa.

Valquíria, ou Val, é apresentada como um "clichê suburbano" repleto de complexidade: uma mulher experiente, marcada pela tragédia da desigualdade, mas também por episódios de vitória e uma força inabalável. Através de seu monólogo interior, a obra explora a rudeza e a ternura de uma mãe que criou o filho, Jean, sozinha, enfrentando o preconceito, a pobreza e os dilemas familiares com uma postura de "medo e confiança". A narrativa não idealiza a maternidade; pelo contrário, expõe as cicatrizes, as surras corretivas do passado e o orgulho de ver o filho formado, criando um retrato humano e multifacetado.

A linguagem é outro ponto alto da obra, destacando-se pela autenticidade e pela preservação da oralidade. O texto respeita o regionalismo, a fala coloquial e os "plurais" não oficiais, burlando a formalização para capturar a verdade de uma conversa particular da personagem consigo mesma. O leitor "respira" essa mulher fundamentada em seus alicerces inseguros, ouvindo sua voz crua comentar desde as novelas e a política até os traumas familiares não resolvidos e as pequenas alegrias, como um sorvete de flocos.

Mais do que um livro sobre a morte, Ninguém Morre Na Véspera é definido como uma "pulsão de vida até a última respiração". A obra serve como uma tentativa de reconexão entre mãe e filho, mesmo após o rompimento do cordão umbilical, explorando o valor que só é compreendido plenamente na ausência. É uma leitura que convida o público a refletir sobre a memória como forma de organizar os significados da vida, entregando uma história onde a simplicidade, a força e a delicadeza constroem um legado emocionante.

Sobre a obra

Gênero
Romance
Selo
Mondru
Páginas
96
Formato
14 × 21 cm
Lançamento
23/05/2026
ISBN
978-65-6042-250-6
Preço de capa
R$ 59,90

Em Ninguém Morre Na Véspera, a narrativa mergulha no fluxo de consciência caótico e visceral de Valquíria, uma mulher suburbana que, em seu leito de morte, intercala a observação da fria rotina hospitalar com um mosaico de memórias de uma vida inteira de lutas e superação. Através de uma prosa íntima imaginada pelo próprio filho, Jean, que busca preencher o silêncio dos últimos instantes da mãe, a obra reconstrói a trajetória de uma enfermeira calejada que enfrentou a pobreza, o abandono e o desafio de criar três filhos sozinha — lidando com o vício de um, o distanciamento de outra e a dedicação do caçula que a acompanha no hospital. Sem seguir uma ordem cronológica linear, o texto transita entre a infância difícil no interior e o presente doloroso, revelando segredos familiares e traumas antigos, compondo um retrato emocionante sobre a resiliência feminina e a força da memória como a derradeira pulsão de vida antes do fim.

Citações

“A narrativa é caótica. Não imagino que, antes de morrer, ela fosse seguir um padrão de pensamento, enquanto vê da maca o movimento hospitalar de uma ala silenciosa, por uma pequena fresta enquadrada na porta do quarto, alternando entre o reflexo da janela de um andar alto, com vista para prédios comerciais, de onde aguarda, deitada, o final do filme. [...] Tomei a liberdade de presumir o que se passava na cabeça de quem vivia seus últimos minutos. Usei nomes igualmente fictícios; mantive o regionalismo da fala, a qual fiz questão de respeitar. Mantive os plurais, mas burlei a formalização, para não fugir da espontaneidade de uma conversa em particular consigo mesma.”

“Gente é obra sempre inacabada. Filho, então, só descobre o valor de uma mãe quando essa vai embora. Deve ser por isso que sente falta de algo que geralmente não sabe explicar. Mães e filhos demoram uma vida inteira para aprenderem o que são e, no final de tudo, o começo que sobra é um grande mistério. Uma tentativa imensa de se reconectar, mesmo depois que o cordão umbilical é partido. [...] A gente quer estender os dias e, talvez, nossas lembranças sejam a forma mais criativa de organizar os significados que dão sentido à vida.”

“Eu não sei se fui feliz. Felicidade é rir? Eu ri muito quando era menina, apesar dos pesares. Eu perdi essa coisa de sentir uma alegria no peito. Construir a minha casa me deixou feliz. Ver um dos meus filhos formados me deixou feliz. Mas eu tive mais decepção e o que a gente mais quer é que nossos parentes não passem pelo que a gente passou. Acho que lutar me deixa feliz, me deixa viva, só não sei até quando. Eu tenho medo, mas acho que, quando eu chegar lá, vou ser bem recebida.”

Sobre a autoria

Foto de Igor do Prado

Igor do Prado

@igor.doprado

Igor do Prado é pai, paulistano, jornalista, radialista, suburbano e escritor. Dedica sua escrita à memória, à oralidade e à ternura que o faz persistir. É crítico da vida crônica. Escreve para ouvir o que não foi dito. Devoto de uma comunhão que o oferece sentidos: as entidades da literatura, os loucos do cinema, os orixás da música. Ninguém morre na véspera é seu romance de estreia.

Ficha técnica

AutoriaIgor do Prado@igor.doprado
EditorJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Capa e projeto gráficoJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Coordenação editorialJuliana Matos@juliana3matos
Assistente editorialKhálysto Soares@khalysto.soares
RevisãoMatheus Mitre@mmitretayar

Contato

Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/ninguem-morre-na-vespera/