Capa de Brevíssimo itinerário de uma existência absurda
Brevíssimo itinerário de uma existência absurda · Simões e Silva Press release

A sinfonia da dexistência

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O cenário literário contemporâneo ganha uma obra de peso com o destaque de Brevíssimo itinerário de uma existência absurda, escrito por Simões e Silva.

Uma narrativa inovadora que costura uma profunda reflexão existencial a uma crítica ácida sobre os rumos da sociedade moderna, o fanatismo religioso e as tragédias ambientais.

A história se constrói a partir de um conceito original e ousado formulado na obra: a "dexistência", definida no jargão do livro como um estado de transcendência alcançado por meio da supressão da consciência individual e da percepção da ausência de propósito. Esse é o caminho extremado buscado por Jean, um brilhante, porém desiludido, estudante de Direito, que abandona a sociedade e sua companheira grávida, Maria B., para realizar a mais inusitada das transubstanciações: transformar-se, literalmente, em música.

A genialidade narrativa de Simões e Silva se consolida na forma como a trama avança no tempo e transita pelas gerações, focando posteriormente em Galeano, filho biológico de Jean. Criado no campo, Galeano vê seu mundo ruir após sua mãe e seu pai de criação (Pio) serem mortos no trágico rompimento da barragem de uma mineradora, evento que devastou o vale em que viviam. Entregue à própria sorte na cidade grande, o jovem aluga por acaso o antigo quarto de seu pai biológico, onde descobre um baú trancado com os diários filosóficos de Jean e passa a ser acompanhado e assombrado por uma misteriosa melodia onipresente.

Outro ponto alto e inovador da obra é a sua intrincada estrutura polifônica. Dividida em três blocos principais (Livro I, Livro II e Livro III), a história utiliza múltiplos recursos narrativos de vanguarda, mesclando fluxo de consciência, relatórios, sonhos e epístolas — como as reveladoras cartas de Toshio, antigo amigo de Jean e tutor de Galeano. Além disso, a obra é um primor de intertextualidade, dialogando abertamente com gigantes da literatura e da filosofia; o texto traz citações de Albert Camus, Clarice Lispector, Michel Foucault, James Joyce e Gabriel García Márquez para embasar e aprofundar a crise dos personagens.

Em seu clímax, no Livro III, sintomaticamente intitulado "Comportamentos Inautênticos Coordenados", a obra eleva sua voltagem e adquire contornos de um thriller sociopolítico. Galeano, já adulto, casado com Dora e consagrado intelectualmente, escreve um artigo contundente criticando o extremismo da autodenominada "Igreja do Culto Místico Sensorial". A reação da seita expõe os perigos do fascismo e a violência da ignorância organizada, culminando em uma perseguição implacável que resulta no brutal assassinato de Galeano, sua esposa, sua filha de seis anos e até do cachorro da família, por ordem de fanáticos.

Brevíssimo itinerário de uma existência absurda consolida-se, portanto, como uma leitura obrigatória e urgente. Simões e Silva entrega não apenas um romance denso, mas um poderoso manifesto sobre a vulnerabilidade humana frente às engrenagens opressoras do fado, da hipocrisia social e da barbárie. A inovação temática e o domínio narrativo justificam amplamente a celebração desta obra singular, que desafia o leitor a encarar o alto preço cobrado pela lucidez em um mundo cada vez mais cego e intolerante.

Sobre a obra

Gênero
Romance
Selo
Mondru
Páginas
280
Formato
14 × 21 cm
Lançamento
17/03/2026
ISBN
978-65-6042-207-0
Preço de capa
R$ 69,90

"Brevíssimo Itinerário de uma Existência Absurda" segue Jean, um jovem brilhante, mas depressivo, obcecado pela dexistência, um estado de transcendência obtido pela consciência da ausência de propósito. A história se estrutura em três partes que narram a trajetória de diversas personagens (incluindo um vírus) em meio a questionamentos, descobertas, perplexidades, escolhas e decepções. Na primeira parte, trata de momento na vida de três estudantes de Direito, incluindo Jean, a dispersão e o reencontro (físico e metafísico) deles. Na segunda, acompanha a transição de seu filho, desde uma tragédia pessoal até seu amadurecimento. Na terceira, uma parábola do existir absurdo em nossos dias. A linguagem em “Brevíssimo Itinerário de uma Existência Absurda” é profundamente filosófica e densa, marcada pela eloquência e clareza dos personagens, mesmo ao articularem ideias complexas e abstratas.

Citações

“Não há um plano, não há propósito, nunca houve projeto de nós, sempre ajuntamento de eus, uns mais perdidos que outros… Agora eu aqui, seguindo meu roteiro, tudo em primeira pessoa do singular, mas é provável que haja repercussões, talvez, até traumas… Involuntários, certamente, mas essa coisa de trauma não é exata… Lamento, mas não se deve classificar de trágico o que é apenas sério… E não quero passar por aqui sem ter ao menos deixado uma lembrança e uma mensagem que sirva de algum rastro de propósito a quem quer que seja no futuro… Essa talvez seja a imortalidade possível, o vislumbrar da arte na qual desejo me transubstanciar… Palavra bonita que eu gostaria que fosse além da ideia que encerra …”; ou: "No início é somente a NÁUSEA… Depois vem o processo de decantação dos sentidos e a necessidade de voltar atenção ao que lhe circunda. Se possível, sem alarde. A seguir, é esperar a digestão dos signos e daí o resultado, a depender do indivíduo: uma pintura, um texto, luz, vísceras ao chão ou absolutamente nada. Para se tornar outra coisa, a náusea deixa de ser o prenúncio de uma criação e passa a ser perene, até converter-se em existência. Nada detém a lucidez do propósito daquele que dexistiu. Seu caminho pavimenta a ânsia pela compreensão do óbvio: a superação de si mesmo não é a sua negação. Antes, sua superafirmação! A ânsia vai tomando lentamente o corpo até converter-se em obra de arte, não mais mero processo fisiológico destinado inexoravelmente à morte. Todo o antes nada mais é do que o processo de criação."; ou: "Eu me lembro da primeira pedra que atirei na noite vazia. Uma atitude desconstrutivista, eu sei… Foi o prenúncio de alguma coisa que já não me lembro, e que não faz sentido. Mas, enfim, o amor é e está! Não necessita de acabamento. Éramos pureza instintiva, suave brisa e frescor mórbido. Todas aquelas vicissitudes ambíguas das quais se teme a aproximação. Varreram-se milênios de História na porta de uma loja de refeições rápidas: tristes jovens com suas feições derrotadas e beiços sujos de mostarda. Convenhamos, perdemos a graça!"; ou ainda: "A fala do insano transcende sua própria percepção, e revela o que deveria permanecer oculto.”

Sobre a autoria

Foto de Simões e Silva

Simões e Silva

@mlsimoesilva

Márcio Luiz Silva, advogado, assina Simões e Silva seus textos literários. Publicou em 2024, pela Caravana Grupo Editorial, a coletânea de contos "O que importa não tem nome".

Ficha técnica

AutoriaSimões e Silva@mlsimoesilva
EditorJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Capa e projeto gráficoJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Coordenação editorialJuliana Matos@juliana3matos
Assistente editorialAugusto Oliveira
RevisãoMatheus Mitre@mmitretayar

Contato

Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/brevissimo-itinerario-de-uma-existencia-absurda/