Disquete de 3,5" Soviético
Ao fim, o mundo é um grande Banco Imobiliário, repetitivo e decidido pelo dinheiro, jogadas de dados e cartas de sorte ou revés.
Sobre o livro
Éris, Natália, Belona e a Protagonista são mulheres trans buscando seu espaço em versões futuristas do Brasil carregadas do contraste entre o neon dos anúncios publicitários e o breu dos cantos habitados por pessoas invisíveis, com a cobertura de uma camada de poluição que falha em esconder os abismos entre as classes. Nessa rotina de sobrevivência, apesar de possuírem vivências bem distintas, enfrentam o dilema comum entre manter a luta constante e ceder à assimilação por parte do sistema em um mundo cyberpunk em que as máquinas e as inteligências artificiais, reproduzindo em seus chips e códigos os hábitos de seus criadores mesmo no limiar da consciência, apenas replicam e reforçam os padrões da sociedade, se tornando ferramentas daquilo que elas tanto buscam fugir.
violência explícita; discriminação retratada
Por que publicamos
Disquete de 3,5" Soviético reúne contos cyberpunk ambientados em versões futuras do Brasil, onde o neon dos anúncios convive com o breu de quem vive à margem. Daniela Funez conduz suas personagens trans por cenários de desigualdade, vigilância e rotinas automatizadas, com invenção e senso de humor.
Publicamos porque o livro faz ficção científica brasileira com voz própria. Ele une estranhamento e comicidade para discutir o dilema entre resistir e ser assimilado, e mostra máquinas que espelham os hábitos de quem as criou. É uma estreia de fôlego na ficção de gênero contemporânea.
“A metrópole de Rio-Ribeirão Preto não mudou muito após a virada ao século vinte e dois, e para uma foto ser considerada histórica, representando reais diferenças no ambiente, ela deve cada vez mais se colocar distante no tempo. A modernidade que deveria ser a chave para as diversidades padronizou todo o cenário, consolidou regras antigas e fixou as pessoas a rotinas para sobreviverem. Tudo em nome do que defendem hoje ser o grande impulso humano, a produtividade. Ser e sentir menos para então render mais.”

Daniela Funez
Daniela Funez, mulher trans nascida em São José do Rio Preto (SP), busca por meio do teatro e da escrita captar o absurdo do mundo com seus padrões e contradições, vislumbrando Brasis alternativos em histórias cyberpunk e reflexões das mais aleatórias possíveis, com uma dose de humor. É formada em publicidade e propaganda pela USP, foi finalista do Prêmio Caio Fernando Abreu de Literatura em 2022 e é dramaturga da peça Uma Unidade Astronômica, produzida pelo Centro Cultural Fiesp, além de autora do conto O Êxtase Derradeiro da Vampira de Osasco, publicado pela Editora Bandeirola.
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Mondru · Short Stories · 96 pages
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