"Sala de Espera", a obra de Irene Prado, publicada pela Mondru Editora, emerge como uma narrativa pungente e profundamente íntima que explora as complexidades da vida diante de uma doença grave. Ambientado principalmente na "sala de espera do Centro de Radiologia", um local onde, segundo a autora, "cabem as dores do mundo", o livro mergulha nas experiências humanas de amor, dor, tempo e a incessante busca por reinventar o ser.
A autora, Irene Prado, apresenta uma perspectiva crua e honesta como acompanhante de seu marido, Paulo, seu porto seguro. Mais do que uma simples crônica, é um testemunho pessoal que se estende às "pessoas especiais que conhecemos neste trajeto do tratamento" e "a todos aqueles que, assim como eu, acompanham de perto alguém querido com uma doença grave". A narrativa é um convite para o leitor testemunhar a vulnerabilidade e a resiliência encontradas em um dos momentos mais desafiadores da vida.
A obra destaca como o diagnóstico de uma doença séria "redimensiona o tempo. Agora é o tempo que nos resta", transformando a percepção da existência. Prado questiona a "necessidade de ser forte o tempo todo", revelando a coragem de simplesmente "se sentir humana" em meio à adversidade. A "dor compartilhada" na sala de espera se torna um elemento de cura momentânea e conforto coletivo, evidenciada nas interações com personagens reais como D. Teodora, que "sente dor, mas escolhe não sofrer", e a diversidade de "seres humanos em busca".
Além do espaço físico da espera, a narrativa se desdobra em jornadas inesperadas, como a viagem para Itabuna e a adaptação a uma "casa-barco" em meio ao desconhecido. Em momentos de exaustão e incerteza, a autora encontra refúgio na arte, utilizando-a para "se recuperar" e reviver lutos passados. O livro ilustra a constante reavaliação do próprio ser, com a autora refletindo sobre "Quem sou eu só. Quem serei", mostrando que a vida, mesmo em momentos de pausa forçada, "não espera, ela continua".
A relevância de "Sala de Espera" reside em sua capacidade de abordar temas universais como luto, ansiedade, medo e a busca por sentido, que ressoam com qualquer pessoa que já enfrentou ou esteja enfrentando adversidades. Ao compartilhar as "barbáries do ser humano" e a "vida banalizada" que testemunha, a autora também expõe a resiliência do espírito humano e a força encontrada na conexão e no apoio mútuo. O livro é um testemunho de que a vida e a morte "caminham juntas", e que cada momento presente é "valioso" e digno de ser vivido intensamente.
Em um mundo onde a certeza é uma miragem, "Sala de Espera" oferece um espelho para a experiência humana em sua forma mais crua e autêntica. A obra convida os leitores a abraçarem a vulnerabilidade, a questionarem suas próprias definições de força e a encontrarem beleza e significado mesmo no "novo normal" imposto por circunstâncias avassaladoras. É uma leitura essencial para quem busca compreender a profundidade das relações humanas e a persistência da esperança diante da finitude.
Sobre a obra
- Gênero
- Não ficção
- Selo
- Mondru
- Páginas
- 72
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 25/07/2025
- ISBN
- 978-65-6042-161-5
- Preço de capa
- R$ 59,90
Sala de espera é um relato real e contundente de quem acompanha um paciente diagnosticado com câncer que vai fazer radioterapia em outra cidade. Recheado das histórias de outras pessoas que também fazem o tratamento, o livro fala sobre a sensação de ficar em uma casa de apoio do SUS, as dores e indagações, os conflitos internos, as descobertas e reflexões sobre a vida que pulsa, pela perspectiva de quem acompanha, não da pessoa doente.
Citações
“Ela sente dor, mas escolhe não sofrer e nem causar sofrimento a quem está em volta. Ela é leve, literalmente, nos seus quarenta e poucos quilos, mas também é leve de espírito, de alma. Sentada na entrada da casa de apoio, em Itabuna, recorta pequenos retalhos de tecido, enlaçando-os em um pedaço de lona para fazer um tapete. Moradora da roça, diz que foi uma mãe má, que sempre obrigou os filhos a fazerem as coisas para não serem preguiçosos. Penso na minha maternidade e no conceito de bem e mal, tão filosófico e tão real na fala de D. Teodora. Não vê a hora de ir para casa, mas nem por isso se deprime ou desespera. Imagino sua casa, uma pequena roça, cheia de verde e de luz. Branca de janelas azuis, como na música. Provavelmente não, mas gosto de imaginá-la sentada, tecendo seu tapete, na cadeira de balanço do meu cenário imaginário. Presenteei-a com dois pedaços de chita colorida para fazer seus tapetes, imagina que vou desperdiçar tecido tão bonito, me disse ela, vou é fazer uma blusa e uma saia pra mim, tapete eu faço até com sacolinha de plástico, falou rodopiando pela sala de espera da radioterapia com os tecidos cobrindo seu corpo. Aprendo tanto com ela, só de olhá-la, a conversar e interagir com cada novo hóspede que chega a casa. Nossa casa, nos próximos dois meses.”
Sobre a autoria
Irene Prado
@irenepradoescritoraIrene Prado é escritora, ilustradora, educadora e psicopedagoga, com especialização em Pedagogia das Artes, pela UFSB – Universidade Federal do Sul da Bahia. Mãe de quatro filhos e avó de seis netos, mora em Arraial D’Ajuda, Porto Seguro/BA. Publicou dez livros, entre público adulto e infantil.
Ficha técnica
| Autoria | Irene Prado | @irenepradoescritora |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Augusto Oliveira | |
| Revisão | Matheus Mitre | @mmitretayar |
Contato
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Site: mondru.com/livros/sala-de-espera/