O livro se apresenta como uma exploração visceral do afeto, onde a poesia não apenas descreve o sentimento, mas esculpe uma nova forma de comunicação entre os corpos e as almas. Este novo lançamento da Mondru Editora apresenta ao público uma narrativa poética que desafia as convenções tradicionais do gênero, mergulhando na crueza e na sacralidade das relações humanas.
Centralizando-se na metáfora que dá título ao livro, Dacoregio propõe que o amor é uma entidade capaz de semear palavras prenhes e florescer universos. A narrativa poética sugere que, no encontro amoroso, cria-se um "idioma por nascer", uma fala potente e antiga que desafia a compreensão convencional e se revela plenamente no toque e no "enleio da saliva". Essa busca por uma nova língua para o desejo é o fio condutor que une os versos da obra.
Uma das grandes qualidades da obra é a sua coragem narrativa e inovação estilística. A autora transita com fluidez entre o sublime e o profano, utilizando um vocabulário que vai de "ninhos de sagradices" e benzimentos a expressões de desejo explícito e entrega física absoluta. Essa abordagem rompe com o lirismo passivo, apresentando, por exemplo, a imagem de uma mulher que "rebola sobre convenções" e reivindica sua própria deslucidez e poder de assumir seu querer.
A obra é ricamente ilustrada por metáforas astronômicas e geográficas que ampliam a escala do sentimento. O ser amado é descrito como uma "cordilheira" ou um "continente", enquanto o eu lírico utiliza "astroslábios" para tentar desvendar o céu de uma boca mapeada por estrelas de outros hemisférios. Essa cartografia do desejo transforma o encontro amoroso em um "horizonte de eventos", onde a matéria se torna prazerosa e habitável.
A narrativa não se furta de explorar as feridas e as dualidades da entrega. O livro aborda o "lar de lâminas" e a "saudade que infesta a ausência", reconhecendo que amar pode ser um "deus que exige sacrifício". No entanto, há sempre um movimento em direção à plenitude, onde os "olhos de arado" do outro garantem colheitas fartas e transformam a dor em uma "ferida saliente" que, paradoxalmente, acolhe e nutre.
Andreia Dacoregio demonstra em Pastor de idiomas uma maturidade poética singular, marcada por uma língua bifurcada que instila dialetos indecifráveis na boca amada. Sua escrita revela uma autora que não teme o abismo e que busca um vínculo que resista entre sombras e escombros, situando o amor no espaço exato entre a loucura e a poesia.
Sobre a obra
- Gênero
- Poesia
- Selo
- Mondru
- Páginas
- 88
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 16/06/2026
- ISBN
- 978-65-6042-202-5
- Preço de capa
- R$ 59,90
Não há astrolábio que nos guie nas imensidões do amor. Nesse céu e inferno mapeado por estrelas de indefinidos hemisférios seguimos avançando precariamente sobre abismos, na esperança de mares calmos e de uma navegação que nos leve a campos fartos. Pastor de Idiomas é um livro sobre o amor em suas muitas nuances e facetas. O amor que nos pastoreia.
Citações
“Teus olhos, tua língua, tua boca, todos alumiados pelo farol do amor desenhados nas grutas de Andreia Dacoregio. A poesia de Andreia vem do mato com plenitudes enraizadas nas dúvidas. Não há, de fato, nenhuma certeza e com band-aid no peito fala-se de amor. Amor que conduz a uma cordilheira, um continente, um oceano. Ela pastoreia sem rumos e com idiomas banhados de sal ou palavras trituradas em cacos jogadas ao deserto, oferece-nos as vísceras e outras cicatrizes evaporadas de desejos. Ausências e amantes compõem o mesmo dilema. Entre arames farpados e cadelas babantes, uma mulher de quatro grita, lambe, fode. E não se iluda com os braços cruzados, pois eles jamais destruirão todo o amor deste mundo! A poesia dilacerante deste livro nos impulsiona a ter coragem para seguirmos caminhos sem nortes.” Desirée dos Santos”
Sobre a autoria
Andreia Dacoregio
@andreiadacoregioAndreia Dacoregio é poeta, tem vastidão de amor e segue abismada e torta. Poemasceu em SC, no Sul do mundo, em um dia segundo, na hora curva do escuro de um ano erótico e lunático. Mãe corujíssima do Enzo e do Ettore e com dois livros de poesia publicados: A fala da pele, uma edição independente, e O Violão da Matilha pela Editora Mondru, que ficou entre os 10 finalistas do 2º Prêmio Candango de Literatura e do Prêmio Cruz e Souza. Deixa rastros de cometa, cometa versos e verseja trocas nas redes, @andreiadacoregio.
Ficha técnica
| Autoria | Andreia Dacoregio | @andreiadacoregio |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Augusto Oliveira | |
| Revisão | Letícia Zambom |
Contato
Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/escandalizar-desertos/