A Mondru Editora lança O Protocolo do Silêncio, nova coletânea de contos que transforma a rotina administrativa em matéria de investigação literária, sátira e mistério. A obra explora o colapso subjetivo e a asfixia do indivíduo diante das engrenagens do serviço público, onde os procedimentos deixam de ser mero cenário e passam a determinar o que existe ou deixa de existir. Em treze narrativas, o cotidiano institucional é tensionado até o ponto em que o procedimento se converte em destino, revelando como a lógica dos sistemas substitui gradualmente a experiência humana.
A escrita nasce de uma vivência institucional real. O autor, Abel Ferreira, utiliza sua bagagem de duas décadas na auditoria federal para insuflar verossimilhança à ficção, convertendo as próprias estruturas burocráticas em personagens vivos. Em vez de apenas tematizar o serviço público, o livro opera a partir dele: trata-se de uma narrativa construída como se a própria máquina administrativa tivesse aprendido a contar histórias, expondo um mosaico em que o excesso de forma convive com a erosão do sentido.
Com notável unidade temática, a coletânea encontra sua chave de leitura no conto-título, que sintetiza a engrenagem do sistema na tríade "reconhecer sem responder / responder sem resolver / resolver sem registrar". A obra se destaca pela agilidade de seus diálogos secos e cortantes — como na emblemática passagem "A casa preza pelo padrão. O padrão sustenta a casa" — e pelo uso inteligente de objetos do cotidiano como âncoras simbólicas: uma dracena murcha, o totem "Aqui começa a transformação", o carimbo empoeirado de um "Projeto Piloto" e a goteira que ironicamente "protocola sua reclamação".
Outro trunfo narrativo é a representação do corpo humano como o verdadeiro termômetro da degradação institucional. A violência burocrática se inscreve na postura curvada, no choro solitário e no esgotamento físico dos servidores diante da inércia. A narrativa aborda essa estagnação sob múltiplos matizes: enquanto no conto “Cota de Tranquilidade” a desaceleração surge como escolha de sobrevivência e cura, em “A Epifania do Bigode” o conhecimento analógico e o contato direto conseguem driblar a opacidade da tecnocracia digital.
Por fim, a coletânea inova ao construir um arco contínuo que evolui do realismo seco para o realismo fantástico, universo em que impressoras passam a escrever editais poéticos, documentos no subsolo recusam reativação e o sistema ESPECTRO adquire autonomia e vida própria. Acompanhada por uma sátira afiada da linguagem corporativa e dos jargões institucionais, a obra desenha a trajetória dos personagens do entusiasmo ingênuo da posse até a assimilação pela máquina, consolidando-se como uma contribuição original à ficção brasileira contemporânea.
Sobre a obra
- Gênero
- Contos
- Selo
- Mondru
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 06/11/2026
- ISBN
- A caminho
- Preço de capa
- R$ 69,90
Em O Protocolo do Silêncio, a burocracia deixa de ser cenário para tornar-se mecanismo de realidade. Protocolos não apenas registram decisões — eles as antecipam; sistemas não apenas organizam fluxos — eles determinam o que existe e o que pode deixar de existir.
Ao longo de treze narrativas, personagens comuns — servidores, estagiários, técnicos — atravessam ambientes onde a lógica institucional substitui gradualmente a experiência humana. Um erro de georreferenciamento apaga uma propriedade inteira; um edital passa a se escrever sozinho; arquivos recusam ser reativados; respostas surgem antes mesmo da pergunta. Em cada história, o cotidiano administrativo é tensionado até o ponto em que o familiar se torna estranho e o procedimento se converte em destino.
Há, assim, uma experiência institucional brasileira concreta, onde o excesso de forma convive com a erosão do sentido. O resultado é um mosaico em que cada narrativa amplia e distorce a anterior.
Este não é um livro sobre a burocracia. É um livro escrito a partir dela — como se a própria máquina administrativa tivesse aprendido a narrar.
Citações
“reconhecer sem responder / responder sem resolver / resolver sem registrar”
“A casa preza pelo padrão. O padrão sustenta a casa.”
“Aqui ninguém brilha. E é assim que se vive bem.”
Sobre a autoria
Abel Ferreira Lopes Filho
Abel Ferreira nasceu em Fortaleza e vive em Brasília. É jurista, mestre em Direito e auditor federal, com mais de duas décadas de atuação, tendo participado de missões na ONU e por todo o Brasil, experiência que atravessa sua ficção.
É autor de Ilusões em Tramitação (Editora Litteralux). Sua escrita investiga a relação entre indivíduo e sistemas, tomando a burocracia como forma narrativa.
Seus contos vêm sendo reconhecidos em premiações nacionais, com destaque para “Os Sons do Arquivo Morto” (finalista) e “Cota de Tranquilidade” (semifinalista), além de “A Cidade com o Nome Errado”, selecionado com nota máxima pelo júri da coletânea internacional Realismo Social (Editora Palavra Ferida, 2026), com publicação em português e espanhol.
Ficha técnica
| Autoria | Abel Ferreira | |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
| Revisão | Camilla Machado Pequeno |
Contato
Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/o-protocolo-do-silencio/