O Evangelho Segundo as HQs
A fome era tanta que nossos corpos se contorciam como raízes secas.
Sobre o livro
Em um futuro distópico, “O Evangelho Segundo as HQs” apresenta poemas que questionam a origem e a moralidade dos heróis modernos. Através de supostos evangelhos apócrifos, a obra sugere que esses ícones da cultura pop são, na verdade, sombras de um passado ancestral, originados da hibridização entre anjos caídos e humanos. A “possessão tecnológica” é retratada como uma nova forma de escravidão, com a inteligência artificial dominando a mente humana e ameaçando a liberdade individual. O livro tece uma crítica à sociedade contemporânea, denunciando a manipulação das massas, a perda de valores e a crescente decadência moral. Em meio ao caos, a poesia surge como um ato de resistência, buscando uma linguagem pura e transcendente para expressar a verdade e alcançar a redenção.
violência explícita
Por que publicamos
Publicamos este livro pela ousadia do seu gesto poético. Em vez de reverenciar os heróis dos quadrinhos, o autor os investiga como figuras de um imaginário muito mais antigo, num jogo de evangelhos apócrifos, mito e cultura pop que desloca o olhar de quem lê.
É poesia que arrisca na forma e na imagem, de tom grave e visionário, e que faz da linguagem um espaço de resistência. Um livro que incomoda e pede releitura, e é por isso que quisemos levá-lo ao público.
““Fomos obrigados a acreditar que “O Trabalho Liberta”. Para a maioria de nossos irmãos a liberdade só veio com a morte. E ela, a Morte, Fada Madrinha ou Megera, vinha com suas máscaras e nos acalentava com suas canções de ninar. A fome era tanta que nossos corpos se contorciam como raízes secas. Não havia maná do céu nem o pão da terra, apenas o gosto de carne queimada em toda parte.Havia dias em que as cinzas estavam por toda a parte; pareciam surgir de toda parte, não apenas das chaminés; elas brotavam da boca dos homens de aço. Hoje, no café da manhã, meus irmãos beberam leite adoçado com Zyklon-B. Vi suas almas flutuarem entre a névoa.As fornalhas crematórias se alimentavam dos famintos, dos esqueletos descarnados. Ao longe ouvi um pássaro raro cantar uma triste canção enquanto os autofalantes anunciavam outra vitória aos gritos.Em Auschwitz vi um homem com cabeça de macaco, uma mulher com tentáculos de polvo, uma criança com olhos de esturjão. Vi uma menina ser cortada ao meio porque os médicos procuravam novas estrelas em seu útero. Em Auschwitz coisas estranhas aconteciam.Dava para ouvir os gritos daqui, vinham da enfermaria. Eu poderia ouvir esses gritos a milhares de quilômetros. À noite esses gritos afugentavam os lobos, aterrorizavam todas as criaturas da noite. Esses gritos de dor ecoando em minha cabeça.Os trens vinham lotados de lenha seca prontas para alimentar o fogo dos senhores da guerra. “Muitos são como ervas daninhas. Raça de comedores de cadáveres. Você está preparado para enfrentar os seus maiores medos? Os seus piores pesadelos? Você está preparado para a Morte? Para a sua Morte? Você está preparado para a morte daqueles que você ama? Você está preparado para enterrar o seu filho, a sua filha, sua esposa, seu marido? Você está preparado para enterrar o seu companheiro(a), seu pai, sua mãe? Eu perdi tudo. Eu sei o que é perda. Perda não é nada. Perda é Ilusão. É preciso ter Fé!””
A coleção inteira.
Os 6 livros lado a lado, no mesmo tamanho: o padrão que a coleção divide e o jeito próprio de cada um.
UtopirasNoa Cykman02
Conficções - poema (narrativo) quase limpoPedro Américo de Farias
O Evangelho Segundo as HQsMateus Ma’cha’dövocê está aqui
Em nome da fogueira, da costura e do hálito, amémDuanne Ribeiro05
Poesia CorporalMirna y Dean06
Tempo VivoJosé Morais Antunes de Sousa
Mateus Ma’cha’dö
Mateus Ma’ch’adö é escritor e anti-poeta. Autor do romance As Hienas de Rimbaud, e dos livros de poemas Origami de Metal, A Mulher Vestida de Sol, A Beleza de Todas as Coisas, Nerval e YHVH. Em 2022 publicou o livro de ensaios 17 de junho de 1904 – O dia que não amanheceu, sobre a obra de James Joyce. Foi diretor de cultura da AEPTI (Associação dos Escritores Poetas e Trovadores de Itatiba). Ganhador do prêmio Ocho Venaco (México) e um dos quinze finalistas do Mapa Cultural Paulista (2002).
A página de MateusA equipe do livro.
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Mondru · Poetry · 120 pages
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Aos ouvidos dos cães
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