Frestas em que habito
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Este livro é feito de falhas e fissuras.
Sobre o livro
“Frestas em que habito” narra a jornada íntima e corajosa de CACO MARTINS que, através da poesia, busca recolher os “cacos” — restos de emoção e frases quebradas — de uma vida inteira de rabiscos para, finalmente, compor um “corpo poético”. Longe de pretensões grandiosas, a obra se revela um delicado sussurro que prefere a “fresta à janela escancarada”, explorando as “coisas que não vejo” e as verdades profundas que habitam as falhas e fissuras da existência humana. O livro não se esquiva de temas sociais e filosóficos, com “versos malcriados” que brigam entre si, questionando a normalidade e o conformismo, e instigando o leitor a encontrar a beleza nas imperfeições e a abraçar a vida com um revolucionário “SIM”, mesmo diante dos riscos. É uma trama de autodescoberta e honestidade brutal, onde a vitalidade da obra emerge justamente de suas vulnerabilidades, convidando o leitor a habitar suas próprias frestas e a encontrar sentido no fragmentado.
Por que publicamos
Frestas em que habito reúne poemas de formas muito variadas, do verso livre ao haicai, do humor ácido à elegia. A voz que os conduz desconfia da inspiração fácil e prefere o detalhe mínimo ao grande gesto. Aqui a imperfeição não é defeito a esconder, mas método de escrita.
É uma estreia que atravessa a memória da infância, o corpo, o amor e a perda sem pressa de fechar respostas. Em tempos de leitura apressada, acreditamos que uma poesia de escuta atenta merece chegar a quem gosta de ler devagar.
“IMPERFEIÇÕES E OSSOS Para aquém da rotina dinâmica liquefeita, repleta de perplexas frustrações e sentimentos limitados. Para além da máquina orgânica perfeita, repleta de complexas conexões e sistemas interligados: esse amontoado de carne, pele, sistema nervoso, imperfeições e ossos exala arte por todos os poros em todas as partes. PÃO DE CADA DIA O movimento dos cabelos sob a água o cheiro das roupas ao final do dia o enrugar da testa comendo fruta amarga a falta de ar quando a cócega não para nos mínimos detalhes, em cada mágoa vai se fazendo a vida — fermentada de instantes que ninguém vê. GUERRA FRIA Não há certo ou errado, nem deserto aterrado, nem mulher ou criança… Não há limite nessa terra quando se trata de vingança, Quando se arma uma guerra. Nas bélicas garras da harpia: Vingança é prato que se Guerra Fria. de cabeça quente.”

Caco Martins
Caco Martins, natural de Governador Valadares/MG, é administrador público, professor universitário e artista. Autor do livro de estreia Frestas em que habito, sua poesia habita os intervalos do cotidiano, a luz entre sombras e os gestos que passam despercebidos, revelando espaços silenciosos onde a observação se transforma em poesia.
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Mondru · Poetry · 80 pages
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