"Paz & Guerra", a obra instigante de Henrique Dottoly, surge como um marco literário ao convidar os leitores a uma reflexão profunda sobre a constante e intrínseca batalha entre o sofrimento e a esperança, o caos e a tranquilidade que permeia a existência humana. Dedicado a "todos aqueles que travam cotidianamente as mais difíceis batalhas", o livro explora com sensibilidade e crueza as "frustrações com o que nunca chegou a ser, as emoções conturbadas que bagunçam a mente ou os segredos mais inexprimíveis do coração", oferecendo um espelho para as lutas diárias, tanto internas quanto externas, que moldam a nossa jornada.
A obra se destaca por sua narrativa multifacetada e inovadora, que transita por diferentes gêneros e perspectivas para abordar a complexidade da "Guerra" em suas diversas manifestações. Seja na exploração das consequências desumanizadoras do poder e da violência, na psique de um assassino movido por um amor distorcido, na busca por liberdade em um ambiente de aprisionamento, ou no peso do heroísmo e no trauma da guerra, Dottoly mergulha nas profundezas da alma humana. Através de contos, monólogos e reflexões, o livro capta a essência de que "Vítimas e algozes, todos somos, todos são Nas metrópoles em chamas, irmão contra irmão".
Uma das maiores qualidades de "Paz & Guerra" reside em sua capacidade de apresentar uma visão honesta e por vezes brutal da realidade, sem perder a nuance da condição humana. As histórias abordam temas universais como a crise de fé diante da injustiça, o vazio da rotina e as decepções da vida real, utilizando, por vezes, "plot twists" narrativos que espelham as viradas inesperadas da própria existência. A estrutura e a profundidade de cada conto permitem ao leitor uma imersão completa nos dilemas e emoções dos personagens, provocando empatia e introspecção.
Contudo, a obra não se limita a expor as mazelas. O título "Paz & Guerra" é uma promessa de equilíbrio, e o livro cumpre ao afirmar que "Existe Paz junto de toda Guerra". Em meio à maior das atrocidades, os textos ressaltam a presença de "beleza", "poesia no concreto do dia-a-dia" e "crescimento dentro do sofrimento". A esperança se manifesta através do amor, da conexão humana, da resistência pela arte, da capacidade de sonhar e encontrar alegria mesmo nas circunstâncias mais difíceis, e na tenacidade do espírito humano em perseverar e encontrar sentido.
"Paz & Guerra" é, portanto, uma obra essencial para os tempos atuais. Henrique Dottoly oferece um convite à reflexão sobre as próprias lutas do leitor, garantindo que suas angústias "não são menos reais" e que, mesmo na solitude da batalha pessoal, há a possibilidade de encontrar beleza, crescimento e, finalmente, paz. É um livro que não apenas narra histórias, mas que inspira a perseverança e a redescoberta da esperança em um mundo complexo e, muitas vezes, doloroso.
Sobre a obra
- Gênero
- Contos
- Selo
- Mondru
- Páginas
- 144
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 03/09/2025
- ISBN
- 978-65-6042-240-7
- Preço de capa
- R$ 59,90
Paz & Guerra é uma antologia de histórias que tratam de dualidades complementares que permeiam a existência humana: paixão e ódio; amor e violência; loucura e banalidade; angústia e prazer; fé e desamparo; rebeldia e impotência; desânimo e felicidade; e, claro, paz e guerra. Mais do que os limites entre essas aparentes dicotomias, o livro explora o quanto tais dualidades não são mais que ficções, pois a realidade não cabe em uma perspectiva monocromática, e todos os opostos são preenchidos pela sua antítese. Assim, não há nada tão vil que não guarde em si algo de bom, nem virtude que não possa ser vício, nem bom-senso sem loucura. Essa ilusória oposição é a tinta com que são desenhadas todas as histórias desse livro, que aparecem em uma variedade de estilos. Todas, porém, partem da mesma realidade, brasileira e cotidiana, observando como essas supostas contradições direta ou indiretamente permeiam o nosso dia-a-dia.
Citações
“Ademais, dedico as páginas que se seguem para todos aqueles que travam cotidianamente as mais difíceis batalhas. Nossos sofrimentos e angústias às vezes somem na realidade mundana do dia-a-dia, mas saiba, ó Caro Leitor, que elas não são menos reais por isso. Seja pelas frustrações com o que nunca chegou a ser, as emoções conturbadas que bagunçam a mente ou os segredos mais inexprimíveis do coração, é para você, que luta sua própria Guerra diariamente, que esse livro foi feito. Por fim, ó Caro Leitor, lembre-se também que as coisas são, agora, de maneira absoluta e imperativa, e toda sua luta não deve te impedir de viver a vida. Lembre-se de que existe ainda beleza no meio da maior das atrocidades. Existe poesia no concreto do dia-a-dia. Existe crescimento dentro do sofrimento. E existe Paz junto de toda Guerra.”
“Eu acho que a coisa mais importante da história toda é a ideia de que o amor nasce mesmo em situações críticas. Life finds a way e tudo isso. Existe beleza e poesia no mundo apesar de todas as coisas ruins. Mesmo em todas as coisas ruins. É na guerra entre as duas famílias que Romeu e Julieta se apaixonam. E a nossa situação não é muito melhor. A Síria tá em guerra já faz mais de uma década, genocídios, atentados, violência, isso continua presente no nosso mundo tanto quanto no de Shakespeare. E, ainda assim, existe beleza na vida, existem ainda coisas maravilhosas que dão sentido à vida. Amanhã eu posso ir para um trabalho horrível ou até ser convocado pra lutar numa guerra sem sentido em algum país distante, mas hoje eu tô aqui, comendo uma comida maravilhosa, com uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci. Romeu e Julieta morrem no final, amor, mas isso não importa, porque eles se amam em algum momento. De maneira torpe, insuficiente, desvirtuada, inconsequente e quantos outros adjetivos ruins que você conseguir enquadrar. Mas ainda existe um amor ali que é, afinal de contas, toda a história dos dois, que supera todos os problemas da vida e fazem eles felizes por algum tempo.”
“Salve a poesia”, ele dizia, mesmo quando o carro preto de vidros pretos o sugou para a noite negra. A família à porta de casa, a mulher e as três crianças, assistiram ele ir embora com a dor e a paixão. A criança mais jovem ainda não conseguia entender o que seu pai dizia, mas, à bem da verdade, nenhuma delas conseguia ainda compreender verdadeiramente seu significado. “Salve a poesia”, ele dizia, todos os dias, na cadeia. Recitava para nós todos os poemas de que conseguia lembrar, incluindo os seus. Drummond era seu poeta preferido – e, claro, passou a ser o nosso também. Bem, depois dele próprio, claro. “Salve a poesia”, ele dizia, enquanto o jogavam sozinho no camburão e fechavam as portas para sempre. Seu rosto era marcado pela dor, pela fome, pelo sofrimento. Mas a sombra de um sorriso ainda brincava com seus lábios finos. E mesmo com toda a dor, seus olhos brilhavam, um brilho que nunca, ninguém conseguiria apagar.”
“Talvez nosso erro é que somos humanos demais. Exageramos no id, ego e superego, nas emoções. A vida é tão sublime, perfeita: nascemos, crescemos, sentimos, e, enfim, damos nosso espaço para outrem. Mas a saudade aperta no peito, e a sinceridade escorre pelo rosto e mancha a calça. Não é tristeza, mas nostalgia. É esse não ser tão ensurdecedor, tão enlouquecedor. Vivemos, ou achamos que vivemos, e talvez nunca tenhamos certeza. Talvez nosso erro seja insistir. Talvez nosso erro seja existir. Talvez não seja erro nosso errar. Talvez a vida seja perfeita demais para compreender o erro, e nós é que damos tal nome para aquilo que nos desagrada. Talvez não devêssemos temer a morte.”
“-Tu és o futuro, pequeno. Tu és tudo. É por tu que eu luto, Bebê. Meu querido Bebê, meu pequeno Bebê, meu amado Bebê. Tua vida não vai ser fácil, muito pelo contrário. Mas tu és tudo, pequeno. O meu mundo não estava pronto. Mas tu estarás pronto para o mundo. Tu irás mudar o mundo. “Teu nome, meu pequeno Bebê, há de ser Esperança”.”
Sobre a autoria
Henrique Dottoly
@dottolyHenrique Dottoly é o pseudônimo de Henrique Moric Vilela Mariano, escritor desde criança, professor formado em Direito e História. Publicou seu primeiro conto com cerca de 13 anos e lançou seu primeiro livro, "Dois Dedos de Poesia para Abrir o Apetite”, em 2019. Sua escrita é majoritariamente prosa, mas, às vezes, a alma transborda demais pra manter as sentenças longas, então se rende ao lirismo da poesia. Por meio de antologias e coletâneas, já publicou diversos contos e poesias.
Ficha técnica
| Autoria | Henrique Dottoly | @dottoly |
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| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
| Revisão | Leonardo Santos de Araújo |
Contato
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