Capa de Parque das flores mortas
Parque das flores mortas · Lindjane Pereira Press release

Entre a Lama e o Veludo: O Universo de “Parque das Flores Mortas”

Onde a vida insiste em reflorescer apesar de tudo

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O livro “Parque das Flores Mortas” apresenta ao leitor a dura e poética trajetória de Inês, uma jovem carinhosamente apelidada de Flor de Laranjeira por sua mãe, Nevinha. Criada em uma comunidade humilde, Inês vive uma infância marcada pela simplicidade e pela proteção do amor materno, até que uma doença repentina e fatal lhe tira a mãe. Enviada a um abrigo pelo Conselho Tutelar, a garota se recusa a aceitar seu novo destino e foge, passando a viver nas ruas de João Pessoa. A partir desse momento, o cheiro doce e cítrico da flor de laranjeira se torna o seu maior elo espiritual com o passado e com a memória da mulher que a amou.

Nas ruas do centro da cidade e no Parque da Lagoa, a protagonista é inserida em uma realidade brutal e impiedosa. Ela se depara com a "Tropa", um grupo de crianças e adolescentes marginalizados conhecidos como cheira-colas, liderados por Preta, uma garota cruel, dominadora e de marcantes olhos azuis que impõe sua autoridade através do medo e da violência. Obrigada a pedir esmolas, roubar e ser introduzida ao vício da cola de sapateiro, Inês conhece o lado mais sombrio do abandono humano. Contudo, em meio a esse cenário desolador, ela encontra um frágil refúgio na amizade com Nina, a doce irmã de Preta, que usa a imaginação para suportar a fome e a miséria.

A grande virada na narrativa ocorre após um ataque traumático que quase tira a vida da protagonista. Inês é misteriosamente resgatada por Madame Lourdinha, a enigmática e influente proprietária do bordel mais cobiçado da Rua da Areia. Retirada da sujeira do asfalto, a garota é levada para um casarão luxuoso, onde recebe cuidados médicos, roupas finas, refeições fartas e lições de etiqueta. O ambiente, frequentado pela elite política e empresarial do estado, torna-se, no entanto, a sua nova e dourada prisão.

Preparada meticulosamente para ser o principal atrativo da casa, a jovem passa por uma profunda transformação, simbolizada por um par de sapatos vermelhos — seus inesquecíveis scarpins de salto agulha. A menina assustada das ruas dá lugar a uma mulher envolvente que domina os salões dançando tango e bolero. No entanto, por trás do glamour, das luzes vermelhas e do perfume amadeirado dos clientes, esconde-se uma teia de exploração, segredos obscuros e rivalidades perigosas entre as mulheres do cabaré, tudo sob o olhar calculista de Madame e de sua governanta, Cátia.

É nesse universo de luxúria e aparências que Inês atrai a atenção de Heitor, um belo e ambicioso político vindo de uma família tradicional e poderosa. Arrematada pelo jovem em um bizarro leilão de virgindade promovido para celebrar seus quinze anos, a protagonista se entrega a uma paixão intensa, avassaladora e repleta de amarras. Dividida entre o amor genuíno que sente por ele, as promessas de um futuro impossível e as cruéis exigências da sua vida como cortesã, Inês se vê diante de um homem que é, ao mesmo tempo, sua salvação temporária e sua ruína.

A obra se consolida como uma reflexão profunda sobre sobrevivência, perda da inocência e a busca incansável pela própria identidade e redenção. A garota dos sapatos de fogo precisa lutar não apenas contra a marginalização e contra os homens poderosos que tentam moldar seu destino, mas também contra os fantasmas e traumas do seu passado. Parque das Flores Mortas convida o leitor a mergulhar em uma cidade de contrastes gritantes, sentindo a frieza das calçadas, o calor ardente das paixões e a eterna esperança de que, mesmo em ruínas, a vida insiste em reflorescer.

Sobre a obra

Gênero
Romance
Selo
Mondru
Páginas
140
Formato
14 × 21 cm
Lançamento
23/09/2026
ISBN
978-65-6042-251-3
Preço de capa
R$ 59,90

“Parque das Flores Mortas” narra a dura e emocionante jornada de Inês, uma garota que, após a trágica morte de sua mãe, foge de um abrigo e passa a viver nas ruas de João Pessoa, lutando pela sobrevivência em meio a um grupo de jovens marginalizados e dependentes de cola de sapateiro. Após um evento traumático que quase tira sua vida, o destino da protagonista sofre uma reviravolta quando ela é acolhida pela dona de um luxuoso cabaré, que a transforma em uma cobiçada cortesã. Imersa nessa nova realidade de luxúria e exploração, a jovem dos marcantes sapatos vermelhos se vê envolvida em uma paixão intensa e cheia de obstáculos por Heitor, um ambicioso e influente jovem político. Dividida entre as dores do passado, os perigos do bordel e as desilusões de um amor impossível, Inês precisará encontrar sua força interior para enfrentar seus traumas e lutar pela própria liberdade e redenção.

Citações

“Ainda assim, adorava meus sapatos. Adorava a mulher que me tornei ao calçá-los; o som dos seus saltos finos, na altura de 10 centímetros, tocando no chão do salão vermelho como o meu scarpin. Cor da paixão que ainda sinto; cor da minha quase morte. Expostos na sapateira de madeira antiga, meus sapatos vermelhos são uma chama que resiste. Perfeitos, sem nenhum arranhão, marca ou sujeira, como se nunca tivessem me levado por caminhos nebulosos.”

“Passaram-se meses até que eu pudesse ser apresentada ao salão. Sonhos me atormentavam, a abstinência me consumia, tentei fugir, e a Madame me trouxe de volta, me preparou, me refinou. No dia da minha estreia, recebo um par de sapatos novos, bicos e saltos finos, um scarpin de couro vermelho, como jamais havia tido, para calçá-los em pés maltratados, que carregam as marcas do asfalto no qual pisaram muitas vezes descalços.”

“A escada do salão é um jardim suspenso, enfeitada com rosas vermelhas, ramagens e flores do campo que se enroscam nos corrimões. Ao contrário dos dias normais, nos quais o bolero e o tango imperam, dançarei uma valsa com um príncipe nada encantado, que pagará para subir comigo ao meu quarto, tirando de mim talvez o último fragmento de uma infância que poderia ter sido feliz. Desço a escadaria para ser reexibida a uma plateia de homens que, nesta noite, não querem apenas dançar comigo.”

“Todo final de tarde, venho aqui me despedir do dia. É preciso aprender a dizer adeus a tudo. Cada vez que alguém que amamos vai embora, a gente, da maneira como existia até então, também morre um pouco. Mas, aprenda uma coisa, menina: é da morte que a vida se alimenta. As palavras de seu Fernando chegaram a mim como uma pancada no peito e me fizeram pensar em como a morte da minha mãe também havia matado a menina que deveria ter sido e não serei nunca mais.”

“Sentada sob as árvores do parque da Lagoa, encaro a menina que fui. Ela rodopia ao meu redor. Entre feliz e alucinada, me lança sorrisos melancólicos e seus cabelos, chamas flutuantes, brilham enquanto ela corre – rápido, muito rápido – para longe de mim. Ela parece frágil; tem a alma marcada pelos tombos, mas é forte, muito forte, agora sei.”

Sobre a autoria

Foto de Lindjane dos Santos

Lindjane dos Santos

@lindjanepereira.letras

Lindjane Pereira nasceu em Feira de Santana-BA, mas vive em João Pessoa-PB. Tem graduação, mestrado e doutorado em Letras pela UFPB, onde também cursou Jornalismo. Em 2025, lançou a coletânea de contos “Entre muros e sussurros” (Minimalismos). Também tem contos publicados em coletâneas de várias editoras, como no livro “Eu, eu mesmo e o outro”, publicado pela editora Mondru. “Parque das flores mortas” é seu primeiro romance.

Ficha técnica

AutoriaLindjane Pereira@lindjanepereira.letras
EditorJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Capa e projeto gráficoJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Coordenação editorialJuliana Matos@juliana3matos
Assistente editorialKhálysto Soares@khalysto.soares
RevisãoTamiris Rudolf

Contato

Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/parque-das-flores-mortas/