A última América
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Uma flor só não basta para tanta dor que as pessoas guardam.
Sobre o livro
“A ÚLTIMA AMÉRICA” é uma obra envolvente que tece um mosaico de histórias e destinos, ambientada nas ruas vibrantes de Salvador, mas com ressonância que ecoa por todo um continente. O livro mergulha nas vidas de diversos personagens que, enfrentando uma sociedade complexa e por vezes opressora, marcada pela violência, tirania e marginalização, são impelidos a uma jornada de luta incessante e reinvenção. Em meio a desafios que testam os limites da existência humana, a narrativa explora a resiliência da vida e a busca por um novo propósito, onde a esperança brota nas condições mais improváveis e a transformação pessoal se revela como um poderoso ato de resistência em uma América que se refaz constantemente.
violência explícita; discriminação retratada; linguagem forte
Por que publicamos
"A última América" reúne contos ambientados em Salvador que dão voz a quem costuma ficar à margem: vendedores ambulantes, moradores de ocupações, artistas, gente que procura um jeito de seguir. Cada texto tem forma própria, entre o monólogo, a cena e o relato de rua, e o conjunto compõe um mosaico da cidade.
Publicamos o livro pela linguagem, que mistura cotidiano, humor e lirismo, e por fazer a rua, o terreiro e o museu conviverem no mesmo livro. É literatura contemporânea que olha de perto, sem simplificar.
“Estou cansado de muito tempo, desde que tenho que ajudar mainha a comprar comida pra casa. Desde que tenho de acordar de madrugada pra trabalhar. Desde que tenho que pegar serviço no fim de semana. Desde que tomo esculacho de minha mãe. Desde que tomo esculacho dos namorados de minha mãe. Desde que tomo esculacho do meu chefe. Desde que tomo esculacho do cliente playboy. Desde que tomo esculacho da polícia.”
“O que eu quero é ficar bonita. As pessoas que me olharem vão querer ficar bonitas também. Vejo muita gente passando de cara feia, resmungando, com olhar cansado, com olhar de nada. Não conseguem sentir o dia bonito, com o sol brilhante e quente. Eu fico só sorrindo. Essa gente não me olha, não me vê. Não me enxergam. O que eu quero é que me olhem e vejam como sou bonita, minha preta pele, sintam que eu existo. Quando eu passar a existir, a outra pessoa também vai existir.”
“Olha só dona Ivone, sempre foi tudo muito difícil para mim. Trabalho desde menino para poder ter pelo menos um prato de comida por dia. Venho sobrevivendo a tudo até agora e muitos apostaram que eu não passaria dos vinte anos de idade, mas estou aqui até hoje. Fui vender cafezinho para não ter que vender droga, assim andei por toda esta cidade. Tem poucas horas que descobri que nada disso adiantou, pois posso morrer a qualquer instante. Desviei de tanto tiro, me escondi de tanta violência, driblei a fome e a miséria, mas ainda assim meu coração vai parar de bater, pois sou como um vaso, que carrega uma planta que nasceu dentro do meu peito. Por enquanto estou aqui, mas este vegetal vai crescer tanto que uma hora vou deixar de existir.”
“Ora João, tem muitos anos que eu também tenho uma planta dentro de mim, na minha barriga, cresceu bem no estômago, ela inclusive já deu flor. Os médicos também me disseram que eu ia morrer, mas estou viva até hoje. Confesso que fico feliz em saber que uma outra pessoa, além de mim, segue como chão, com uma planta que cresce desafiando toda essa barreira que nos colocam. João, não vamos morrer assim. Veja, a planta trouxe você até a mim. Foi ela quem fez que nos encontrássemos. Na verdade eu acredito que estamos nos reencontrando, que há mais de nós. Fomos os primeiros, logo seremos tantos, uma floresta que estamos trazendo como outro sopro de sociedade, com pessoas diferentes, gente igual a eu e você, quase sementes, quase mudas. No final da estrada, João, vamos entender que somos lugar que se planta, que se cria um novo mundo.”
A coleção inteira.
Os 9 livros lado a lado, no mesmo tamanho: o padrão que a coleção divide e o jeito próprio de cada um.
Os teus olhos estarão sobre mimMarcos J. Custódio02
Fogaréu LilásSilvana Colombelli Parra Sanches03
Um organismo ainda mais baixoea assumpção04
Pedras espalhadas pelo caminhoNelson Lourenço05
Brasil, Baronial ou varonilRodrigo Celestino Rocha06
Contos do Nordeste AntigoWagner Pires07
SuturaMarcel Vieira
A última AméricaTiago Chavesvocê está aqui
Paz e GuerraHenrique Dottoly
Tiago Chaves
Formado em Letras, Tiago Chaves trabalha na área de teatro, focando em dramaturgia, na área de literatura, processo criativo e produção cultural. Apresentou espetáculos e realização de oficinas no Peru, Equador e E.U.A., e também em diversos estados do Brasil. Participou do projeto #GrafiasEletrônicas, da TVE Bahia e na Rádio Educadora, além de outros textos publicados em revistas literárias. Além da atividade artística, trabalha como gestor de espaço cultural.
A página de TiagoA equipe do livro.
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Mondru · 120 pages
Do mesmo selo.
O Protocolo do Silêncio
Terra dos Sete Silêncios
Compêndio das grandes e pequenas existências
Histórias de ferro e pedra
Nem toda luz é manhã
Do outro lado da janela
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