Deus já foi preto
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Jesus comemorava o seu aniversário no céu e eu, no inferno.
Sobre o livro
“Deus já foi preto” narra a visceral jornada de Ian, um jovem que cresce no Morro das Almas, imerso na dura realidade das favelas brasileiras. Desde a infância, Ian luta pela sobrevivência, enfrentando a violência da polícia, a pobreza extrema e a constante ameaça da marginalidade. Em meio ao caos, sua vida é moldada por encontros significativos – desde a menina Yara, um vislumbre de inocência e afeto, até a figura de Claudinho, que o introduz ao conhecimento através de um livro de Malcolm X, despertando nele uma busca por identidade e um propósito maior. A trama acompanha Ian em sua incessante procura por um futuro digno, por afeto e por um lugar no mundo onde possa ser verdadeiramente livre, desafiando as expectativas impostas por seu ambiente e pelas estruturas sociais opressoras.
violência explícita; linguagem forte; abuso ou violência sexual; uso de drogas; discriminação retratada
Por que publicamos
Publicamos "Deus já foi preto" pela força de uma voz. Contado em primeira pessoa por Ian, o romance incorpora a oralidade das ruas sem filtro e sem pedir licença. A linguagem é crua, ágil, por vezes cômica, e sustenta o ritmo do livro.
É também um romance sobre aprender a ler o mundo. Entre a fome, a violência e a busca por afeto, a leitura aparece como possibilidade de reinvenção, e a narrativa mantém fôlego e humanidade até nas passagens mais duras. É literatura brasileira contemporânea que incomoda, comove e fica na memória.
“Sentia um aperto no peito. Uma sensação de vazio. Acho que nem Deus olhava mais pra mim. Era eu e a morte de mãos dadas à beira de um barranco, onde uma plateia de gente com belos ternos e vestidos de gringo me assistia cair.”
“Filho, Deus é preto, você é preto, Deus não baixa a cabeça, você não deve baixar a cabeça, nunca. Não importa por onde você andar, você é forte, entendeu?”
“Fiquei com as pernas trêmulas: descobri o poder de um beijo. O beijo desestrutura completamente qualquer um. Você sente seus pés flutuarem no chão, o sangue de todos os canais e veias e artérias vai direto ao coração, perde os sentidos ou eles se perdem, se confundem, se fundem. Você abre os olhos e vê aquele rosto que parece ser o único que habita na terra, vê o sorriso e sorri ao mesmo tempo, e depois disso nada mais importa.”

Rael Marques
Rael Marques é publicitário, redator, roteirista e pós-graduado em Storytelling e Escrita Criativa. Caiçara criado no Guarujá, litoral paulista, o autor desenvolveu desde cedo seu lado criativo — ainda na infância, criava histórias em quadrinhos sem imaginar que, anos mais tarde, descobriria ali o seu verdadeiro lugar. “Deus já foi preto” marca sua estreia na ficção literária.
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Bring God Was Once Black to your language.
Translation, audio and adaptation rights are available. The rights sheet has the synopsis, the author bio and the book details in English.
Mondru · Novel · 264 pages
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