Com uma prosa que evoca tanto a aridez da paisagem quanto a profundidade da alma humana, o escritor Arthur Petrola apresenta sua nova obra, O Interior das Terras, publicada pela Mondru Editora. O livro mergulha na região dos Inhamuns para tecer uma coletânea de contos que transcendem o regionalismo clássico, explorando as fronteiras entre o real, o mágico e o brutal. A publicação chega ao mercado para oferecer aos leitores um inventário de vidas marcadas pela violência, pela fé e por uma resistência que brota entre as pedras do sertão.
A narrativa de Petrola se destaca pela construção de um cenário que funciona quase como um personagem autônomo. O autor descreve um sertão onde o chão esturricado e a poeira onipresente convivem com a ideia de uma terra amaldiçoada, por vezes esquecida pelo divino. No entanto, é nesse ambiente hostil que a obra encontra sua maior inovação: a capacidade de humanizar o sofrimento e transformar a sobrevivência em algo sagrado. As histórias transitam por tempos distintos, mostrando como o passado e a memória impregnam as paredes das casas e o sangue das gerações.
O ponto alto da obra reside na galeria de personagens complexos, com um destaque especial para a força feminina que permeia os contos. O leitor é apresentado a figuras inesquecíveis como Marciana, uma mulher escravizada cuja morte brutal a transforma na Santa dos Inhamuns, e Moema, que carrega uma raiva hereditária descrita como dente de cachorro enquanto dá à luz desafiando a autoridade local. Há também espaço para a astúcia de Josefa, que manipula a própria fé ao reconfigurar uma imagem sacra, e para a liberdade de Vitalina do Amor Divino, que ama sem as amarras das convenções sociais.
Em termos estilísticos, O Interior das Terras flerta com o realismo fantástico sem perder o pé na realidade crua das relações sociais do interior. Petrola insere em seus contos elementos oníricos e místicos, como onças que dialogam com humanos à beira do rio e flores de jitirana que simbolizam a conexão espiritual entre mães e filhas. A loucura também é tratada sob uma nova ótica, personificada na figura de Chica Doida, que encontra na perda da razão uma forma de sabedoria e libertação das dores do mundo.
Mais do que um retrato geográfico, o livro propõe reflexões filosóficas universais através da simplicidade aparente de seus habitantes. Questões sobre o peso do tempo, a inevitabilidade da morte e o valor da memória são levantadas tanto por crianças curiosas quanto por adultos calejados pela vida. Com este lançamento, Arthur Petrola convida o público a percorrer um caminho onde a violência e a ternura se entrelaçam, revelando que o verdadeiro interior das terras é, na verdade, o interior de nós mesmos.
Sobre a obra
- Gênero
- Contos
- Selo
- Mondru
- Páginas
- 152
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 03/12/2025
- ISBN
- 978-65-6042-229-2
- Preço de capa
- R$ 64,90
Com uma prosa que mergulha no realismo maravilhoso, O Interior das Terras mescla a aspereza da vida a eventos míticos que se manifestam de forma natural. Onças que falam, santas improváveis, flores que guardam segredos e homens assombrados pelo desejo e pela miséria. Mais do que cenário, o sertão aqui é personagem e destino: aquilo que insiste em permanecer, mesmo quando tudo parece se desfazer. Os contos conduzem o leitor a um universo místico e humano, onde o real e o imaginário já são a mesma coisa. É um percurso pelo coração das terras, um lugar onde a poeira, a fé e o sangue consagram destinos. A obra é um mosaico que revela vidas atravessadas por forças ancestrais e brutalidades cotidianas. Uma leitura intensa, capaz de prender desde a primeira página, que dialoga com a oralidade e o imaginário de Mia Couto, a realidade maravilhosa de Gabriel García Márquez e a brutalidade poética do Nordeste contemporâneo de Marcelino Freire.
Citações
“No sertão, a morte não é o fim e a loucura pode ser a única lucidez.”
“Das margens de O Rio das Onças, onde um felino revela segredos ancestrais, à fé que transforma uma Escravizada em santa, estes contos mergulham no coração do Brasil profundo. Descubra a maldição de A Botija, um tesouro que assombra seu descobridor com a alma de um padre morto, e testemunhe a indiferença da vida diante da morte em O Velório.”
“São histórias de mulheres fortes, homens quebrados e fantasmas que se recusam a partir. Um sertão onde a realidade nunca anda sozinha: entre a poeira e a fé, entre o sangue e o silêncio, o imaginário não se mistura ao real, porque já são a mesma coisa.”
“O Interior das Terras reúne narrativas que atravessam o realismo maravilhoso, construindo uma literatura ao mesmo tempo mística e humana. Uma obra que pulsa com a força ancestral e a beleza brutal do sertão, convidando o leitor a escavar camadas de memória, mito e humanidade.”
Sobre a autoria
Arthur Petrola
Nasceu no sertão dos Inhamuns, no Ceará. Migrante, hoje radicado na Inglaterra, escreve para não esquecer de onde veio. Doutor em Psicologia, dedicou-se à docência e à pesquisa em Psicologia Social e Política, com livros acadêmicos publicados, mas é na literatura que encontra o caminho para atravessar memórias, afetos e assombrações do sertão. Escritor maravilhado com a realidade e poeta da oralidade, sua escrita faz do sertão não apenas cenário, mas voz e destino. O Interior das Terras é seu livro de contos, onde a vida agreste se revela em camadas de mito, memória e humanidade.
Ficha técnica
| Autoria | Arthur Petrola | |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Augusto Oliveira | |
| Revisão | Matheus Mitre | @mmitretayar |
Contato
Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/o-interior-das-terras/