Capa de Não volte sem ele
Não volte sem ele · Rafael Caneca Press release

Uma jornada de fé e sobrevivência nos campos de concentração da seca de 1932 em "Não Volte Sem Ele"

O amor fraternal à prova no Campo do Patu

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No ano de 1932, o sertão do Ceará enfrenta uma de suas estiagens mais cruéis, onde o céu não chora há meses e o roçado se transforma num cemitério de galhos retorcidos. Neste cenário desolador, na vila de Mombaça, a família Alves luta para manter a dignidade enquanto a fome começa a corroer suas esperanças. O silêncio na casa de taipa é pesado, refletido na figura da matriarca Umbelina, cuja voz secou completamente após a partida do filho mais velho, Antônio, para Fortaleza três anos antes.

A narrativa ganha força quando José, o pai de mãos grossas e rosto marcado pelo sol, toma uma decisão desesperada para salvar a família da miséria. Ele vende as últimas cabras e incumbe Tomás, o filho caçula que sabe ler e escrever, de uma missão que carrega o peso de uma sentença. Ao entregar ao jovem as economias da família e uma imagem de Santa Genoveva — a guardiã da casa —, José profere a ordem que dá título e sentido à obra: "Não volte sem o Antônio".

O que começa como uma viagem de resgate transforma-se em um retrato brutal da realidade dos retirantes nordestinos. Guiado pelo experiente Tião, Tomás atravessa a caatinga até Senador Pompeu, testemunhando o êxodo de famílias inteiras que buscam salvação no litoral. No entanto, ao chegar à estação de trem, o protagonista descobre que o dinheiro da passagem não é suficiente para garantir o embarque; uma burocracia impiedosa exige endereço fixo na capital, impedindo a fuga dos mais pobres.

Impedido de seguir viagem e proibido de retornar sem cumprir sua promessa, Tomás é empurrado para o Campo de Concentração do Patu. Apresentado pelo governo como um local de assistência e higiene para os flagelados, o campo revela-se um "curral de gente", cercado de arame farpado, onde milhares de sertanejos são amontoados sob vigília armada. Ali, a luta de Tomás deixa de ser apenas pelo reencontro com o irmão e passa a ser pela própria sobrevivência em meio ao tifo, à fome e à desumanização.

"Não Volte Sem Ele" mergulha o leitor em um capítulo doloroso da história brasileira, explorando a tensão entre a fé religiosa e o abandono estatal. Através dos olhos de Tomás, somos confrontados com a injustiça de um sistema que esconde a miséria atrás de cercas para preservar a imagem de progresso da capital. É uma história sobre o peso das promessas familiares e a resistência do espírito humano em um lugar onde a morte se torna uma vizinha constante e as orações parecem não ter resposta.

Sobre a obra

Gênero
Romance
Selo
Mondru
Páginas
160
Formato
14 × 21 cm
Lançamento
05/12/2025
ISBN
978-65-6042-234-6
Preço de capa
R$ 59,90

1932, sertão do Ceará. Tomás tem apenas uma missão: encontrar o irmão Antônio, que, após se mudar para a capital, parou de mandar notícias. Com a seca devorando a terra e a família à beira da fome, o jovem parte levando consigo a santa de madeira que protegeu gerações dos Alves e uma ordem do pai que ecoa como sentença: “Não volte sem ele”.

Mas o que Tomás não imagina é que sua busca o levará aos portões dos temidos campos de concentração — cercados de arame farpado onde o governo confinou milhares de retirantes durante a Grande Seca. Ali, entre doença, morte e desespero, ele descobrirá verdades devastadoras sobre o destino do irmão e sobre si mesmo.

Baseado em fatos reais que o Brasil preferiu esquecer, Não Volte Sem Ele é um romance arrebatador sobre os laços familiares que resistem mesmo diante do horror. Uma história que precisa ser contada — e lembrada.

Citações

“Colocou a imagem nas mãos do filho com a mesma seriedade com que se entrega uma responsabilidade inescapável. [...] — Não volte sem o Antônio. A ordem pairou no ar como poeira em suspensão. Tomás permaneceu sentado, o peso da santa nas mãos, o peso da missão nos ombros. Não era uma viagem — era uma ordem, uma obrigação que carregava o mesmo peso das leis antigas do sertão.”

“Do lado de fora, ouvia-se apenas o raspar metódico da vassoura no terreiro. Umbelina estava lá, em seu ritual diário de limpeza, um silêncio mais eloquente que qualquer palavra dita. Desde que Antônio partira, sua voz havia secado como as águas do açude — uma seca diferente, que vinha de dentro. Mas seus olhos, grandes e escuros como duas jabuticabas maduras, falavam por ela, carregando toda a dor e a esperança que sua garganta já não conseguia expressar.”

“— A seca não é nosso pior mal. O pior é ser tratado como bicho. [...] Sabe por que estamos aqui? — o velho continuou, aos sussurros. — Pra não sujar Fortaleza com nossa miséria. A capital tá bonita, cheia de luz elétrica e gente fina. Não querem miserável nas ruas.", "— Isso aqui tá parecendo um curral de gente. Era verdade. Estavam ali como bichos, cercados, controlados, esperando um destino que não escolheram. Os mais fortes eram selecionados para trabalhar na construção do açude, na limpeza do campo ou ajudar a cavar as valas onde enterravam os mortos — e, em troca, receber uma porção extra de comida.", "No alto da colina, os homens da Inspetoria faziam suas anotações. Menos um retirante… mais um número na lista dos mortos… [...] Em breve, nem isso sobraria: os arquivos do Campo do Patu — nomes, datas, números frios que tentavam conter vidas inteiras —, como tantos outros registros daquele tempo, seriam levados pelo vento e se perderiam junto com a poeira do sertão, como se a própria memória oficial daquele lugar se recusasse a persistir.",”

Sobre a autoria

Foto de Rafael Caneca

Rafael Caneca

@pacotedetextos

Rafael Caneca nasceu em Fortaleza, Ceará, onde vive até hoje, e tem como principais influências literárias Machado de Assis, Graciliano Ramos e José Saramago.

Apaixonado por futebol, formado em Direito e servidor público, foi aspirante a diplomata antes de retornar à literatura, seu verdadeiro campo de batalha. Integra o Coletivo Delirantes de Escritores e mantém, há mais de dez anos, o Pacote de Textos, perfil dedicado a incentivar o hábito da leitura.

“Não volte sem ele” é seu romance de estreia, fruto de extensa pesquisa sobre os campos de concentração criados na década de 1930 no Ceará — um dos episódios mais brutais e silenciados da história brasileira.

Ficha técnica

AutoriaRafael Caneca@pacotedetextos
EditorJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Capa e projeto gráficoJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Coordenação editorialJuliana Matos@juliana3matos
Assistente editorialKhálysto Soares@khalysto.soares
RevisãoMatheus Mitre@mmitretayar

Contato

Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/nao-volte-sem-ele/