A literatura brasileira ganha um novo e potente capítulo com o lançamento de "Constância", a mais recente obra poética de Dírlen Loyolla. Longe de evocar a ideia de estabilidade que seu título sugere, este livro é uma imersão profunda na inconstância da existência, na incessante busca por sentido e na complexidade das relações humanas. Loyolla apresenta uma obra que concilia musicalidade, hermetismo e uma profusão imagética, marcando sua estreia no cenário da poesia com um trabalho de notável originalidade.
A obra de Loyolla se constrói sobre a ideia de um ser em constante fragmentação, tal como o rio de Heráclito, que, embora o mesmo, é sempre outro. O eu lírico, em seus versos, se reconhece como um "ser provisório girando no sempre do mundo". Essa noção de provisoriedade é central na obra, permeando desde a reflexão sobre o amor até a percepção do próprio eu, sempre em movimento e transformação. O livro é marcado por uma tensão entre o constante e o inconstante, uma dança entre o ser e o amor, que se revela através de versos que ora se assemelham a barcos à deriva, ora a corpos equilibrando-se sobre as ondas.
"Constância" se destaca não apenas pela sua temática, mas também pela forma como Loyolla trabalha a linguagem. O autor explora versos longos, repletos de sonoridades e ritmo. A musicalidade é um elemento fundamental, com jogos de rimas internas e aliterações que remetem ao universo da música. Em poemas como "Gis", a alternância de termos e assonâncias cria um compasso musical, enquanto em outros, a sonoridade parece extraída dos nomes das pessoas homenageadas. A linguagem de Loyolla é livre e inventiva, subvertendo as regras gramaticais para criar versos instigantes.
A obra revela uma forte influência da tradição literária, com diálogos com diversos autores e estilos, mas sem perder a originalidade. Os poemas são permeados por elementos da natureza, como a água e o vento, utilizados de forma magistral para expressar as nuances da experiência humana. O autor também explora a dualidade entre corpo e alma, a busca pelo belo e a reflexão sobre o tempo e a memória. Além disso, o livro revela como a vida e a poesia se unem na poética de Loyolla, que descobriu a poesia através da música popular brasileira, influência que se reflete na musicalidade de seus versos.
O livro, que passou por um longo período de maturação, reflete a trajetória do autor, que também é tradutor e estudioso da literatura. O press-release visa não apenas apresentar a obra, mas também convidar o leitor a conhecer a fundo a poética singular de Dírlen Loyolla, que, por meio de versos que exploram a inconstância do ser, o convida a mergulhar no universo complexo e fascinante da condição humana. "Constância" é mais do que um livro de poemas, é uma experiência literária que ecoa na alma, um convite à reflexão e à busca por sentido, que permanece em suspensão, assim como a própria vida.
Dessa forma, "Constância" se apresenta como uma obra que merece ser conhecida e apreciada, tanto por sua originalidade e profundidade temática quanto pela beleza e inovação de sua linguagem. A obra é um convite à contemplação, à reflexão e ao reconhecimento da beleza da incerteza, fazendo jus à genialidade do autor e à relevância de sua voz na literatura contemporânea.
Sobre a obra
- Gênero
- Poesia
- Selo
- Mondru
- Páginas
- 128
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 30/01/2025
- ISBN
- 978-65-6042-144-8
- Preço de capa
- R$ 49,90
“Constância” é uma obra poética que explora a tensão entre a aparente estabilidade e a inconstância da existência. Através de uma linguagem rica em musicalidade e imagens, o livro apresenta um eu lírico em constante movimento, buscando sentido em meio a um mundo em transformação. A obra aborda a fragmentação do ser, a busca pelo amor e a reflexão sobre a vida, utilizando metáforas como a imagem do rio e do náufrago para ilustrar a jornada do eu lírico. A obra revela um profundo apreço pela incerteza, oferecendo um olhar sensível sobre as complexidades da condição humana, sem oferecer respostas definitivas, mas sim, convidando o leitor a uma imersão na experiência da inconstância.
Citações
“QUADRA N.º 11 Talvez o céu ou coisa assim, desesperada. Quem sabe o nada pode ser-me invenção. Existo agora-me sozinho dentro d’água enquanto tréguam-se meus eus em suspensão. PRIMEIRA CAÇA AO SER AUSENTE Entendo o caçador como o ser dormente nos olhos de quem não possui, mas sente, as dores da feliz presa que passa. Devolha o caçador o ser corrente, e julga-se feliz quando se cala, e, mesmo sem poder, mira e dispara naquilo que não mais se pode ter. POETA DE ALUVIÃO Nasci naturalmente poeta; daí, então, na hora certa, deixei-me levar pela mão. Levado demais, fui formalista, menino de mil tradições. Nasci com muitas missões, naturalmente poeta, mas, para agradar companheiros (russos, franceses, ingleses de ocasião), fui analista, fui esteta; artificialmente cresci. Ademais, aprendi e desaprendi o cansaço das línguas; desumanizei o meu verso, perdi todas as sementes das flores do mal. E o que era pra ser, afinal, não foi; virei uma espécie de sapo-boi alumbrado. Falei difícil, hermeticamente fechado. Falei a linguagem linguagem, ponte e fachada para o nada, lugar nenhum. Hoje eu sou mais um que se despedaça. Minha poética fina, sem substância de massa, não tem como dar às bocas carentes de poesia o grosso sustento diário de dor e de alegoria que fazem do homem humano, comedor de feijão, o início e o fim do poema. Levado demais, fui além, deixado levar pela mão. (meus pés já não tocam o fundo do rio) Esteta da negação, do sonho e do sombrio, espécie de esteta para estetas, sou poeta para poetas, poeta de aluvião.”
Sobre a autoria
Dírlen Loyolla
@dirlen_loyollaDírlen Loyolla, aliás, Dirlenvalder do Nascimento Loyolla, nasceu em 1975, na cidade de Linhares – ES. É formado em Letras/Bacharelado em Estudos Literários pela UFOP. Fez mestrado em Literatura na UFMG (onde estudou Guimarães Rosa), doutorado em Literatura e Práticas Sociais na UNB (onde estudou Lima Barreto) e também estágio de pós-doutorado na UFRGS (por meio do qual analisou a obra de Carolina Maria de Jesus). Desde 2014 reside na cidade de Marabá (PA), onde trabalha como professor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA).
Já publicou 2 livros acadêmicos autorais, 5 livros acadêmicos como organizador, 15 obras como tradutor das línguas inglesa, francesa e espanhola (tradução/revisão da tradução), além de artigos completos publicados em periódicos da área de Letras, bem como capítulos de livro. Dentre as obras que traduziu constam os volumes Demanda – Literatura e Filosofia, de Jean-Luc Nancy (Editora Argos, 2016), Mente Espontânea, de Allen Ginsberg (Editora Novo Século, 2013), e traduções de Herman Melville, Willa Cather, Ernest Hemingway e William Faulkner (Lumme Editor). Pela Mondru Editora publicou O aço das sonoras cordas - uma narrativa haikai, o seu primeiro livro de ficção.
Ficha técnica
| Autoria | Dírlen Loyolla | @dirlen_loyolla |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
| Revisão | Matheus Mitre | @mmitretayar |
Contato
Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/constancia/