O livro "Retrovertigo", de Marcelo de Lima, surge como uma obra essencial e profundamente relevante para os tempos atuais, oferecendo uma análise perspicaz das contradições da sociedade contemporânea. O título e conceito central do livro são inspirados na melancólica canção homônima da banda Mr. Bungle, lançada em 1999. O termo "Retrovertigo" é definido como "a náusea de ver o consumismo retrô, de uma sociedade tecnologicamente desenvolvida, num mundo onde as pessoas ainda morrem de fome". O próprio compositor, Trevor Dunn, descreve-o como "minha náusea em relação a esse fenômeno". O autor do livro, Marcelo de Lima, escreve a obra como uma homenagem à canção, buscando que o "nojo da nostalgia num mundo faminto sirva de força para tornarmos a nossa sociedade mais humana".
A narrativa segue principalmente Tamires, uma analista de TI, e Aranha, um programador aposentado, cujas vidas são impactadas pelo fenômeno do Retrovertigo. Tamires começa a sentir náuseas e vertigens em situações de choque, como ao testemunhar um atropelamento cuja vítima se torna um "Efeito Garota 70" — uma tendência viral por suas roupas setentistas, ignorando a tragédia humana. Ela também experimenta o mal-estar ao ver a desumanidade de yuppies humilhando um morador de rua. Aranha, por sua vez, já vivenciava o distúrbio, isolando-se e evitando qualquer estímulo que remetesse à nostalgia combinada com a degradação humana, como a exploração de uma jovem com vestimentas dos anos 50 por homens mais velhos.
A obra destaca-se por sua crítica social contundente, expondo uma sociedade que "valorizava a imagem e o dinheiro acima da vida humana". O autor explora a exaltação do "consumismo em detrimento da vida humana", a "falta de empatia", a precarização do trabalho, e a desilusão com o capitalismo. O livro sublinha como a banalização da violência e da tragédia se torna um espetáculo, com pessoas filmando acidentes ou agressões em vez de oferecerem ajuda, transformando o sofrimento em mero conteúdo para redes sociais.
Uma das maiores inovações narrativas do livro é a apresentação do Retrovertigo como um "novo tipo de distúrbio mental". Essa conceituação original estabelece uma ligação visceral entre a alienação social e as manifestações físicas e psicológicas nos indivíduos, como vertigens e crises de pânico. A jornada de Tamires, que inicialmente duvida da teoria de Aranha, mas é forçada a confrontá-la à medida que seus próprios sintomas se intensificam, cria um arco narrativo envolvente e dolorosamente real.
O clímax da obra, com Tamires buscando a ajuda de Aranha para expor um esquema de trabalho análogo à escravidão em um evento de música eletrônica, ressalta a mensagem central do livro: a necessidade de agir contra a desumanidade. A tragédia que se segue à sua tentativa de expor a injustiça e o subsequente surgimento do "Efeito Tamires", onde seu próprio uniforme simples e cinza se torna uma nova tendência de moda, ilustram a profundidade da crítica do autor. "Retrovertigo" não é apenas uma história, mas um espelho para as patologias de nossa era, um chamado à reflexão sobre o que realmente valorizamos e sobre como podemos, individual e coletivamente, tornar a sociedade "mais humana".
Sobre a obra
- Gênero
- Romance
- Selo
- Mondru
- Páginas
- 136
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 03/09/2025
- ISBN
- 978-65-6042-213-1
- Preço de capa
- R$ 59,90
“Retrovertigo” é uma obra que explora a sensação de mal-estar e desilusão que surge ao confrontar a nostalgia idealizada com as cruas realidades de uma sociedade desumana. A trama central segue Tamires, uma analista de TI que começa a experienciar náuseas e vertigens inexplicáveis em momentos onde a celebração do passado se choca com a indiferença humana e a precarização da vida. Buscando compreender esse novo e perturbador distúrbio, ela se conecta com Aranha, um programador aposentado que há tempos vive com o mesmo fenômeno, denominado “Retrovertigo” – a “náusea de ver o consumismo retrô, de uma sociedade tecnologicamente desenvolvida, num mundo onde as pessoas ainda morrem de fome”. À medida que seus caminhos se cruzam, eles se envolvem em uma tentativa de expor uma profunda injustiça social, percebendo que seus sintomas são uma reação visceral às contradições de um mundo que valoriza a imagem e o dinheiro acima da vida humana.
Citações
“Retrovertigo é o nome da terceira canção do álbum “California”, do Mr. Bungle, lançado em 1999. Escrita e composta pelo baixista da banda, Trevor Dunn, é uma música melancólica que fala de uma sociedade que prioriza a nostalgia dos “bons e velhos tempos” em detrimento da vida humana. O termo significaria, em poucas palavras, a náusea de ver o consumismo retrô, de uma sociedade tecnologicamente desenvolvida, num mundo onde as pessoas ainda morrem de fome.”
“O estado de espírito era de desilusão em mundo ou sociedade que valorizavam a imagem e o dinheiro acima da vida humana. Embora algumas modas e estilos de vida ’retrô’ sejam considerados modernos, a tradição vigente de sofrimento humano continua. À medida que o mundo avança tecnologicamente, certas pessoas valorizam e imitam ‘os bons e velhos tempos’, enquanto outras nascem na pobreza, nunca tendo passado da idade das trevas. O título ‘Retrovertigo’ é um termo que inventei para descrever minha náusea em relação a esse fenômeno.”
“Escrevo este pequeno livro como uma homenagem a uma das canções mais belas e catárticas que já ouvi. E, claro, para que o nojo da nostalgia num mundo faminto sirva de força para tornarmos a nossa sociedade mais humana.”
“Desde que o capitalismo se tornou dominante, a humanidade caiu num fosso de individualização que transformou a empatia em franqueza. Neste caso, era capaz de alguém perguntar primeiro se o ônibus sofreu algum arranhão e quais seriam os prejuízos.”
“Retrovertigo — nomeou Aranha — Desde que voltei pra cá, mergulhei na rede, em busca de respostas ao meu problema. Semana passada, um artigo escrito em Angola, por um centro de pesquisas, sugeriu o surgimento de um novo tipo de distúrbio mental, relacionado aos nossos tempos. Esse mal se daria ao excesso de exposição à nostalgia comercial num mundo onde as pessoas ainda morrem de fome. Tal exposição causaria reações físicas e psicológicas ao paciente, como vertigens, náuseas, crises de pânico, entre outros. Nada diferente do que eu ou você passamos, correto?”
Sobre a autoria
Marcelo de Lima
@BrancorpseMarcelo de Lima nasceu em Suzano (SP) e aprendeu a ler graças a uma caixa de HQs, que ganhou do pai. Conheceu o cyberpunk aos nove anos, quando assistiu ao filme Akira. Incentivado por amigos, começou a escrever contos em 2013. Colaborou para os portais Cyberpunk Brazil e Vozes da Zona Leste, e para podcasts como Renegados Cast e Alguma Coisa Cast. É autor de “Alana“ (2022), entre outras obras, e participou de dois volumes da coletânea “Literatura Fantástica: Revista Pulp Nacional”.
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Ficha técnica
| Autoria | Marcelo de Lima | @Brancorpse |
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| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
| Revisão | Fabiana Schiavon Gracio |
Contato
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