A Editora Mondru tem o prazer de apresentar "Amoroso Cangaço", uma obra que redefine a narrativa sobre o lendário período do cangaço brasileiro, mergulhando nas profundezas de uma história contada por uma voz singular e inesperada. O livro é narrado por Indalécio, conhecido como "Professor" dentro do bando de Lampião, um homem letrado em meio à rusticidade do sertão. Sua perspectiva íntima e multifacetada desafia as convenções, prometendo uma visão humanizada e complexa de figuras históricas que foram por muito tempo estigmatizadas.
A narrativa se distancia da demonização tradicional dos cangaceiros, revelando Lampião não apenas como o "monstro da caatinga", mas como um líder com seu próprio código de honra, leis ditadas "na pedra", e vulnerabilidades pessoais, como o amor por Maria Bonita e a preocupação com o futuro. A obra expõe a hipocrisia das autoridades e a brutalidade de um conflito muitas vezes deturpado pela imprensa da época. O estilo narrativo é "circular", permitindo ao leitor transitar entre os acontecimentos externos e os intrincados estados emocionais dos personagens.
"Amoroso Cangaço" inova ao explorar as profundas conexões humanas que floresciam mesmo no ambiente adverso do cangaço. Um dos eixos centrais é a intensa, e por vezes não dita, relação entre o narrador, Indalécio, e seu companheiro Febrônio. Este vínculo, carregado de lealdade e afeto, introduz a temática de um "amor proibido" que ecoa nas entrelinhas da brutalidade do sertão, oferecendo uma dimensão emocional raramente abordada no gênero e ressaltando a complexidade do "querer" em um mundo de sobrevivência.
A linguagem da obra é uma de suas maiores virtudes, utilizando um "português miserável" que, paradoxalmente, é de uma riqueza ímpar, repleto de regionalismos e um lirismo que transporta o leitor para o coração do sertão. Através dela, são explorados temas universais como a lealdade inabalável, a dor da perda, a dualidade da natureza humana e a busca incessante por um propósito em um mundo desolador. A descrição vívida do ambiente árido se mescla com momentos de inesperada ternura e beleza, capturando a essência da resiliência sertaneja.
Mais do que um relato histórico, "Amoroso Cangaço" é um convite à reflexão e à reavaliação de preconceitos. A obra nos desafia a enxergar a humanidade por trás do mito, a reconhecer a ternura onde se esperava apenas brutalidade, e a compreender as complexas teias de emoções que moldaram a vida de homens e mulheres em um dos períodos mais fascinantes da história brasileira. É uma leitura indispensável para quem busca uma compreensão mais profunda e matizada do cangaço e das intricadas paisagens do coração humano.
Sobre a obra
- Gênero
- Romance
- Selo
- Mondru
- Páginas
- 384
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 29/07/2025
- ISBN
- 978-65-6042-155-4
- Preço de capa
- R$ 79,90
- Vencedor Prêmio Cidade de Belo Horizonte · Romance
Em “Amoroso Cangaço” (vencedor o Prêmio Literário da cidade de Belo Horizonte), o letrado cangaceiro Indalécio, conhecido como “Professor”, narra sua fuga e a de seu companheiro Febrônio após a queda de Lampião, desvendando uma perspectiva íntima sobre a brutalidade do sertão e a complexidade humana de seus habitantes. Em meio à perseguição implacável e à incerteza da sobrevivência, a dupla embarca em uma jornada em busca do mítico mar, um símbolo de esperança e de uma nova vida. A narrativa se aprofunda na lealdade e no afeto que unem os dois homens, explorando um “amor proibido” que floresce nas entrelinhas de um mundo de violência, enquanto eles confrontam não apenas as forças inimigas, mas também seus próprios medos, verdades e o peso de um passado que se recusa a ser esquecido.
Citações
“O dia anterior raiou fincando uma cruz no reinado do nosso Capitão. Lampião, que era o pai, o pão, o chão e tudo o que a gente tinha, havia partido, deixando em nosso peito um buraco fundo. Sem ele, voltávamos a ser formiga sem formigueiro. Nossas roupas aparatosas e punhais de reis, que antes nos cobriam de satisfação, não valiam mais nada. Sem o Capitão, já não éramos donos da temida patente de cangaceiro, e toda a indumentária era, agora, apenas a fantasia de um passado sem volta, enquanto a única preocupação era que nossas cabeças não virassem troféus para a Força Volante.”
“Desde menino, muito antes de entrar pro bando de Lampião, eu e Febrônio já se conhecia. Tenho por ele uma consideração sem tamanho. Não sei quando nem o porquê, só sei que a gente sempre estimou demais estar perto um do outro. Nunca perguntei, porque esse tipo de licenciosidade não é do nosso feitio, mas, aqui e agora, que estamos só nós dois, queria muito saber disso, se Febrônio guarda por mim a mesma consideração tamanha que tenho por ele. Eu sinto que é e ele nunca vai ser capaz de dizer quanto, porque entre nós não tem essa coisa de engambelar o outro com a garapa das palavras, de perder tempo com esse tipo de bestagem. A gente é um pelo outro na hora que tem que ser, quando a bala corta e a luta se precipita pra riba da pessoa, na aflição dos combates e na conjuração dos perigos. São nessas horinhas de peleja para escapar da morte que o valor da amizade se mostra na sua inteireza.”
“Eu conto a história é nos circularmente, o que vai no miolo e o que se faz rama pelas bermas da estrada, pois a vida no cangaço se dava era pelas beiradas dos caminhos tortos. O certo mesmo é que, fora dos excepcionalmente, Lampião era bom e ruim como todo comandante cheio de obrigação é. O resto é lenda, mentira gorda, criada por gente que não preza pela verdade, como esses escreventes de jornal. Não sou besta de acreditar que a verdade pode ser amansada como uma burra braba, e quem amansou burra sabe do que estou falando: não existe burra domada nos totalmente. Se até bicho bruto tem dia que acorda com a cara trancada, por que que com a gente seria diferente? Só porque era cangaceiro do bando de Lampião?”
Sobre a autoria
Emmanuel Nogueira Ribeiro
Emmanuel Nogueira é jornalista, crítico teatral, dramaturgo e roteirista formado pelo Instituto Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza/Ceará. Também é especialista em Teorias da Comunicação e da Imagem e Mestre em Artes, ambos pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Autor de peças premiadas (De braços cruzados; Esperando comadre Daiana e Os cactos) e roteiros cinematográficos igualmente premiados, (As mães de Chico Xavier, Homens com cheiro de flor e Antes do sol), teve seu livro de contos Amores Cachorro (edição independente), como semifinalista no Prêmio Oceanos de 2019. Amoroso Cangaço é o seu romance de estreia.
Ficha técnica
| Autoria | Emmanuel Nogueira Ribeiro | |
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| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
| Revisão | Matheus Mitre | @mmitretayar |
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