O livro "Prometo não te deixar sozinha", de Mary Berg, emerge como um testemunho pungente da resiliência humana e da capacidade de superação diante da adversidade mais brutal. Inspirado na máxima de Guimarães Rosa de que viver é "rasgar-se e remendar-se", a obra guia o leitor por uma "bela travessia" de dor, amor e reconstrução, onde a autora desvenda os intricados processos de reajustar os acontecimentos da vida sem um manual. É um "testemunho robusto desse processo de viver", que muitas vezes deixa o leitor sem ar ou com os olhos marejados diante da intensidade da narrativa.
"Prometo não te deixar sozinha" vai além do relato pessoal ao veicular a experiência universal de encarar a morte e, ainda assim, encontrar no amor o "sustentáculo da vida". Mary Berg oferece ao leitor o raro "privilégio poder contar — e a um preço nada justo ao narrador" — os horrores da sobrevivência a uma distância segura. Trata-se de uma "história real, escrita na fidedignidade permitida pela literatura", na qual a autora, "rasgada pela brutalidade de um acidente", se remenda com palavras, evocando a técnica japonesa Kintsugi. Ao realçar suas imperfeições, Mary alumbra a narrativa e "inspira o leitor a enxergar a vida com outros olhos", abraçando a tragédia de maneira singular.
A narrativa de Mary Berg é caracterizada por sua abordagem "brutalmente honesta" e "bastante sensível", mergulhando nas "lembranças que qualquer um preferiria esquecer". O processo de escrita foi uma "felicidade de cada capítulo" e uma "transpiração da reescrita e das revisitas", resultando em uma "história potente, capaz de tocar em algo universal da experiência humana, ou seja, de se tornar literatura". A obra emociona ao descrever os "vales por onde ela havia caminhado", convidando o leitor a um acolhimento mútuo e a um estreitamento dos laços, mesmo através da distância física da leitura.
No cerne de "Prometo não te deixar sozinha" pulsa a "força inextricável do amor entre mãe e filha". Este amor não apenas "remendou, mas também muito rasgou", atuando como o "fio invisível atado nos corpos, avivando-os para esse mistério de estar vivo". A promessa central do livro, feita por Mary à filha Eduarda durante o terrível acidente — "Vou ficar ao seu lado até o fim. Prometo não te deixar sozinha" — tornou-se o lema de sua extraordinária batalha pela vida. É o amor que a impulsionou a "insistir no laço com a vida", elevando sua experiência à "dignidade de ser narrável".
A jornada de Mary é uma odisseia de reconstrução física e emocional, marcada por "sete cirurgias" complexas, além da primeira no dia do acidente. Ela enfrentou a desfiguração do "rosto desfigurado" e a paralisia, mas a "maior sorte foi ter construído uma relação de amor com minha filha" e a "fome insistente pelo verossímil" em sua escrita a impulsionaram. Sua coragem se manifestou ao "dar a cara a tapa" e compartilhar publicamente seu "rosto desfigurado" nas redes sociais, encontrando força na troca com outras pessoas que buscavam apoio e inspiração. Mesmo diante de um diagnóstico que tornava "inexplicável" a preservação de sua visão, Mary transformou o trauma em um caminho de autoconhecimento e inspiração, ressignificando o sentido da vida através de sua análise pessoal.
"Prometo não te deixar sozinha" é, portanto, mais do que um relato de sobrevivência; é um hino à capacidade humana de renascer. Mary Berg inspira ao demonstrar que, mesmo quando a vida "muda de repente sem aviso e sem estarmos preparados", é possível encontrar "uma energia de amor" e "insistir no laço com a vida". Sua "humanidade inspira" e seu relato convida a "cerrar os olhos, limpar as lágrimas, para depois se embrenhar na vida de olhos bem abertos", reconhecendo que, como ela própria percebeu, "à medida que meu olho esquerdo deixou de funcionar temporariamente, percebi que, às vezes, enxergamos mais com menos". O livro é um convite à reflexão sobre a finitude, a coragem e, acima de tudo, o poder transformador do amor.
Sobre a obra
- Gênero
- Romance
- Selo
- Mondru
- Páginas
- 128
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 07/07/2025
- ISBN
- 978-65-6042-179-0
- Preço de capa
- R$ 59,90
“Prometo não te deixar sozinha” narra a impactante história real de Mary Berg, uma mulher cuja vida é abruptamente transformada por um trágico acidente de bicicleta, no qual sua filha, Eduarda, está envolvida. Com o corpo gravemente ferido e o rosto desfigurado, Mary se vê diante da própria finitude. No entanto, em meio ao desespero e à incerteza, uma promessa inquebrantável feita à filha – “Vou ficar ao seu lado até o fim. Prometo não te deixar sozinha” – torna-se o fio condutor de uma extraordinária jornada de resiliência e reconstrução. A obra é um testemunho pungente da “força inextricável do amor entre mãe e filha”, que serve como “sustentáculo da vida” e impulsiona Mary a “insistir no laço com a vida”, superando horrores para “remendar-se com palavras” e inspirar o leitor a enxergar a vida com outros olhos.
Citações
“Naquele momento, fiz a promessa mais difícil de toda minha vida. — Vou ficar ao seu lado até o fim. Prometo não te deixar sozinha. Duda se aproximou para me ajudar. Atenta a tudo que estava acontecendo, não deixei que ela percebesse que meu braço direito estava quebrado. Ela me segurou, e, com a mão esquerda no chão, fiz força para ficar em pé. Eu sentia o sangue quente escorrendo pelo meu rosto. Caminhamos até o carro, sentei no banco do passageiro e abri o quebra-sol. Olhei no espelho e me desesperei. Vi que no lugar do meu olho esquerdo havia um buraco. Coloquei meu dedo no buraco e percebi que meu olho estava fora do lugar. No entanto, ele continuava preso ao meu rosto, e havia uma chance de ele estar protegido. Foi o que me acalmou um pouco. Em seguida, procurei meu nariz. Ele estava destruído, também havia um buraco em que eu via os ossos e a cartilagem. Vivi instantes de horror, mas logo voltei minha atenção à Duda, eu só queria acalmá-la, colocá-la em meu colo e dizer que ia ficar tudo bem. Duda estava em estado de choque, e eu, cumprindo minha promessa. Distante da cidade, em um lugar ermo, sem sinal de celular, no meio de terra e das pedras, havia muito sangue. Eu precisava agir, ou morreria ali.”
“Há uma vasta literatura sobre a devastação feminina — uma relação catastrófica entre mãe e filha —, mas quase nada se diz da relação linda que pode ser construída. Estabelecemos um vínculo de confiança e cumplicidade para lidar com as consequências do acidente do qual fomos vítimas. Vítimas de uma fatalidade, do que escapa ao controle da vida. Agradeço todos os dias por estar viva. Não consigo imaginar como teria sido, se eu tivesse morrido no acidente. Aos poucos, compreendo que o amor realmente faz laços indestrutíveis e genuínos, que apenas aqueles que amam verdadeiramente são capazes de experimentá-lo. Escolhi viver para salvar minha filha e cumprir a minha promessa de não deixá-la sozinha. Compreendi que apenas o amor nos permite superar tanta dor. A experiência de quase-morte transformou meu olhar e, à medida que meu olho esquerdo deixou de funcionar temporariamente, percebi que, às vezes, enxergamos mais com menos.”
Sobre a autoria
Mary Berg
@maryberg_psicanalistaBREVE BIOGRAFIA
Meu nome é Mary Berg. Sou formada em Direito e Pedagogia, áreas que me proporcionaram uma compreensão ampla sobre as questões humanas e sociais. No entanto, foi por meio da psicanálise que descobri minha verdadeira vocação. Iniciei minha formação em 2014 no Fórum do Campo Lacaniano de Mato Grosso do Sul, do qual sou membro desde 2021. Os Fóruns são espaços dedicados ao ensino, pesquisa e transmissão da psicanálise. Ser membro do Fórum significa participar de uma comunidade que se dedica a preservar e a desenvolver o legado de Jacques Lacan, promovendo a transmissão rigorosa e viva de sua obra. Para o psicanalista lacaniano, o Fórum não é apenas uma escolha; é uma necessidade para sustentar e enriquecer sua prática e seu percurso.
Prometo não te deixar sozinha é meu primeiro livro.
Ficha técnica
| Autoria | Mary Berg | @maryberg_psicanalista |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
| Revisão | Matheus Mitre | @mmitretayar |
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