O cenário literário brasileiro recebe uma nova e impactante obra: "um mapa das ruínas", do autor baiano Vítor Ribeiro-Santos. Publicado pela Mondru Editora, o livro é um convite à reflexão sobre a ruína não como um ponto final, mas como um espaço de persistência, continuidade e, acima de tudo, de construção da identidade. Composto por 11 textos autônomos, o livro explora a condição humana diante de perdas e fraturas, investigando como as experiências transformam a percepção de si e do mundo. Ribeiro-Santos, mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP e ganhador do prêmio Alceu Amoroso Lima da Academia Brasileira de Letras, apresenta uma narrativa que se destaca pela originalidade e profundidade.
Em "/um mapa das ruínas/", a ruína é o ponto de partida para uma análise das fendas do real, onde a derrota se entrelaça com a continuidade. O autor nos guia por meio de vozes de personagens que vivenciam acontecimentos cruciais, expondo como a identidade é um processo em constante formação, composto de fracassos e ausências. A obra convida o leitor a repensar o conceito de fim e recomeço, oferecendo uma perspectiva em que a destruição se revela como um elemento paradoxalmente criativo e transformador. O livro também dialoga com uma realidade política imediata, mostrando como os acontecimentos moldam a identidade.
A narrativa de Ribeiro-Santos é marcada por uma prosa poética e reflexiva, que convida o leitor a se aprofundar nas camadas mais íntimas da memória e da experiência humana. O autor não se limita a apresentar um retrato estático da ruína, mas a utiliza como lente para examinar as dinâmicas do poder, da perda e da busca por sentido. Os textos do livro, embora independentes, se conectam por meio de temas recorrentes e de um estilo que evoca a fragilidade e a força da condição humana. O autor também utiliza uma linguagem que dialoga com a ideia de ruína, como fragmentação, quebra e falta.
O livro é relevante por abordar o resíduo como recomeço, seja por projeto ou por falta de escolha, e por mostrar que mesmo nas partes mais profundas da memória há uma dimensão política. A publicação deste livro é uma oportunidade para repensarmos nossas próprias ruínas e, através delas, encontrarmos novas formas de construir a identidade, pessoal e coletivamente.
Além disso, a obra de Vítor Ribeiro-Santos se apresenta como um contraponto aos discursos que atestam um fim inevitável ou um renascimento milagroso. O autor oferece uma perspectiva que se distingue por sua complexidade e honestidade, em que a ruína é tanto um sintoma de derrota quanto um terreno fértil para a renovação. O livro também dialoga com a experiência do continente que se ergue sobre a própria destruição, usando o resíduo como recomeço. "/um mapa das ruínas/" é uma obra que certamente irá gerar discussões e reflexões profundas em seus leitores.
Sobre a obra
- Gênero
- Contos
- Selo
- Mondru
- Páginas
- 88
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 27/05/2025
- ISBN
- 978-65-6042-169-1
- Preço de capa
- R$ 59,90
Diante da profusão de discursos que, neste continente, sempre atestam, por um lado, um fim inevitável ou, por outro, um renascimento milagroso, /um mapa das ruínas/ quer uma saída distinta. Nesta obra, composta de 11 textos autônomos, Vítor Ribeiro-Santos propõe-se a discutir e vivenciar a ruína, este topos que denota derrota e continuidade, permanência e abandono: termos que, antes de formarem uma oposição, estão inscritos, simultaneamente, nas fendas do real. É dessa forma que podemos encontrar as vozes dos textos de Ribeiro-Santos em pleno ato de elaborar um sentido para si ou para as experiências de perda e fratura que atravessaram. /um mapa das ruínas/ é, portanto, um livro que pretende dialogar tanto com uma realidade política imediata, quanto com a maneira como os acontecimentos transformam-se, ainda que de forma lenta e dolorosa, em identidade.
Citações
“Por isso eu sempre puxei: a princípio faminto, enfim desapercebido. Os dentes luzindo como faróis na noite, e você me trazia à cara aquilo que nossos olhos haviam vivido. E que você tenta esquecer. É por isso que você me vê assim, nu, e me veste com teus olhos enodoados. Os meus te despem, te despiriam, se te pudessem. E de nada adiantaria. Se tudo o que no mundo podemos ver somos nós mesmos.”
“Uma pessoa não morre uma única vez. Uma pessoa, quando morre, morre todos os dias desde então. Morre cada um deles. A cada vez que o mundo se dobra e se retoma ao redor de seu corpo, uma pessoa torna a morrer. Morrer é tornar-se impossível a si mesmo. E sobretudo tornar-se possível aos outros. Todos os dias.”
“Eu te amava como se ama um continente. Era tua imagem, Guadalupe, o rancor de um rio que me atingia o peito em chuvas; teu rosto sulcado, a terra arada à espera cansada da semeadura. Tu eras meu alento sob o sol da península, e só assim eu seguia, e conseguia: e só assim era possível responder o chamado vago de todas as coisas.”
“A verdade mentia. Seus olhos claros, negros nos espelhos. E ninguém para contê-los. Ninguém para chamar a noite de noite. Eu pagaria com a eternidade o custo do hoje. Eu daria cada dia para que ela vivesse no seu e no meu corpo. Mas, naquela hora, já bastavam as bombas, as canções anestesiadas, e os olhos. Para que se pudesse existir, enfim, outro.”
“mi candidato es el pueblo, organizado y construyendo. Eu me lembro, sim: essas letras, essas talvez palavras. Era exatamente isso o que não se lia no muro em pé, ao meu lado direito, também de toda aquela gente parada em frente e atrás de mim na interminável fila.”
Sobre a autoria
Vítor Ribeiro-Santos
@escrever_esquecerVítor Ribeiro-Santos é natural de Candeias, Bahia. Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP, ganhou o prêmio Alceu Amoroso Lima pela Academia Brasileira de Letras. Além disso, publicou Pronunciar o Chão (Editora Campo ou Bola, 2023) e Thales, ou O Desconhecimento (Minimalismos, 2024).
Ficha técnica
| Autoria | Vítor Ribeiro-Santos | @escrever_esquecer |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
| Revisão | Matheus Mitre | @mmitretayar |
Contato
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Site: mondru.com/livros/um-mapa-das-ruinas/