Capa de Uma bekitkit munduruku com síndrome de down
Uma bekitkit munduruku com síndrome de down · Danielle Gonzaga de Brito Press release

"Uma Bekitkit Munduruku com Síndrome de Down": uma jornada ancestral de aceitação e sabedoria

A história Munduruku que nos ensina que o futuro é ancestral

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Uma obra literária que transcende fronteiras culturais e aborda temas universais de aceitação e pertencimento chega ao público, prometendo transformar percepções. "Uma bekitkit Munduruku com síndrome de Down", da autora Danielle Gonzaga de Brito, publicada pela editora Por quê, convida os leitores a mergulharem na história de Dó, uma menina indígena Munduruku com síndrome de Down, e a desvendar a profunda sabedoria ancestral que guiou sua comunidade na compreensão e inclusão de quem é diferente. O livro, que é uma homenagem afetiva, destaca a rica cultura do povo Munduruku e a importância de ouvir e respeitar para construir um futuro mais ancestral.

A narrativa se inicia apresentando Dó, uma criança cujo nome carinhoso esconde a complexidade de uma condição genética que sua aldeia, inicialmente, não compreendia. Em um primeiro momento, Dó vivia à margem das atividades comunitárias, muitas vezes oculta das visitas, enquanto os mais velhos buscavam explicações para sua singularidade, desde o consumo de carne de preguiça até sustos durante a gravidez de sua mãe. A angústia dos pais com o desaparecimento de Dó se transforma em surpresa e esperança quando a menina retorna à aldeia com uma tigela de argila, uma peça de arte que carregava consigo a marca de uma técnica ancestral, indicando uma conexão com o passado e com entidades importantes para o povo Munduruku.

O ponto de virada da história ocorre quando a mãe de Dó procura a sacaca, a anciã sábia da aldeia. Ao examinar a tigela de argila, a anciã reconhece a forma de uma técnica esquecida pelos antigos e revela um sonho revelador com Yab txa Bare’ren, a avó de todos que viveu em tempos passados, e com Tatu Daydo, entidade que para os Munduruku segura o céu. A sacaca interpreta o evento como um sinal dos encantados e ancestrais, afirmando que Dó deveria viver como qualquer outra criança e que não havia motivo para preocupação. A partir desse dia, Dó floresce na comunidade, participando de todas as atividades com um sorriso que encantava a todos, e, surpreendentemente, abriu caminho para que outras "bekitkit diferentes" também encontrassem seu lugar.

A obra de Danielle Gonzaga de Brito é uma importante inovação por ir além de uma simples história de superação, oferecendo uma perspectiva profundamente cultural e ancestral sobre a inclusão. Ela expõe como o povo Munduruku, diferentemente da lógica ocidental não indígena, aborda circunstâncias incomuns através do diálogo coletivo, da orientação dos anciãos e da sabedoria de seus ancestrais, fazendo uma ponte entre passado e presente para moldar o futuro. O livro sublinha uma mensagem poderosa: "saber ouvir as crianças e respeitar os mais velhos nos faz entender que o futuro é ancestral". Essa narrativa não só mergulha o leitor na língua e cultura Munduruku, mas também convida à reflexão sobre a pluridiversidade dos povos indígenas e a possibilidade de construir uma sociedade mais igualitária.

A autora, Danielle Gonzaga de Brito, é uma voz autêntica e essencial para essa narrativa. Natural de Manaus (AM) e pertencente ao povo Munduruku, ela é doutoranda em Letras e professora universitária. A inspiração para a obra veio de uma fonte profundamente pessoal: sua tia, Edilce Gonzaga Moreira, a própria "bekitkit Munduruku com síndrome de Down" a quem o livro é dedicado. Edilce, que nasceu em 1964 e faleceu em 1990, foi para a autora seu "grande cesto de histórias e lugar afetivo", conferindo à narrativa uma autenticidade e sensibilidade ímpares. As ilustrações vibrantes, por sua vez, são de Cledison Antonio de Souza e Silva, do povo Baré, que complementam a riqueza visual e cultural da obra.

Sobre a obra

Gênero
Infantojuvenil
Selo
Porquê
Páginas
16
Formato
14 × 21 cm
Lançamento
22/09/2025
ISBN
978-65-6042-150-9
Preço de capa
R$ 69,90

No conto, ‘Uma bekitkit munduruku com síndrome de down’, temos como protagonista uma criança indígena que pertence ao povo munduruku e que nasceu com síndrome de down. Na época de seu nascimento, seu povo não entendia muito bem que síndrome era aquela, mas com a união dos saberes dos anciãos e com a ajuda dos ancestrais, Edilce, carinhosamente chamada de Dó por seus amigos e familiares, acabou sendo compreendida e amada por sua comunidade e com o passar do tempo, outras bekitkit diferentes também tiveram seu espaço garantido e respeitado na sociedade de seu povo. Além de conhecermos um pouco sobre a cultura e língua do povo munduruku, em nosso conto aprendemos e compartilhamos que quando ouvimos e respeitamos nossas crianças e nossos mais velhos passamos a entender que o futuro é ancestral.

Citações

“Todas as sociedades estão em constante movimento, nenhuma delas é fixa e permanente. Mudamos nossos diferentes hábitos e nossas diferentes relações entre as pessoas. Essas mudanças são importantes e nos ajudam a entender melhor os distintos processos que nos rodeiam. Assim aconteceu com o povo Munduruku quando a primeira criança de sua aldeia nasceu com síndrome de Down. No início, o povo ficou assustado e buscou diferentes explicações para o nascimento de uma criança com características diferentes daquelas com que eles estavam acostumados. Mas, como de costume para os povos indígenas, dialogaram, pedindo orientação dos mais sábios, os anciãos, e ajuda e sabedoria de seus ancestrais. Desse modo, encontraram a melhor maneira de compreender e respeitar aquela criança com síndrome de Down e todas as outras que tivessem suas características próprias, pois, “saber ouvir as crianças e respeitar os mais velhos nos faz entender que o futuro é ancestral”.”

“Existem muitas informações sobre os diferentes povos indígenas que a sociedade brasileira não indígena desconhece. Uma delas é que existem crianças indígenas com síndrome de Down. Em Uma bekitkit Munduruku com síndrome de Down, você vai conhecer Edilce, carinhosamente apelidada de Dó, e sua história de aceitação e respeito por parte de sua família e de sua aldeia. Sendo Dó uma criança com síndrome de Down, ela apresentava características diferentes de todas aquelas com que sua comunidade estava acostumada; e tudo que é diferente causa espanto e curiosidade.”

“Diferentemente da sociedade ocidental não indígena, o povo Munduruku tem sua própria maneira de entender o mundo. Nessa outra lógica, o povo Munduruku, muito forte na oralidade, conta histórias que se relacionam com suas entidades e seus ancestrais. Para tentar compreender a razão pela qual Dó nasceu com aquela síndrome, diversas histórias e possibilidades foram criadas. Todas as vezes que o povo Munduruku enfrenta uma circunstância diferente, ele se reúne para debater, pois acredita que, em coletividade, é sempre possível vencer e resolver as adversidades. Não foi diferente na situação de Dó. Ocorre que, além do próprio povo, nesse conto, temos a oportunidade de conhecer Daydo, uma das muitas entidades do povo Munduruku.”

Sobre a autoria

Foto de Danielle Gonzaga de Brito

Danielle Gonzaga de Brito

@daniellemunduruku

Danielle Gonzaga de Brito é natural de Manaus e pertence ao Povo Munduruku do Amazonas. Me entendo como Corpo-Território-Memória e sou uma dos muitos sujeitos de constelação que acredita na existência das diferenças e na potência dos sujeitos indivíduos coletivos. Me interesso pela área de estudos de linguagem, em particular aos estudos do discurso. Me interessa profundamente fortalecer e ajudar nos processos de afirmações indígenas e nos fortalecimentos das ancestralidades do Povo Munduruku do Amazonas. Estou professora no curso de Letras Língua Portuguesa e Língua Inglesa da UFAM/IEAA em Humaitá e desejo muito contribuir com a construção de uma sociedade pluricultural.

Ficha técnica

AutoriaDanielle Gonzaga de Brito@daniellemunduruku
EditorJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Capa e projeto gráficoJeferson Barbosa@jeferson3barbosa
Coordenação editorialJuliana Matos@juliana3matos
Assistente editorialAugusto Oliveira
RevisãoLetícia M. Zambon

Contato

Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/uma-bekitkit-munduruku-com-sindrome-de-down/