A obra "O relógio sem ponteiro narra tempos distorcidos" emerge como um lançamento notável no cenário literário, oferecendo uma profunda reflexão sobre o tempo, a sociedade e a resiliência humana. A autora, Adeola Adewole, apresenta um universo distópico de múltiplos tempos e realidades que se entrelaçam, convidando o leitor a questionar as estruturas de poder e as definições de existência em um futuro não tão distante. O livro se destaca por sua qualidade narrativa, inovação estrutural e a abordagem de temas urgentes, tornando-a um marco na trajetória da escritora.
Uma das grandes inovações narrativas reside na forma como o tempo é explorado e percebido por seus personagens. Seja através do "tempo defeituoso" de Magaia, que busca alinhar sua cronologia de vida, ou da Nora, cujo tempo emocional permanece estagnado apesar do avanço dos anos de isolamento, a obra desmantela a linearidade cronológica convencional. Eshi, por sua vez, experimenta uma contagem de tempo "totalmente diferente" ao se afastar da Terra, revelando como o ritmo da vida é intrinsecamente ligado ao ambiente e à percepção individual. Essa subversão do tempo é um elemento central que enriquece a profundidade filosófica do livro.
A narrativa é tecida através de múltiplas perspectivas e histórias interconectadas, revelando as complexidades de um mundo pós-colapso. Desde a desesperada busca de Jonas e Hortênsia por cura e liberdade em Alto Chão, uma cidade que explora seus cidadãos em troca de recursos e segurança, até a resiliente "Trapezista" Mn, que se recusa a abandonar sua arte e memória em face da proibição do circo, cada arco oferece uma visão crítica sobre a privatização de recursos essenciais e a estratificação social. A forma como as cidades são compradas por corporações como AquaVita e Lux exemplifica um futuro onde o bem-estar é uma mercadoria.
Os personagens são construídos com profunda complexidade e realismo, lutando por conexão e propósito em ambientes hostis. Dana, uma programadora de autômatos de Alto Chão, exemplifica a ambiguidade moral ao se deparar com a engenhosidade e o desespero de Hortênsia, culminando em uma surpreendente aliança motivada por admiração e empatia. A história de Nora e Lena em Água Fria explora o desejo humano por proximidade em um contexto de isolamento compulsório e culpa social, enquanto Eshi, em sua jornada espacial, lida com a solidão e a busca por um novo lar, confrontando a insignificância das conquistas humanas diante da vastidão do universo.
A obra de Adeola Adewole é uma exploração contundente das consequências da degradação ambiental e da manipulação social. Com cenários que variam de periferias contaminadas a cidades subterrâneas e naves espaciais, a autora cria um mundo imersivo e perturbador que reflete preocupações contemporâneas. "O relógio sem ponteiro narra tempos distorcidos" não é apenas uma coleção de histórias; é um espelho das ansiedades coletivas sobre o futuro, um apelo à reflexão sobre as escolhas que moldam nossa realidade e uma celebração da persistência do espírito humano, mesmo nas circunstâncias mais desafiadoras. É uma obra que promete marcar seus leitores e gerar discussões significativas sobre os caminhos da humanidade.
Sobre a obra
- Gênero
- Contos
- Selo
- Lentes
- Páginas
- 80
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 13/08/2025
- ISBN
- 978-65-6042-152-3
- Preço de capa
- R$ 59,90
O relógio sem ponteiro narra tempos distorcidos, organiza cinco contos, histórias curtas sobre a entidade Tempo. Futuros possíveis, horas significantes dentro e fora da cronologia e da realidade da qual existimos no presente momento. Personagens fictícios em diferentes contextos e momentos lidam com seus desafios, seja a história de dois amigos que tentam sobreviver dentro de uma realidade hostil de um tempo futuro, seja o desafio de Magaia em seguir seus anseios e ir atrás do Senhor Tempo para que este lhe dê as respostas para suas angústias. De formas diferentes, a entidade Tempo é a protagonista dessas histórias e contos poéticos, mostrando-se indefinível, imutável e incontrolável, perpassando sociedades de autoridades controladoras e angústias de um jovem que sonha em ter o mesmo desabrochar das pessoas ao seu redor.
Citações
“A vida à sua volta caminhava num instante, assim como a própria vida, que parecia estancar em ciclos facilmente superados por quem estava ao seu redor. A vida passava num instante e ele continuava perdido, sem perceber como havia ficado para trás outra vez. Sonhava com dias em que seu tempo estivesse certo, dias nos quais andaria no ritmo ideal sem que ninguém pudesse ultrapassá-lo.”
Sobre a autoria
Adeola Adewole
@adeola.aadewoleAdeola, é nascida e criada na cidade de São Paulo, SP e gosta de escrever e criar histórias basicamente desde que aprendeu a ler e, mesmo antes disso, já tinha o costume de ouvir narrativas dos livros infantis que sua mãe lia para ela e seu irmão antes de irem dormir. Todos esses aspectos influenciaram em sua criatividade em criação de universos paralelos, assim como seu hábito precoce de escrever em diários sempre a estimulou a evoluir em sua escrita. Professora graduada e mestranda em literatura, sempre da um jeito de se manter escrevendo, mantendo aceso seu sonho de infância: ter a escrita criativa como uma profissão também.
Ficha técnica
| Autoria | Adeola Adewole | @adeola.aadewole |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Augusto Oliveira | |
| Revisão | Matheus Mitre | @mmitretayar |
Contato
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