A obra "Para não morrer precisei te matar de mim", da autora Ane Lima, publicada pela Mondru Editora, emerge como um testemunho poético impactante e visceral, que transcende a mera literatura para se tornar um grito de resistência e autodescoberta. O livro, uma coletânea de poemas, aborda a dolorosa jornada de cura e libertação de traumas profundos, servindo como uma catarse para a autora e um espelho para inúmeras vozes silenciadas. Ao optar pela "palavra grito" em detrimento da "palavra muda, silenciosa", Ane Lima posiciona sua obra como um ato vital, um "parir" de si mesma para o mundo, revelando a força e a coragem de quem se recusa a morrer em vida.
A narrativa é marcada por uma honestidade brutal e uma coragem inabalável ao "descascar a ferida", expondo as cicatrizes ainda abertas de um passado que insiste em sangrar. A autora escreve sobre o que "faz sangrar os olhos" e sobre "pedaços seus arrancados ainda na infância", uma dor que nenhuma "planta medicinal, igreja ou terapia" foi capaz de cessar. Essa imersão nas memórias dolorosas, mesmo que o corpo "se contorça e grite para parar", é uma qualidade inovadora que desarma o leitor e o convida a confrontar as próprias feridas.
Um dos pilares temáticos e uma grande inovação da obra é a denúncia explícita do machismo e dos "amores patriarcais". Ane Lima expõe a "definição distorcida sobre o amor" aprendida, que a levou a ser "menosprezada [e] humilhada como prova de amor", e a vivência de uma "boa menina" que "não discute ou obedece ou apanha". O livro confronta a realidade de mulheres que "cresceram entre socos e pontapés" e foram ensinadas que "tudo é permitido (mas se você for mulher) nada convém" , transformando a dor pessoal em uma crítica social contundente.
Apesar da profunda dor, a obra se destaca pela resiliência e pela jornada de autoconhecimento e empoderamento. A autora descreve ter sido "presa dentro de uma jaula" e "anulada", com suas "asas arrancadas". Contudo, é através da escrita e da leitura que essas asas "novamente começaram a crescer", permitindo-lhe "voar com asas literárias" e "deu adeus ao passado". Esse processo de "curar-se" e "reconstruir tudo novamente" após um "baque grande da vida" é a essência da inovação narrativa, que transforma a vulnerabilidade em uma força inquebrável.
A inovação estilística reside na preferência da autora pela "palavra grito", que rompe com o silêncio imposto e reflete a impossibilidade de conter os "excessos" que "escorrem dos poros". A obra se posiciona como um "NÃO com letras maiúsculas ao machismo" e um "NÃO em negrito ao feminicídio", ecoando uma revolução que a autora encarna, provando que "ser mulher é ser coragem, ousadia e fé". A poesia, aqui, não é apenas arte, mas um instrumento de luta e cura.
Para não morrer precisei te matar de mim é um livro que merece destaque pela sua relevância temática, profundidade emocional e coragem inovadora. Ele oferece uma voz para traumas calados e empodera mulheres a se reconhecerem como "a mais improvável revolução".
Sobre a obra
- Gênero
- Poesia
- Selo
- Ponto de Vista
- Páginas
- 88
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 29/07/2025
- ISBN
- 978-65-85965-02-6
- Preço de capa
- R$ 59,90
Este não é um livro de poemas, é um espelho quebrado onde cada estilhaço reflete uma tentativa de amor. Nele, o eu lírio se desfaz e se refaz entre relações frágeis, narcisistas, abusivas. Palavras que não pedem licença para doer. São fragmentos de um sentir cru, que sangra e sussurra ao mesmo tempo. A cada página, uma entrega. A cada verso, uma ausência que pesa. E então, o silêncio: aquele em que se escuta o que antes se calava. O amor-próprio não chega como resposta, mas como sobrevivência. "Para não morrer, precisei te matar de mim" é travessia íntima. Mais que leitura, é encontro. Daquilo que fomos. Daquilo que suportamos. Daquilo que, enfim, escolhemos deixar. É preciso uma coragem quase selvagem para se abandonar quem não nos ama, inclusive quando esse alguém somos nós.
Citações
“Para não morrer precisei te matar de mim" é um livro que pulsa entre o corte e a cura. Poemas que não pedem desculpas: expõem, rasgam, silenciam, até o grito virar ausência. Ane Lima atravessa as camadas das relações: frágeis, abusivas, narcísicas para descobrir, entre os escombros, a possibilidade da cura de si como último abrigo. Não há lições aqui, apenas vestígios. Não há respostas, só espelhos onde o leitor pode se ver, partir ou permanecer. Este livro conforta, mas também fere. E é dessa ferida que nasce a cura de si.”
Sobre a autoria
Ane Lima
Ane Lima é palavra que canta. Estudante de Música pelo IF Sertão-PE, traz na escrita e na voz a força do sertão e a delicadeza da alma que transborda. Asalateira de essência, é também cantora no trio Cantosdagua, contista e poeta. Autora de À Flor da Alma e coautora dos livros Manifesto Poético e Poemas para Apaixonados, Ane caminha entre notas e versos com a mesma intensidade com que vive: de peito aberto e olhos atentos ao que pulsa nas relações humanas. Em sua escrita, transforma feridas em poesia, silêncio em grito, dor em linguagem. Para não morrer precisei te matar de mim, é mais uma travessia íntima onde ela oferece não respostas, mas espelhos. Porque Ane não escreve para explicar, escreve para sentir.
Ficha técnica
| Autoria | Ane Lima | |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Augusto Oliveira | |
| Revisão | Letícia M. Zambon |
Contato
Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/para-nao-morrer-precisei-te-matar-de-mim/