Romance Campanha aprovada · a caminho Ninguém morre na véspera
A gente luta a vida inteira pra poder colocar uma dentadura, arrumar os dentes, pra comer melhor, pra não ficar com a boca murcha e ser aceita no meio de gente.
Onde o livro está.
A campanha terminou. Agora o livro atravessa quatro etapas até chegar à sua casa; a etapa atual está marcada.
Campanha encerrada e aprovada: o livro vai para a produção.
Diagramação final, prova virtual e fechamento dos arquivos para a gráfica.
SetembroImpressão e acabamento na gráfica parceira. A fila da gráfica define o tempo.
Os exemplares chegam à editora e saem para quem comprou.
Sobre o livro
Em Ninguém Morre Na Véspera, a narrativa mergulha no fluxo de consciência caótico e visceral de Valquíria, uma mulher suburbana que, em seu leito de morte, intercala a observação da fria rotina hospitalar com um mosaico de memórias de uma vida inteira de lutas e superação. Através de uma prosa íntima imaginada pelo próprio filho, Jean, que busca preencher o silêncio dos últimos instantes da mãe, a obra reconstrói a trajetória de uma enfermeira calejada que enfrentou a pobreza, o abandono e o desafio de criar três filhos sozinha — lidando com o vício de um, o distanciamento de outra e a dedicação do caçula que a acompanha no hospital. Sem seguir uma ordem cronológica linear, o texto transita entre a infância difícil no interior e o presente doloroso, revelando segredos familiares e traumas antigos, compondo um retrato emocionante sobre a resiliência feminina e a força da memória como a derradeira pulsão de vida antes do fim.
linguagem forte; uso de drogas
Por que publicamos
Ninguém morre na véspera aposta numa forma rara: um monólogo interior que abandona a linha reta e deixa passado e presente se misturarem, como a memória de fato opera. A oralidade preservada, com regionalismo e fala coloquial, dá a Dona Val uma voz inconfundível, áspera e terna ao mesmo tempo.
É um romance de estreia que encara a maternidade sem idealização, com humor, contradição e afeto, e faz de uma história íntima, nascida de uma pergunta de filho, o retrato de uma vida suburbana. Publicamos porque a literatura contemporânea precisa de vozes assim: específicas, vivas e feitas de escuta.
“A narrativa é caótica. Não imagino que, antes de morrer, ela fosse seguir um padrão de pensamento, enquanto vê da maca o movimento hospitalar de uma ala silenciosa, por uma pequena fresta enquadrada na porta do quarto, alternando entre o reflexo da janela de um andar alto, com vista para prédios comerciais, de onde aguarda, deitada, o final do filme. [...] Tomei a liberdade de presumir o que se passava na cabeça de quem vivia seus últimos minutos. Usei nomes igualmente fictícios; mantive o regionalismo da fala, a qual fiz questão de respeitar. Mantive os plurais, mas burlei a formalização, para não fugir da espontaneidade de uma conversa em particular consigo mesma.”
“Gente é obra sempre inacabada. Filho, então, só descobre o valor de uma mãe quando essa vai embora. Deve ser por isso que sente falta de algo que geralmente não sabe explicar. Mães e filhos demoram uma vida inteira para aprenderem o que são e, no final de tudo, o começo que sobra é um grande mistério. Uma tentativa imensa de se reconectar, mesmo depois que o cordão umbilical é partido. [...] A gente quer estender os dias e, talvez, nossas lembranças sejam a forma mais criativa de organizar os significados que dão sentido à vida.”
“Eu não sei se fui feliz. Felicidade é rir? Eu ri muito quando era menina, apesar dos pesares. Eu perdi essa coisa de sentir uma alegria no peito. Construir a minha casa me deixou feliz. Ver um dos meus filhos formados me deixou feliz. Mas eu tive mais decepção e o que a gente mais quer é que nossos parentes não passem pelo que a gente passou. Acho que lutar me deixa feliz, me deixa viva, só não sei até quando. Eu tenho medo, mas acho que, quando eu chegar lá, vou ser bem recebida.”

Igor do Prado
Igor do Prado é pai, paulistano, jornalista, radialista, suburbano e escritor. Dedica sua escrita à memória, à oralidade e à ternura que o faz persistir. É crítico da vida crônica. Escreve para ouvir o que não foi dito. Devoto de uma comunhão que o oferece sentidos: as entidades da literatura, os loucos do cinema, os orixás da música. Ninguém morre na véspera é seu romance de estreia.
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Mondru · Novel · 96 pages
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