Capa de Pequi Roído
Pequi Roído · Reyther Vilard Press release

O lançamento de Pequi Roído, obra do poeta Reyther Vilard, chega ao cenário literário goiano como uma provocação calculada e inspiradora

Espinho de pequi sob a carne de pêssego

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O livro propõe uma abordagem temática que subverte a noção tradicional de que a boa poesia deve nascer de bons sentimentos. O título, que evoca a aspereza e a identidade local, sugere uma imersão crua na alma goiana e na crítica social.

A premissa fundamental da obra reside na ideia de que o ódio, o orgulho e o preconceito são, de fato, as maiores variáveis das grandes narrativas. A literatura ocidental, desde sua gênese com a fúria de Aquiles, é movida por sentimentos intensos. A apresentação argumenta que histórias construídas unicamente sobre o amor tendem ao tédio. Assim, Pequi Roído se insere na tradição das grandes histórias românticas onde a dualidade da natureza humana — como a tensão entre o afeto e a aversão — serve como motor criativo.

O autor, Reyther Vilard, é introduzido de forma hiperbólica e desafiadora. Embora seja um goiano de "pé rachado", ele é categorizado como um bom poeta. A apresentação de Ademir Luiz enfatiza que, para desfrutar plenamente do trabalho, o leitor deve nutrir um ódio pelo autor. Essa aversão é justificada justamente pela superioridade intelectual e espiritual que acompanha o verdadeiro dom poético, uma característica que a raça humana apenas tolera.

No campo da inovação formal, Pequi Roído se destaca por subverter as estruturas clássicas. A narrativa poética utiliza uma rica mistura de formas, incluindo falsos sonetos, versos livres fragmentados, auto-ironia, linguagem coloquial, referências à cultura pop e experimentos concretistas. Essa técnica estilística ousada e contemporânea consegue extrair momentos de ternura — as chamadas "pepitas melecadas de amor" — mesmo em meio à abordagem crítica e provocadora do texto.

A obra de Vilard oferece um mergulho profundo na identidade e nos dilemas do contexto goiano. Estruturalmente, o livro aborda a tensão entre o local e o universal, como evidenciado nas seções temáticas como "Espinho de pequi sob a carne de pêssego" e, principalmente, "FAZENDINHA ASFALTADA". O autor explora a condição do "caipira urbanizado" e a melancolia de uma cidade que, na visão poética, nega seus próprios filhos.

Pequi Roído é um catalisador para a evolução da poesia, exigindo que todos parem de "roer a corda" e enfrentem o bom poeta goiano.

Sobre a obra

Gênero
Poesia
Selo
Mondru
Páginas
72
Formato
14 × 21 cm
Lançamento
25/11/2025
ISBN
978-65-6042-223-0
Preço de capa
R$ 49,90

Em Pequi Roído, Reyther Vilard reúne poemas que combinam rigor e invenção: falsos sonetos, versos livres “picotados”, linguagem coloquial, autoironia, referências pop e experiências de feição concretista compõem um repertório formal variado e consciente. A obra faz dialogar tradição e contemporaneidade — de Safo de Lesbos a um epígrafe de Carlos Drummond de Andrade — sem perder o lastro regional do Cerrado. Entre a cidade e a roça, a cena urbana e o quintal, o livro percorre Ítaca, Macondo, Gotham e Pasárgada para regressar a Goiás, em viagens que tornam o local um espelho do universal. O resultado é um livro que pensa o amor, a linguagem e a pertença com dicção própria: atento às heranças, aberto ao risco, fincado no Cerrado e voltado ao mundo. Uma poesia que seduz pela forma e convence pela inteligência — sem promessas fáceis, apenas a de uma leitura exigente e prazerosa.

Citações

“Pequi Roído é, ao mesmo tempo, promessa e provocação. Reúnem-se aqui poemas que escapam às categorias tradicionais sem nunca perder o diálogo com elas. Entre falsos sonetos e versos livres picotados, lampejos concretistas e um lirismo que flerta com a coloquialidade, o livro revela um poeta consciente de sua tradição, mas disposto a rir dela quando necessário. O leitor encontrará nesta obra um curioso jogo de tensões: o sublime convive com o prosaico, o amor se disfarça de receita de pamonha, e a crítica social surge em meio a imagens de Goiânia que oscilam entre desencanto e ternura . Esse trânsito entre a cultura erudita — de Safo a Drummond — e o chão cotidiano do Cerrado produz uma poesia que se recusa a escolher entre solenidade e humor. Aqui, que a poesia pode ser séria sem ser sisuda, irônica sem ser leviana. A mordida no pequi, que dá título ao livro, é metáfora precisa: o sabor é intenso, o espinho inevitável, e a experiência, mesmo com certo desconforto, permanece viva na memória do leitor.”

Sobre a autoria

Foto de Reyther Vilard

Reyther Vilard

@reythercvilard

Reyther Vilard é goiano, historiador, poeta e especialista em Estudos Literários pela Universidade Federal de Goiás, publicou "Ao Vincent" em 2022 e "Sobre garrafas atiradas ao mar morto" em 2023.

Ficha técnica

AutoriaReyther Vilard@reythercvilard
EditorJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Capa e projeto gráficoJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Coordenação editorialJuliana Matos@juliana3matos
Assistente editorialAugusto Oliveira
RevisãoMatheus Mitre@mmitretayar

Contato

Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/pequi-roido/