Lembrar Esquecer
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no estio a teimosia em existir
Sobre o livro
Em Lembrar Esquecer, o poema de abertura, “encruzilhada”, ocupa o lugar que nos épicos clássicos pertence à invocação, mas desloca o seu sentido. Se Homero pede às musas a memória dos feitos da Grécia, Virgílio, a memória heroica de Roma, e Camões solicita às ninfas do Tejo o engenho e a arte para narrar guerras passadas e a glória das navegações, aqui não se pede inspiração nem canto elevado — pede-se passagem. Onde a tradição épica buscava fluência e harmonia, este livro assume o obstáculo e a comunicação difícil: a palavra precisa atravessar gargantas roucas, tempos quebrados e memórias gastas. Por isso, a invocação se dirige a Exu, senhor da linguagem, do trânsito e do risco; aquele que permite, ou não, que algo circule entre mundos. O livro não busca beleza estável, mas a capacidade de passar: de boca em boca, de tempo em tempo, de vida em vida. Sem prometer retornos gloriosos, Lembrar Esquecer percorre a tradição clássica para transformar o antigo canto em travessia, ao guardar o que sobra, aceitar a falha e insistir na possibilidade ética da transmissão possível.
Por que publicamos
Lembrar Esquecer trata a memória como ofício de matéria: os poemas desbastam, cortam e recompõem, em diálogo direto com a gravura, linguagem que Gianou Viana também pratica como artista visual. O resultado é um livro em que texto e imagem pensam juntos, e em que a forma poética se deixa atravessar pelo corte e pelo silêncio.
É também um livro de muitas vozes. A experiência pessoal se abre ao coletivo, com a família, o sertão e os ritos e saberes de matriz afro-brasileira, e conversa com Drummond, Camões e os clássicos sem reverência fácil. Publicamos esta obra pela inquietação e pelo cuidado com a palavra.
“linhagem habitual faca tingida de ferrugem óxido fio de lâmina com viés lentamente enesgado pelo ritual rude da empunhadura calejada do bisavô que não conheci mesmo protegida na bainha de couro encruado escorada à parede de lembranças escoadas a casa que eu nunca habitei por revés vez ou outra ainda corta reimosa a minha carne manual de esquecimento: lição para deixar de aprender e de ensinar menino para virar homem que se aprove não chora não esperneia nem se protege na barra da saia da mãe engole como murro no peito um oceano de lágrimas a se fingir de seco”
Onde este livro esteve.
Eventos, mesas e sessões de autógrafos em que o livro foi apresentado.
Já aconteceram

Gianou Viana
Gianou Viana de Queiroz, Nascido em 1985 no povoado de Lagoa da Bananinha, município de Canarana – BA. Licenciado em Artes Visuais e Especialista em Arte na Educação pela Universidade de São Paulo. É arte educador, pintor, gravador e poeta. Realizou exposições individuais, participou de diversos salões e exposições coletivas. Vive e trabalha em São Paulo.
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Mondru · Poetry · 144 pages
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