Os dias são todos domingos
A vida começa repentina, sem explicação.
Sobre o livro
"Os dias são todos domingos" é um livro de poemas que explora a jornada emocional de um eu lírico sensível e observador. O livro acompanha esse eu lírico em suas experiências com o amor, desde a paixão avassaladora até a melancolia do término, passando por reflexões sobre a vida urbana e questões existenciais. Através de uma linguagem rica em imagens e musicalidade, a obra convida o leitor a mergulhar em um universo de sentimentos, onde a busca por um recomeço se torna um fio condutor. Os poemas abordam a beleza e a desordem do amor, a dor da saudade e as marcas deixadas pelas experiências da vida. A coletânea se apresenta como um convite à reflexão e à sensibilidade, sem revelar os detalhes específicos dos acontecimentos e resoluções.
Por que publicamos
Publicamos este livro pela voz que ele constrói: poemas curtos, de humor fino e musicalidade evidente, que passam do amor e do fim do amor à cidade e ao estranhamento de existir, sempre com leveza e atenção à palavra. É uma estreia que brinca com a língua sem perder a emoção.
Também nos interessa o diálogo com a tradição, de Drummond ao samba e à música de concerto, feito sem reverência vazia, com ironia e afeto. É poesia contemporânea, acessível e inventiva, para ler aos poucos, num domingo ou em qualquer outro dia.
“Domingo Foi assim: um meio jazz de Gershwin me tomou por inteiro. Eu que, sapo tanoeiro, parnasiano aguado, busco rimas que te fariam gostar. Fico sem ar, um tanto acuado por perder estribeiras, as eiras e as beiras, a métrica, o caso. Nesse caso, Será que caso? Caso queira, poderia? Não conto com o acaso. Os planos me falham como falha a frase: nem sei se boto a crase, porque é tudo à ela, mas a ela não costuma me olhar. Quem sabe um dia, talvez domingo. Pra que servem as minhas mãos Sempre olhei mesmerizado minhas próprias mãos, tentando entender (sem sucesso) para que elas servem. Quando quase desisti, suas mãos, com toda delicadeza de quem opera marionetes de infinito, gravitaram às minhas. Pela sua mão pluma repousando sobre mim descobri afinal que errei a transitividade do verbo. Minhas mãos não servem pra nada, servem a. Em preciosismo quântico, toque primoroso, às suas mãos minhas mãos servem.”

Miguel Rosa
Miguel Rosa nasceu em São Paulo em 2001, onde ainda reside. Formado em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes, trabalha como produtor. Cultiva sua pesquisa artística, transitando entre diversas mídias, como desenho, colagem e pintura, além de exercitar a escrita, tanto acadêmica quanto literária. “Os dias são todos domingos” é sua primeira coletânea de poemas, publicada pela Editora Mondru.
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Mondru · Poetry · 72 pages
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