A Mondru Editora tem o prazer de anunciar o lançamento de "Frevo Noir", a primeira coletânea de contos de Paulo André Souza, um recifense que se aventura pela ficção com um pé no thriller social e outro no existencialismo. A obra, que mergulha nas contradições da alma humana, usa o carnaval como metáfora para explorar a ambiguidade da nossa gente e suas festividades, em um contexto onde o gozo é privilégio de poucos. "Frevo Noir" é uma ode à dualidade, uma imersão nas sombras que problematizam nossas celebrações.
Composto por dezesseis contos, o livro tece uma narrativa em quatro dimensões: cultural, com alusão à festa momesca; psicológica, com personagens enredadas numa desconfiança disruptiva do “brasileiro cordial”; social, com a percepção de que vivemos num lugar onde o gozo é privilégio de uma casta; e estética, com a denúncia numa atmosfera de suspense e picardia. Caranguejos atravessam os contos rumo ao mar, enquanto as personagens pegam nas mãos do leitor, em busca da sua própria rota de fuga. A prosa de Paulo André Souza é descrita como um turbilhão de ritmos e fúrias, com elementos de ironia e lirismo, pop e vanguarda, onde o Recife escorre pela tela e inunda a alma de frevo e lama.
A sonoridade é um elemento chave em "Frevo Noir", com referências ao jazz e ao frevo, criando uma atmosfera musical que acompanha a jornada dos personagens. A obra também se destaca pela sua abordagem cinematográfica, com cenas que transitam entre planos panorâmicos e close-ups, revelando a solidão do instante em meio ao caos. A paleta de cores, com predominância do amarelo e preto, reforça a atmosfera noir da narrativa, que se desenrola em ladeiras e becos do Recife.
O livro não é apenas mais uma coletânea de contos; é um mergulho nas profundezas da alma humana, com uma narrativa que combina elementos de thriller social, existencialismo e noir, em um cenário que pulsa com o ritmo do frevo. A obra convida o leitor a questionar a realidade e a se confrontar com as ambiguidades que nos cercam. A capa, que apresenta a foto de uma casa antiga numa ladeira de Olinda e uma passista empunhando uma sombrinha de frevo como se fosse uma arma, complementa a atmosfera de suspense e mistério da obra.
A Mondru Editora convida a todos para conhecer a obra de Paulo André Souza e se deixar levar pela prosa de ritmos e fúrias de "Frevo Noir". Acreditamos que este livro irá marcar a literatura brasileira contemporânea, abrindo novas perspectivas sobre o nosso carnaval, a nossa gente e a nossa alma.
Sobre a obra
- Gênero
- Contos
- Selo
- Mondru
- Páginas
- 144
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 01/07/2025
- ISBN
- 978-65-6042-160-8
- Preço de capa
- R$ 69,90
“Frevo Noir” é uma coletânea de contos que explora as ambiguidades da alma humana e da sociedade brasileira, tendo o carnaval e a cidade do Recife como cenário. As narrativas mergulham nas sombras e contradições da vida, apresentando personagens complexas e enredadas em situações de tensão e desconfiança, onde a linha entre o gozo e a escassez é tênue. A obra aborda temas como desigualdade social, violência e a busca por sentido, utilizando uma linguagem que mistura lirismo, ironia e suspense, com uma forte influência da sonoridade do frevo e do jazz. A atmosfera noir perpassa as histórias, com elementos de mistério e uma paleta de cores que remete ao lado sombrio das festividades. Os contos são interligados por imagens recorrentes, como a dos caranguejos, que simbolizam a marcha da vida em meio ao caos.
Citações
“O barulho é doce da fanfarra: clarinetas, pistons, trombones, trompetes e mais alguns trombones e trompetes, que o frevo é um jazz, sempre se repete e se repetindo eu já adivinho um dueto de Miles Davis e Capiba quando pela janela de um sobrado cintila na penteadeira da velha o esgar jocoso do boneco em seu dente de ouro: minha alma gracejando de mim. Júbilo, culpa, náusea, espasmo, Juliana, vertigem, estouro, queda... Despenco espalhado na noite feito bomba de confetes.”
“Maquiagem no grau, cicatriz, Iara Eurídice largou o boy da tattoo Ralph Lauren na cidadezinha do fuxico. Sem essa de dias certos com pessoas erradas, estamos sangue na cabeça, repõe os óculos de sol ao ritmo de alto-falantes, Vassourinhas e Frevo mulher, fazendo tombar a máscara do corcel num frevo preto de prazer e dor...”
“Faz pelo menos doze horas de toró, e um minuto, um minuto que eu não ouço passadas nem resmungos. Do lado de cá, fios de gato da vizinhança soltam suas headphone paraguaio, há tempos tive um sonho, não me lembro, não me lembro, dessa eu guardo o vinil da jovem Íris, que ela teria afanado dum mangueboy nos anos 1990, mas aqui é só o traficante Diogo vindo nos resgatar. Ele não conhece a letra, mas tira os óculos como se conhecesse, e fala com os gestos adoçados pelo hip hop ou pelo funk, o roqueiro corrompido no passinho, simbora, comparsa, chega aí no sombreiro. Estiro os braços. Desisto, o que teria havido para o meu rival já não ter espancado a porta? ‘— Bora, Diogo. Me ajuda aqui com o Frankenstein.’ ‘— Bote fé, doutor Daniel.’ Água pelas canelas, fibras e músculos, toda a massa do corpanzil naquele estado, tosse por reação do peito, recostado na parede, o supercílio e o nariz empapados de sangue e suor, pega pelos pés, Diogo, eu sustento pelos braços, segura, passa, espera, vamos, pega o pó que for preciso, leva a chefia na manha, depois ele paga, eu garanto. Desatamos a corda das toras que improvisavam a embarcação e ali eu chego a dizer que não voltasse pra qualquer socorro, jangada sem leme ou remos obra na antiga masmorra de dormir ou só escombros? E que obra por acaso teria sido essa, hein, meu brother? Quem sabe o que jaz nas profundezas dos oceanos?”
Sobre a autoria
Paulo André Souza
Paulo André Souza é um recifense, delegado da Polícia Federal e escritor de ficção, com uma predileção pelo thriller social e existencialista. Ele publicou contos em antologias, tendo recebido prêmios por seu trabalho. Sua formação em escrita criativa inclui a extensão pela PUCRS, em 2017, e uma oficina no Centro Cultural Raimundo Carrero, no Recife, em 2020. Frevo noir é sua primeira obra individual, uma coletânea de contos que explora as contradições humanas e sociais a partir da metáfora do carnaval. Nas redes sociais, o autor pode ser encontrado em @p.a._souza.
Ficha técnica
| Autoria | Paulo André Souza | |
|---|---|---|
| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
| Revisão | Letícia M. Zambon |
Contato
Imprensa: imprensa@mondru.com
Site: mondru.com/livros/frevo-noir/