Escrito a partir de uma perspectiva intimista, o livro captura a essência da vulnerabilidade humana diante da perda, construindo uma narrativa que transita constantemente entre a esperança e a dor de se ver de forma solitária em uma "nação de duas pessoas".
Uma das principais inovações da obra está em sua estrutura narrativa fragmentada e confessional, que simula o uso de blocos de notas, diários de contagem de dias e cartas não enviadas, escritas na esperança de um reencontro. A voz narrativa assume a identidade de uma "cartógrafa de gente", subvertendo a prosa tradicional ao tratar sentimentos como territórios, onde as relações amorosas exigem o constante desenho e redesenho de fronteiras, litorais e mapas pessoais.
As qualidades do texto evidenciam-se na sua habilidade ímpar de traduzir a angústia através de metáforas ricas e inusitadas. A sensação de desamparo é comparada à experiência de morar de aluguel em uma arquitetura desconhecida, onde o espaço de quem sofre parece ser feito de frágeis paredes de drywall, construídas no improviso e vulneráveis a qualquer impacto. A autora também recorre à biologia para explicar a dor, utilizando o processo de liquefação das lagartas e suas "células imaginais" para expressar a dura constatação de que os humanos não possuem ferramentas tão eficientes para remontar um corpo novo após a destruição do próprio casulo.
A narrativa ganha ainda mais densidade ao discutir a limitação da própria linguagem frente ao trauma. A narradora confessa o desespero de esbarrar na "falta de palavras" e em seu vocabulário limitado para conseguir dimensionar suas dores para aqueles que vivem fora de seu corpo. Desse modo, o livro é apresentado como o doloroso "segundo ato" de uma história de amor, que obrigatoriamente precisa ser escrito na ausência de clareza e com o vácuo deixado pela pessoa amada.
A obra merece imenso destaque por sua coragem em retratar a crua "esperança solitária" de quem sobrevive a um naufrágio figurativo, lidando com o medo constante de ser a única habitante sobrevivente em uma ilha afetiva que foi dizimada.
"Um mais um (mais um)" consolida-se como um relato poderoso sobre a marca indelével que o afeto deixa na vida de quem fica. A narrativa conclui de forma brilhante que a saudade atua como uma tatuagem no corpo: algo que, mesmo que venha a perder a nitidez dos contornos com a passagem do tempo, permanece de forma absolutamente visível e reconhecível. Trata-se de uma leitura fundamental para refletir sobre os espaços que habitamos e as memórias que nos recusam a abandonar.
Sobre a obra
- Gênero
- Contos
- Selo
- Ponto de Vista
- Lançamento
- 06/05/2026
- ISBN
- A caminho
- Preço de capa
- R$ 54,90
Depois do fim de uma história de amor, alguém começa a escrever. Entre blocos de notas, cartas que nunca são enviadas e reflexões que misturam memória, ciência e metáforas, nasce um mapa emocional do que fica quando alguém parte. A narradora tenta entender o território que habitava com o outro: uma casa com quartos desconhecidos, uma ilha que talvez tenha sido destruída, um país de dois habitantes que já não compartilham o mesmo tempo. Enquanto os dias passam, a escrita se transforma em sobrevivência. Cada texto é um gesto de esperança, uma tentativa de manter viva uma história que talvez já tenha terminado. Entre saudade, humor, lucidez e dor, este livro é o diário de quem aprende que amar também é viver dentro das perguntas que ficam quando o amor se desfaz.
Citações
“Este livro é um conjunto de fragmentos escritos à beira de um vazio.”
“Após o fim de uma relação, a narradora passa a registrar pensamentos, memórias e cartas que talvez nunca cheguem ao destino. Entre reflexões sobre amor, linguagem, ciência e esperança, ela tenta compreender o que acontece quando duas pessoas deixam de habitar o mesmo mundo — e como alguém continua vivendo quando permanece na ilha depois que o outro partiu.”
“Um livro sobre saudade, sobre a dificuldade de dizer o indizível e sobre o impulso humano de escrever para que algo — ou alguém — permaneça.”
Sobre a autoria
Victoria Albertazzi
@victoriaalbertazziVictoria Albertazzi nasceu em São Paulo, em 1987. Psicóloga, é apaixonada pelas palavras e pela experiência humana, em todas suas nuances.
Ficha técnica
| Autoria | Victoria Albertazzi | @victoriaalbertazzi |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Augusto Oliveira | |
| Revisão | Matheus Mitre | @mmitretayar |
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