As sementes que o fogo germina
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Logo cedo a gente aprende a disfarçar o amargor na boca, a dosar a sede.
Sobre o livro
Obstinado, um garotinho busca nos elementos da natureza a cura para sua
incapacidade de falar. Em seus minutos finais de vida, um avô evoca as lembranças
olfativas que guardou da neta. Um guia de comportamento feminino revela o passo a
passo infalível para se manter atraente. A festa em comemoração aos 94 anos da
matriarca só começa com o apagar das velas.
As sementes que o fogo germina pode ser lido como um pequeno inventário de
histórias desconcertantes e de extenso alcance emocional. Vivendo entre um passado
nebuloso e um presente enigmático, também entre a renúncia e a devoção, as
personagens nos fazem questionar: até que ponto uma existência é capaz de resistir ao
peso do desamparo e da crueldade infligida? A frustração, a inveja e o ressentimento
servem de força motriz para o ato da criação, ou apenas fertilizam emoções destrutivas?
Mas os textos de estreia de Sumaya Lima na ficção não se apoiam em respostas
prontas fornecidas pelo enredo. Sua escritura, equilibrada sobre um fio lírico, irônico e
sedutor, maneja silêncios e vozes dissonantes, valoriza subtextos e demais camadas de
significados que somente a poética do corpo, chegando antes do sujeito, é capaz alcançar.
violência explícita; conteúdo sexual explícito; linguagem forte; abuso ou violência sexual; suicídio ou automutilação
Por que publicamos
Publicamos As sementes que o fogo germina por reunir contos que não se apoiam em respostas prontas. Sumaya Lima escreve com um fio lírico, irônico e sedutor, e trabalha silêncios, vozes dissonantes e camadas de sentido, num inventário de histórias desconcertantes.
É a estreia de uma autora que experimenta formas distintas de contar, da cena breve ao diálogo, do relato íntimo ao manual, sem perder a unidade de olhar. Literatura contemporânea que pede leitura atenta e deixa perguntas em vez de sentenças.
“De olhos fixos no céu enquanto a primeira pá de terra é lançada sobre o caixão de uma criança, percebemos o infinito como um espelho a refletir o lugar mais vazio do mundo. A essa altura, nossa face não é mais que mera carnosidade, pálida e trêmula, onde o sol, irrompendo em lâminas, talha um sorriso de palhaço.”

Sumaya Lima
Sumaya Lima é paulistana nascida na Zona Leste, em 1978. É editora, preparadora de originais e revisora de textos. Em 2020, contribuiu com o livro ilustrado “Kimberly Kamikaze”, do artista plástico e amigo Omar Rosario, mesmo ano em que foi contemplada no edital Arte como respiro, do Itaú Cultural, na categoria Poesia. Tem textos publicados na série independente “Crap Noir”, com fotos de Giovana Pasquini. “As sementes que o fogo germina” é seu primeiro livro.
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Translation, audio and adaptation rights are available. The rights sheet has the synopsis, the author bio and the book details in English.
Mondru · Short Stories · 104 pages
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