Louca Normalidade
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Antes um louco alegre do que um cara lúcido infeliz.
Sobre o livro
“Louca normalidade”, do autor Plácido Berci, apresenta Francisco Solano, um jornalista aposentado cuja mente, fragilizada por um acidente vascular cerebral, se vê imersa em memórias fragmentadas e uma tênue percepção da realidade. Atormentado por uma enigmática anotação em seu bloco — “Mar. Mulher. Arbustos. Trincas. Olhar arregalado. 00 KMF.” — Francisco se convence de ter testemunhado um crime, desencadeando uma obsessiva investigação pessoal. A trama acompanha sua jornada em busca da verdade, questionando a todo momento se os eventos são reais ou meros devaneios, e desafiando o leitor a navegar por essa ambiguidade que permeia a “louca normalidade” de sua mente.
violência explícita; linguagem forte; suicídio ou automutilação
Por que publicamos
Louca normalidade parte de um mistério e o conduz pela cabeça de um narrador que não confia na própria memória. O leitor divide com Francisco Solano a dúvida entre o que foi visto e o que foi imaginado, e a investigação passa a ser também uma investigação sobre a mente.
Publicamos o livro por esse risco de forma e pelo olhar sensível sobre solidão, velhice e vínculos familiares. É um romance que pergunta onde termina o normal sem reduzir ninguém a caricatura, e que deixa uma pergunta com o leitor depois da última página.
“Como distinguir se algo é real ou apenas um devaneio? Temos percepções individuais sobre fatos, pontos de vista únicos, recortes da realidade. Para constatar a veracidade de um determinado acontecimento são necessárias provas concretas. Registros em vídeo e fotografias são fundamentais, mesmo após o avanço da inteligência artificial. Depoimentos cruzados de diferentes testemunhas ajudam a embasar e preencher parte da busca pela verdade. Talvez a verdade absoluta seja abstrata demais, inalcançável. Mas, se é abstrato, pode ser imaginado. Correto? Confuso. Até mesmo para um repórter na essência da definição como Francisco Solano.”
“Desesperado, Francisco abre os olhos, verdes de fazer inveja a qualquer esmeralda, e o coração martela acelerado em seu peito. Sente vontade de vomitar. Estava sonhando. Passeando pelo inferno de sua própria mente num pesadelo repleto de realismo. A minúcia de detalhes o faz ter a certeza de que seu inconsciente finalmente acaba de revelar mais informações sobre a nota rascunhada dias atrás. E o principal: finalmente descobriu que a praia mencionada em um de seus blocos é a Praia da Reserva, local paradisíaco da capital fluminense, ainda bastante preservado, que Francisco costumava frequentar décadas atrás, para longas caminhadas. Ainda não se lembra do contexto geral que o levou a caminhar por ali na última terça-feira, mas agora tem a convicção de que a misteriosa anotação foi feita lá. Apesar das revelações, ainda faltam peças no fragmentado quebra-cabeças de seus pensamentos, e a angústia definitivamente toma conta de seu corpo.”
“Depois vem a contemplação. Se olham intimamente. Nada de pânico, ao contrário: sente uma conexão esquisita com a loira do pescoço cortado. Imóvel, observa a defunta empalidecer, por perder todo o sangue do belo corpo inerte. O minúsculo apartamento 44 agora é metade rubro, enquanto a outra metade é marcada pela sombra da noite que já preenche boa parte da casa do velho jornalista, ainda bêbado e estático em sua cama. Não sabe se dormiu. Estaria acordado ou sonhando? Estaria paranoico? Teria mesmo um sério transtorno psiquiátrico? Ou seria uma visão espiritual sobre algo que realmente aconteceu? Uma intervenção divina clareando sua mente para lhe passar uma mensagem? Seria Francisco um ser iluminado?”

Plácido Berci
Plácido Berci cresceu em São Carlos, interior paulista, e se formou em jornalismo pela PUC-Campinas. Viveu na Inglaterra, onde escreveu seu primeiro livro: Paixão – uma viagem pelo futebol inglês. No retorno ao Brasil, ingressou no Grupo Globo onde é repórter de TV desde 2015. No ano seguinte, foi correspondente do SporTV na África, experiência que originou a obra Nuvem de terra – relatos do primeiro correspondente esportivo brasileiro no Quênia, lançada em 2018 pela Globo Livros. “Louca normalidade” marca sua estreia na literatura ficcional.
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Mondru · Novel · 264 pages
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