A tarde sem fim
O endereço de entrega é pedido no pagamento.
Há dois narradores na vida: eu e o meu arrepio.
Sobre o livro
“A tarde sem fim” convida o leitor a mergulhar na mente labiríntica de um narrador que se encontra em um estado de fluxo contínuo entre o passado e o presente, metaforizado por um elevador que sobe e desce indefinidamente. Impulsionado pela enigmática figura de Dete, que parece ser o catalisador de sua profunda crise existencial, ele revisita as vívidas e gloriosas memórias de sua infância no cerrado, povoada por tias, avós e aventuras no Rio dos Bois, contrastando-as com a desorientação, o cansaço e a ausência de finalidade de sua realidade atual, em uma jornada introspectiva e complexa por sentido e compreensão da própria existência.
conteúdo sexual explícito; linguagem forte; suicídio ou automutilação
Por que publicamos
Romance de linguagem rara, A tarde sem fim faz da memória um território em movimento: um narrador preso entre a infância no cerrado e um presente sem rumo, num fluxo em que tempo e lugar se confundem. A prosa recusa a linha reta e aposta no fragmento, na oralidade e na imagem, sem abrir mão da inquietação.
Publicamos porque o livro encontra uma voz própria para a tradição rural brasileira, com avós, tias, rios e causos, e a leva a perguntas sobre fé, liberdade e sentido. É uma leitura exigente e generosa, que pede tempo e devolve beleza.
“Entro no elevador, fecho os olhos, fecho os punhos, prendo a respiração. Finalmente sou eu me elevando no que quero dizer, no que há por destilar, contar. Me solto na elevação. E, de repente, eu subia e descia, subia e descia, sem noção de como tudo começou e onde parar. O elevador sem parar. O fluxo da inconsciência me elevando e a realidade me puxando para baixo. Este elevador está quebrado, avalio, na pressão da gravidade. O que eu sei agora? Está acontecendo sem mim.”
“Quando me contaram que a Bernadete – a Dete, insistiram – estava espalhando, com fúria nos lábios, que ia me destruir, eu sentei e fiquei. Entendi: vai me matar. Só isso? Só isso, uma hora dessas, não sabiam o motivo, queriam saber, eu sabia muito menos. Mais alguma coisa? Mais nada. Minhas mãos não se mexiam. Meu coração perdeu os ponteiros. Eu estava cansado demais para me entristecer, e essa textura era o cúmulo de hoje, hoje agora, hoje ontem, hoje em dia. Tanto hoje pesando, descendo em refluxo pro coração.”
“Houve um dia em que voltei ao Rio dos Bois e simplesmente olhei as pedras, a água serena e fria, a velocidade da correnteza, lembrei que mergulhava, além disso me lançava do alto de um barranco em cambalhota, e um segundo depois – o suficiente para uma lágrima despencar – parei o mundo, estupefato, como parava naquele tempo com a sensação de que nada poderia ser melhor do que viver ali, daquele jeito. Uma vida sem reparo, a não ser que deveria aprender a nadar. Logo que aprendi, tudo estava perfeito. Estupefato diz bem o que senti, pois não é coisa desta terra.”
“Também não entendo como era bom pegar o estilingue, escolher as menores e mais redondas pedras no trieiro que descia para o rio, e com elas acertar bem na cabeça de uma juriti, para não estragar a carne. Não entendo como era de tirar o fôlego estraçalhar um colibri, destruir as asas de uma andorinha, rasgar o peito de um sabiá, espatifar caixas de marimbondo na algazarra das moitas chutadas em desespero, e nada disso explodir em mim com o efeito de antigamente. Não entendo os beija-flores e as pedras assassinas de seu beijo. Não entendo. Ser outra coisa, e uma coisa inodora. Uma coisa amorfa. Coisa nenhuma.”

Vassil Oliveira
Jornalista, Vassil Oliveira nasceu em Anápolis e passou toda a infância e juventude em Vianópolis, interior de Goiás. É consultor político e de comunicação. Foi diretor de Redação na Tribuna do Planalto (1995 a 2000; 2002 a 2009), editor de política no jornal diário O Popular (2000 a 2002), apresentador e comentarista político em rádios goianas. Integrou também outras equipes de rádio em coberturas eleitorais.Foi chefe da Assessoria de Imprensa do governador Alcides Rodrigues (Goiás); presidente da Agência Brasil Central (ABC), em 2019, no governo Ronaldo Caiado; secretário de Comunicação de Goiânia na última gestão de Iris Rezende Machado; diretor de Comunicação da Prefeitura de Campo Grande (MS). Participou, como coordenador ou na assessoria direta, de várias campanhas eleitorais. É autor do livro de crônicas: “Nem Sempre Sou Assim”, do livro de contos “Homens e Cavas Abertas de Mulheres Amorosas”, e de “Eleição do Início ao Fim”, um livro de ensaios sobre política, políticos e Jornalismo no calor da campanha de 2006 para governador de Goiás. Todos foram publicados pela Contato Comunicação.
A página de VassilA equipe do livro.
Quem fez este livro junto com o autor.
Este livro pode chegar a mais estantes.
Leve A tarde sem fim para a sua estante.
Vendemos direto para livrarias, bibliotecas, escolas e clubes de leitura, com desconto por quantidade e nota fiscal.
Escreva sobre A tarde sem fim.
Press release pronto para copiar, capa e foto em alta, citações e ficha técnica. Exemplares para resenha mediante pedido.
Bring A tarde sem fim to your language.
Translation, audio and adaptation rights are available. The rights sheet has the synopsis, the author bio and the book details in English.
Mondru · 128 pages
Do mesmo selo.
Incontinência das Horas
Derrisão
Bar Latino-América
Um Lugar sem Passado
Confraria dos homens invisíveis
Ninguém morre na véspera
Receba as novidades da Mondru.
Lançamentos, campanhas novas e promoções no seu e-mail. Escolha do que quer saber: sem marcar nada, você recebe tudo.
Ganhe 10% na primeira compra: o cupom chega no e-mail de confirmação.
