"O Naufrágio das Ilusões", o romance de Leandro Rodrigues Brasil, convida os leitores a uma jornada instigante que transcende o convencional. Inspirado pela epígrafe de Machado de Assis, "Alguma coisa ainda escapa ao naufrágio das ilusões", a obra explora o que permanece e o que se transforma quando as verdades mais difíceis vêm à tona. Este não é apenas um romance, mas uma reflexão profunda sobre a existência, a solidão e a busca incessante por um sentido maior na vida.
A narrativa centra-se inicialmente em Eva, uma jovem oprimida pela timidez e por um profundo sentimento de inadequação. Descrita como "quieta demais" e "muda", Eva luta para se expressar e se conectar com o mundo ao seu redor, sentindo-se um "autômato" programada para existir, mas não para viver. Em contrapartida, Mael, um rapaz igualmente reservado e solitário, que se sente "insignificante" e um "estorvo", observa Eva de longe, percebendo uma solidão compartilhada. O encontro dos olhares dos dois, um "milésimo de segundo" que "quebrou e se conectou", promete o início de um despertar para ambos.
A obra se destaca pela exploração psicológica detalhada de seus personagens, revelando as camadas de seus sofrimentos e anseios. Eva, por exemplo, encontra sua única forma de liberdade nos sonhos e em atos subconscientes, enquanto Mael carrega o peso de uma origem misteriosa e aversão de sua tia. A dinâmica familiar é um pilar central, expondo a frieza da mãe de Eva em contraste com o carinho do pai e a complexa relação com sua irmã gêmea, Ester, que parece viver uma "felicidade falsa". A oposição entre os irmãos "normais" (Ester e Lourenço) e os "desajustados" (Eva e Dom) evidencia os diferentes caminhos diante das expectativas sociais e familiares.
A inovação narrativa reside na maneira como o autor tece a rede de memórias, traumas e ilusões que moldam a vida dos personagens. O livro aborda temas como a repressão da identidade, o preconceito e a dificuldade de lidar com a realidade de uma forma que cativa o leitor, sem entregar todas as respostas de imediato. O processo de "naufrágio das ilusões" é gradual e doloroso, mas essencial para que os personagens possam vislumbrar uma possibilidade de "começar a viver" e buscar a autenticidade.
"O Naufrágio das Ilusões" é um romance que desafia o leitor a questionar as próprias definições de felicidade, normalidade e liberdade. Através de uma escrita sensível e profunda, Leandro Rodrigues Brasil constrói uma história de resiliência e autodescoberta, onde a coragem de ser quem se é – apesar das pressões externas e dos traumas internos – se mostra a mais poderosa das forças. É uma obra que promete emocionar e provocar reflexão sobre a complexidade das relações humanas e a persistente esperança de que, mesmo diante do "naufrágio", algo verdadeiro e essencial possa emergir.
Sobre a obra
- Gênero
- Romance
- Selo
- Mondru
- Páginas
- 184
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 13/11/2025
- ISBN
- 978-65-6042-230-8
- Preço de capa
- R$ 69,90
“O Naufrágio das Ilusões” é um romance que mergulha na vida de Eva, uma jovem oprimida por uma timidez paralisante e uma profunda sensação de inadequação, que a faz sentir-se “quieta demais” e “muda”. Sua existência é marcada pela solidão e pela constante busca por um propósito que ela mesma não consegue identificar. Paralelamente, encontramos Mael, um rapaz igualmente reservado e solitário, que se sente “insignificante” e um “estorvo”, atormentado por um passado misterioso e aversão de sua tia. O destino os une em uma praça, onde seus olhares se cruzam, estabelecendo uma conexão silenciosa que promete um despertar mútuo para além de suas solidões e ilusões, impulsionando-os em uma jornada de autodescoberta e a busca por liberdade e uma verdade mais autêntica em suas vidas.
Citações
“Solidão. Como ela gostava de ser só. Como apreciava a própria companhia! — Essa menina é tão esquisita — a mãe dizia. Mas gostava de ser assim. Não, não gostava. Nada a satisfazia por completo. Ela pensava que ficaria feliz e realizada assim que desejava alguma coisa e esse desejo lhe era concedido. Para logo depois descobrir que aquilo não era verdade, que a busca incessante continuava. Mas busca pelo quê? Eva não sabia.”
“Enquanto olhava a moça triste de quem não sabia o nome, Mael pensou que gostaria muito de ajudá-la de alguma forma. No mesmo instante se perguntou quem era ele para pretender tal coisa. Mael se achava tão insignificante… Ele observava Eva havia muito tempo, sem que ela suspeitasse. Já tinha percebido que, assim como ele, ela também se sentia extremamente só e se escondia de si mesma. Pensou que poderiam se juntar e dividir suas solidões, mas logo riu da ideia, passou a se questionar se a solidão a dois não seria ainda pior e se a liberdade de serem sós, se não fossem inteiramente sós, seria realmente liberdade.”
“Talvez ele a observasse havia muito tempo e ela não tinha percebido ainda, mas a partir do momento em que, naquele milésimo de segundo, seus olhares se encontraram por acaso, algo se quebrou e se conectou. Eram dois perdidos se observando, perdidos dentro de si mesmos, incapazes de se acharem.”
“Porque era nos sonhos que Eva se libertava de seus grilhões. Nos sonhos ela era outra pessoa, era livre para ser e fazer o que quisesse. Os sonhos não têm lógica, não têm domínio, não têm regras. Neles é possível fazer absolutamente tudo, sem nos sentirmos culpados e presos a qualquer escrúpulo que nos regula a vida. Sempre que Eva ia dormir, torcia para sonhar, embora soubesse que sonhar, para ela, era sinônimo de mijar. Mas que venha o mijo, que venha a liberdade!”
“Eva e Mael fizeram todo o trajeto para a casa dela sem trocarem uma única palavra. Não era necessário, o sorriso dos dois dizia tudo. Havia um rapaz e uma moça, um homem, uma mulher. Eles, que sempre andavam sós pela vida, estavam caminhando lado a lado. Sentindo a energia, a força vital adormecida começando a despertar, vulcão prestes a entrar em erupção.”
Sobre a autoria
Leandro Rodrigues Brasil
Leandro Rodrigues Brasil é professor. Formado em Letras e Pedagogia, com pós-graduação em Docência do Ensino Superior e em Metodologia do Ensino da Língua Inglesa, atua na área da educação desde 2013. A leitura e a escrita são suas grandes paixões desde criança. “O Naufrágio das Ilusões” é seu primeiro romance publicado.
Ficha técnica
| Autoria | Leandro Rodrigues Brasil | |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
| Revisão | Matheus Mitre | @mmitretayar |
Contato
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