A Mondru Editora lança Aos ouvidos dos cães, segundo livro de poemas de Felipe Bier Nogueira. Na obra, o autor parte da matéria física dos sons e da linguagem para aprofundar investigações poéticas sobre as transformações corporais, a história e a questão trans, demarcando tensões entre o silêncio, a memória e as inscrições da fala no cotidiano.
Composta por 45 poemas, a coletânea articula episódios biográficos, paisagens brasileiras, referências ao cinema e reflexões sobre a temporalidade. Os textos examinam ruídos, falhas na voz, frequências sonoras e a fricção dos tecidos orgânicos contra a linguagem. Nas páginas, o corpo se apresenta como matéria porosa submetida a marcas, hormônios, cortes e heranças familiares, confrontando expectativas de gênero e limites anatômicos.
A construção formal dos poemas explora versos livres, tabulações espaçadas, cortes abruptos e variações rítmicas que mimetizam a respiração, a hesitação da fala e a arrebentação marinha. Nogueira estrutura suas composições a partir de imagens concretas, associando termos clínicos e fisiológicos a elementos telúricos como a terra, a areia, o fogo do cerrado e o mar, dispensando artifícios decorativos para concentrar a força expressiva na própria articulação do poema.
Felipe Bier Nogueira nasceu em Campinas (SP), em 1985. Poeta e psicanalista lacaniano com mais de dez anos de prática, é doutor em Teoria Literária pela Universidade de São Paulo (USP). Estreou na poesia em 2025 com o livro Baleia (Editora Urutau), obra semifinalista do Prêmio Jabuti.
Sobre a obra
- Gênero
- Poesia
- Selo
- Mondru
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 06/11/2026
- ISBN
- A caminho
- Preço de capa
- R$ 59,90
"Aos ouvidos dos cães" é um livro cujos poemas formam um corpo. Trata-se de um corpo de memórias de infância, adolescência, dos momentos de descoberta da voz, dos toques em peles e palavras, do sexo próprio e do outro, um corpo de alteridades e repetições. O título indica, no entanto, uma veia que corre no dorso do livro: haveria algo de inumano — para não dizer animal — que se desdobra em cada um destes ângulos que compõem o livro. Cada poema parece ser um degrau na espiral que leva a um lugar de indeterminação — seja ela de gênero, sexulidade, ou mesmo da própria imagem do corpo que o autor habita. É neste lugar inquietante que se ouvem os harmônicos dissonantes em cada um dos poemas.
Citações
“Meu último gesto de criança foi quando ouvi-o contar a história do caboclo d’água, partiria junto a ele no rio desde então dedico a vida ao leito que o chão cuspiu à areia que cuspo, cuspo e cuspo toda vez que minha voz de homem sobe do tórax para fazer-se em harmônicos cada vez mais graves 220, 110, 55, 27,50 hz frequências subumanas afeitas aos ouvidos dos cães.”
Sobre a autoria
Felipe Bier Nogueira
Nascido em Campinas, São Paulo, em 1985. Em 2016 defendi Doutorado pela USP na área de Teoria Literária. Há mais de dez anos, atuo como psicanalista lacaniano, empreitada diretamente ligada à relação com a escrita, pois é o que se dá a cada sessão. Em 2025 lancei meu primeiro livro de poesias, Baleia, pela Ed. Urutau. Ao ouvido dos cães é minha segunda obra, na qual aprofundo as investigações entre a palavra poética e o corpo, a história e a questão trans.
Ficha técnica
| Autoria | Felipe Bier Nogueira | |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
| Revisão | Camilla Machado |
Contato
Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/aos-ouvidos-dos-caes/