Romance Campanha aprovada · a caminho Parque das flores mortas
Expostos na sapateira de madeira antiga, meus sapatos vermelhos são uma chama que resiste.
Onde o livro está.
A campanha terminou. Agora o livro atravessa quatro etapas até chegar à sua casa; a etapa atual está marcada.
Campanha encerrada e aprovada: o livro vai para a produção.
Diagramação final, prova virtual e fechamento dos arquivos para a gráfica.
Impressão e acabamento na gráfica parceira. A fila da gráfica define o tempo.
JaneiroOs exemplares chegam à editora e saem para quem comprou.
Sobre o livro
“Parque das Flores Mortas” narra a dura e emocionante jornada de Inês, uma garota que, após a trágica morte de sua mãe, foge de um abrigo e passa a viver nas ruas de João Pessoa, lutando pela sobrevivência em meio a um grupo de jovens marginalizados e dependentes de cola de sapateiro. Após um evento traumático que quase tira sua vida, o destino da protagonista sofre uma reviravolta quando ela é acolhida pela dona de um luxuoso cabaré, que a transforma em uma cobiçada cortesã. Imersa nessa nova realidade de luxúria e exploração, a jovem dos marcantes sapatos vermelhos se vê envolvida em uma paixão intensa e cheia de obstáculos por Heitor, um ambicioso e influente jovem político. Dividida entre as dores do passado, os perigos do bordel e as desilusões de um amor impossível, Inês precisará encontrar sua força interior para enfrentar seus traumas e lutar pela própria liberdade e redenção.
violência explícita; abuso ou violência sexual; uso de drogas; suicídio ou automutilação
Por que publicamos
Publicamos “Parque das Flores Mortas” porque é um romance de estreia que encara, sem concessões e sem sentimentalismo fácil, a infância desamparada e as formas de poder que cercam uma menina nas ruas e nos salões de João Pessoa. A cidade, com seus parques, igrejas, festas e becos, é personagem viva e reconhecível.
A voz de Inês conduz o leitor entre a memória da mãe, a dureza da sobrevivência e o fascínio de um mundo de aparências, com imagens fortes, como o cheiro de flor e os sapatos vermelhos, e uma linguagem que une oralidade nordestina e cuidado de escrita. É literatura que incomoda e acolhe ao mesmo tempo.
“Ainda assim, adorava meus sapatos. Adorava a mulher que me tornei ao calçá-los; o som dos seus saltos finos, na altura de 10 centímetros, tocando no chão do salão vermelho como o meu scarpin. Cor da paixão que ainda sinto; cor da minha quase morte. Expostos na sapateira de madeira antiga, meus sapatos vermelhos são uma chama que resiste. Perfeitos, sem nenhum arranhão, marca ou sujeira, como se nunca tivessem me levado por caminhos nebulosos.”
“Passaram-se meses até que eu pudesse ser apresentada ao salão. Sonhos me atormentavam, a abstinência me consumia, tentei fugir, e a Madame me trouxe de volta, me preparou, me refinou. No dia da minha estreia, recebo um par de sapatos novos, bicos e saltos finos, um scarpin de couro vermelho, como jamais havia tido, para calçá-los em pés maltratados, que carregam as marcas do asfalto no qual pisaram muitas vezes descalços.”
“A escada do salão é um jardim suspenso, enfeitada com rosas vermelhas, ramagens e flores do campo que se enroscam nos corrimões. Ao contrário dos dias normais, nos quais o bolero e o tango imperam, dançarei uma valsa com um príncipe nada encantado, que pagará para subir comigo ao meu quarto, tirando de mim talvez o último fragmento de uma infância que poderia ter sido feliz. Desço a escadaria para ser reexibida a uma plateia de homens que, nesta noite, não querem apenas dançar comigo.”
“Todo final de tarde, venho aqui me despedir do dia. É preciso aprender a dizer adeus a tudo. Cada vez que alguém que amamos vai embora, a gente, da maneira como existia até então, também morre um pouco. Mas, aprenda uma coisa, menina: é da morte que a vida se alimenta. As palavras de seu Fernando chegaram a mim como uma pancada no peito e me fizeram pensar em como a morte da minha mãe também havia matado a menina que deveria ter sido e não serei nunca mais.”

Lindjane dos Santos
Lindjane Pereira nasceu em Feira de Santana-BA, mas vive em João Pessoa-PB. Tem graduação, mestrado e doutorado em Letras pela UFPB, onde também cursou Jornalismo. Em 2025, lançou a coletânea de contos “Entre muros e sussurros” (Minimalismos). Também tem contos publicados em coletâneas de várias editoras, como no livro “Eu, eu mesmo e o outro”, publicado pela editora Mondru. “Parque das flores mortas” é seu primeiro romance.
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Mondru · Novel · 140 pages
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