A narrativa de "Ocas" transporta o leitor para um universo dominado pelo vasto e imponente Império Intergaláctico de Luso, uma civilização que se autoproclama o "Bom Império". Este império estende sua influência por inúmeros planetas, sob a premissa de trazer progresso a "povos incompletos", embora a realidade muitas vezes revele uma face mais sombria de exploração. Neste cenário complexo, conhecemos Al Varesh, um explorador e antropólogo cujas funções e até mesmo sua própria biologia foram drasticamente modificadas por intervenções cibernéticas. Varesh está em uma missão crucial: colonizar um "planeta azul" até então inexplorado, transportando quinze colonizadores em estado de animação suspensa, prontos para reerguer o império em novas terras.
Contudo, a jornada de Varesh toma um rumo inesperado e perigoso. Sua nave é gravemente danificada durante a viagem, forçando uma aterrissagem turbulenta na superfície do planeta. Ferido e isolado, ele é descoberto por Naiá, uma das nativas do local. O primeiro contato é marcado por um profundo mal-entendido inicial: ao tentar se proteger, Varesh aciona suas habilidades cibernéticas, transmutando partes de seu corpo em armas. Essa transformação assusta Naiá, que o percebe como uma criatura estranha, talvez feita de pedra ou madeira, totalmente alheia aos seres humanos que ela conhece. Um relâmpago emanado do corpo de Varesh e a ineficácia das flechas nativas contra ele apenas solidificam essa percepção de algo sobrenatural ou perigoso.
Durante sua recuperação, Varesh é acolhido pela tribo de Naiá. Ele passa a observar e gradualmente assimilar os costumes, ritos e a língua local dos nativos. Essa imersão cultural, combinada com a convivência diária, o leva a um profundo questionamento de sua própria programação imperialista e da ideologia de Luso. Ele é forçado a confrontar as memórias dos "horrores" que testemunhou em outras colônias, como miscigenação forçada, escravidão, genocídio e fome, percebendo a verdadeira natureza exploratória e devastadora do império que servia. Essa experiência ressoa com as próprias violências que seu corpo e consciência sofreram nas mãos dos mecha-biólogos de Luso.
A convivência de Varesh com a tribo apresenta um rico panorama de personagens e perspectivas. Cauã, o cacique, um líder velho e cansado, mas protetor de seu povo, fica fascinado pela "criatura cinza", vendo-a como uma potencial protetora após a tribo ter sofrido perdas significativas em invasões anteriores. Em contraste, Caíque, o principal guerreiro, mantém uma profunda desconfiança em relação a Varesh, lembrando-se das experiências traumáticas com outros invasores "brancos" e suas "geringonças". As habilidades mutáveis de Varesh – sumir, alongar as pernas, desfazer e refazer o corpo – causam reações diversas entre os nativos, variando da curiosidade ao medo e à veneração. Naiá, por sua vez, embora goste de ensiná-lo sobre a tribo, permanece cética quanto à sua divindade, lembrando-se de tê-lo visto sangrar e quase morrer.
Diante desse cenário e do conflito interno, Varesh é confrontado com uma decisão crucial: restaurar a nave e continuar sua missão colonizadora, ou romper completamente com Luso e viver como um igual entre os nativos, apenas registrando o que via sem interferir diretamente com tecnologias avançadas. Ele opta por uma escolha drástica, destruindo os sistemas de comunicação da nave, tornando-se invisível e incomunicável para o império. Contudo, essa decisão é imediatamente posta à prova pela iminente invasão de novos "brancos" no planeta, que chegam com armas primitivas e uma brutalidade implacável. Varesh é forçado a enfrentar as consequências de suas escolhas, enquanto a floresta pega fogo e o povo nativo é atacado, levantando a questão se ele usará seus poderes para proteger o povo que aprendeu a respeitar.
Sobre a obra
- Gênero
- Contos
- Selo
- Lentes
- Páginas
- 56
- Formato
- 14 × 21 cm
- Lançamento
- 29/08/2025
- ISBN
- 978-65-6042-212-4
- Preço de capa
- R$ 59,90
A história começa com Al Varesh, um explorador e antropólogo do Império Intergaláctico de Luso, encarregado de colonizar um “planeta azul” com uma comitiva de quinze colonizadores. Durante a viagem, sua nave é gravemente danificada, forçando uma aterrissagem turbulenta no planeta, que ele descobre ser habitado por um povo “primitivo”. Ferido, Varesh é encontrado por Naiá, uma nativa, e um mal-entendido inicial leva a um confronto devido às suas habilidades cibernéticas e à percepção dos nativos sobre ele. Enquanto se recupera e convive com a tribo, Varesh começa a aprender sobre seus costumes e ritos, o que o leva a questionar a ideologia imperialista de Luso e os “horrores” que ele mesmo testemunhou em outras colônias. A trama principal se desenrola em torno do conflito interno de Varesh entre sua missão original de colonização e a crescente compreensão e conexão com o povo nativo, levando a uma profunda reflexão sobre intervenção, moralidade e o destino de ambos os mundos.
Citações
“Por mais incrível que pudesse parecer, tinha saudades do império que violou seu corpo e sua mente de maneiras irreparáveis.”
“Os horrores que vi nelas eram indescritíveis. Miscigenação forçada, escravidão, genocídio, fome…”
“Sua mente era uma zona de guerra constante.”
“Usando todas as suas forças físicas e emocionais para combater sua programação, destruiu os sistemas de comunicação da nave.”
“O povo que criou esta nave e me deixou dessa forma é muito, muito mais explorador que os brancos, Naiá! Não há como nada de bom sair disso.”
Sobre a autoria
Vitor Jardim
@vitorjardim1999Nascido no Rio de Janeiro em 1999, Vitor Jardim formou-se em Letras – Formação de Escritor pela PUC-Rio em 2022. Seu TCC foi o livro de contos de ficção surrealista “Pré-nomes”, publicado em 2023 pela Editora Multifoco, do Rio de Janeiro. Atualmente, cursa um mestrado em Comunicação – Mídias Criativas na UFRJ, em que pesquisa sobre a representação de narrativas de pessoas em situação de refúgio em histórias em quadrinhos.
Ficha técnica
| Autoria | Vitor Jardim | @vitorjardim1999 |
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| Editor | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Capa e projeto gráfico | Jeferson Barbosa | @jeferson3barbosa |
| Coordenação editorial | Juliana Matos | @juliana3matos |
| Assistente editorial | Khálysto Soares | @khalysto.soares |
| Revisão | Luiz Felipe Vasques Fernandes Guedes |
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