Labirintos do Caos
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Sobre o livro
"LABIRINTOS DO CAOS" é uma instigante coletânea de contos que mergulha o leitor em um universo onde o caos não é desordem, mas sim uma força inesgotável de transformação, revelando uma "ordem por decifrar", conforme a epígrafe de José Saramago. A obra traça a complexa e multifacetada jornada da alma humana através de diferentes tempos e espaços, desde a Brasília da ditadura militar nos anos 70 até um futuro próximo dominado por inovações tecnológicas como inteligência artificial, ciborgues e nanorrobôs. Ao explorar a simbiose crescente entre humanos e máquinas, a autora tece narrativas que abordam a busca por memórias, a resiliência diante de traumas e pandemias, a luta contra o preconceito e a violência, e a incessante procura por amor, liberdade e o próprio significado de ser. É uma profunda reflexão sobre a capacidade humana de (re)criação em um mundo em constante metamorfose.
discriminação retratada
“Ao falar de caos, penso no imprevisível, no desconexo evoluindo para algo maior e estruturado, assim como é o processo inesgotável de criação. Daí, surge aquele impulso natural que nos incita a produzir a matéria da escrita, a partir de um caldeirão de sentimentos temperados com os sais contraditórios da magia e do desencanto, da descrença e da esperança, diante do que ainda está oculto e em gestação, ante uma realidade que se anuncia, a qual não sabemos até onde se estenderá.”
“No ano de 2037, de grandes mudanças, com a ameaça de partidos nazistas chegarem ao poder em várias partes do mundo, Ana Lúcia tomou a coragem de arrancar o chip de sua cabeça. Queria esquecer o passado. Viver só o presente, um dia de cada vez. Entretanto, como esquecer daquela sua história tão comovente e humana? De alguma forma, ela alimentava a alma e lhe impulsionava a viver. – Se tirar o microchip, sua vida vai ficar mais precária – disse o dr. Antunes, sugerindo que ela implantasse um novo dispositivo lançado no mercado, ultramoderno, eficiente e com menos efeitos colaterais. No dia do procedimento, ela viu o chip ao seu lado, em uma caixinha preta onde estava escrito em inglês to oblivion (para esquecimento). Ficou intrigada e em dúvida. Seria para curar esquecimento e reavivar a memória ou para que esquecesse de vez o seu passado e o da sua família? Seria o chip do obscurantismo?”
“"Era difícil de acreditar, mas Vicente embrenhava-se pelo labirinto cibernético como um Leonardo da Vinci futurista a se redesenhar, espelhado no Homem Vitruviano, nu e perfeito a girar no centro do Cosmos, a se comunicar com as estrelas, a compartilhar sua carga de pensamentos e de emoções sem-fim. Ele queria se transformar em uma espécie de ciborgue do amor e, assim, experimentava sensores e microchips que aumentavam a percepção e a potência física. Era algo ainda longe do alcance das massas, com tendência de se expandir no período pós-pandemia, de vírus letais e eficientes em devastar nossas defesas. Esse raciocínio ganhava força em meios científicos e pesquisas indicavam que, por sua natureza afetuosa, os ciborgues do amor poderiam contribuir para a queda dos índices de feminicídios; enquanto as mulheres, além de receberem mais carinho, teriam acesso a ferramentas capazes de lhes proporcionar excepcional vigor e recursos sensoriais.””
“Hoje, a única lembrança que se tem de Japiaçu é reavivada pelo robozinho Bambuí, máquina construída em homenagem ao menino-borboleta, o titã que chorou e lutou dias e noites na floresta. O robô esbranquiçado, aureolado com as cores do arco-íris, ícone de feiras e de eventos temáticos ambientais e sustentáveis, encanta multidões quando conta a sua história. Criada em 2035, cinco anos após a morte de Bambuí, a máquina sempre começa assim: – Houve um tempo em que a terra inteira era redonda e cheirava a pequi… Com emoção na voz, Bambuí-robô mostra-se angustiado quanto ao futuro da humanidade, em meio ao seu sorriso desconcertante de lata.”

Ficção científica
Narrativas que exploram futuros possíveis, mundos alternativos, inteligência artificial, viagens no tempo, experimentos científicos e paradoxos tecnológicos. Questionam a realidade a partir da lógica, da ciência e da imaginação crítica.
Maria Félix Fontele
Maria Félix Fontele estudou Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Atuou como repórter, editora, colunista — entre outros — em diversos meios de comunicação, como o Jornal de Brasília e o Correio Brasiliense. Além de ser secretária-adjunta do Governo do Distrito Federal, também atuou como diretora de Comunicação Social da Câmara Legislativa do DF. É sócia fundadora da Fontele Studios. Escreveu os livros “Versos que me habitam” (poesias/2018) e “O barulho, o silêncio e a solidão de Deus” (crônicas/2020), ambos publicados pela Confraria do Vento. “Labirintos do Caos” é seu primeiro livro pela Mondru Editora.
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Lentes · 112 pages
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