Pá-Lavra
poema é artesanato, é construção
Sobre o livro
Os poemas reunidos em Pá-Lavra pretendem render homenagem ao material de que todo artesão literário, todo poeta, depende. Trabalhar a palavra é, nesse caso, o desafio maior, porque afinal é com palavras que marcamos nosso destino de pertencimento, de encontros e de saudades. O dizer, por jamais dizer tudo, diz sempre mais do que se quer. A artesania do verso é, portanto, um exercício de calibragem, dependente de um mergulho em si, quase um afundar-se em águas desconhecidas, na terra molhada da infância, onde toda árvore nasce. A poesia se faz, assim, pelo tornar-se sem jamais estar dado, pelo devir que se descobre na escrita como releitura de outros versos, de muitos poetas. Este Pá-Lavra, ao tornar possível ao poeta cultivar desde dentro suas marcas e travessias, sua terra e suas sementes, esboça uma homenagem às leituras que modelam o desafio de ser um em comum, de nos permitir, enfim, dizer um pouco melhor o que somos, para criar e cultivar a lida com isso onde nos reencontramos na partilha – o lugar da palavra.
linguagem forte
Por que publicamos
Pá-Lavra toma a palavra como matéria de ofício e a trabalha como um artesão, com humor ácido, ironia e tensão. O livro conversa, em dedicatórias e releituras, com poetas como Ferreira Gullar, Drummond, Bandeira, Blake e Eliot, e o faz sem reverência acomodada.
Publicamos pela variedade de formas (sonetos, baladas, poemas visuais, verso livre) a serviço de um olhar que vai do amor e do desejo ao cotidiano, à família e à perda. É uma poesia que leva o leitor a pensar o que a linguagem alcança e o que deixa de fora.
“Lingu[a]gente Foi feito sem razão o beijo encruzilhava em soltaferas línguas de lava queimamilos me diz désejà-vu sabido já não ouve ventriloquente arrimo arruma termo enfim. De boca aberta troça traduz fantasma em gesto rejeita amor recluso voz transamordaçada não houve a vez d’ouvinte éloquaz[mente] atroz se fala morde a língua consome afeto mudo. Colericoalescência entre-não-transeuntes divergencianureto que tu me infl[amas], Bia! na boca cerram pernas à pena vale o cerco? em sonho secoragem por outro renega[dor].”
Onde este livro esteve.
Eventos, mesas e sessões de autógrafos em que o livro foi apresentado.
Já aconteceram

Mathias de Alencar
Mathias de Alencar é poeta e professor. Carioca radicado em terras amazônidas, é autor dos livros de poesia Ninguém há de doar-se a dois amores ou Julieta (Folheando, 2023) e Poem(a)limpo (Amazon, 2024 – Nova edição especial 10 anos) e do romance Falosofia de Mulher, a ser reeditado em breve pela O Zezeu. Ganhou o prêmio internacional Sweek Tomorrow (2017) pelo melhor conto escrito em língua portuguesa. Escreve mensalmente para a Revista Literária O Zezeu.
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Mondru · Poetry · 104 pages
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